Silvinita, um potencial ainda a ser explorado

Em: 16 de novembro de 2009
Reservas amazonenses, de 1,1 bilhão de toneladas, aguardam escolha da mineradora pela Petrobras
Reservas amazonenses, de 1,1 bilhão de toneladas, aguardam escolha da mineradora pela Petrobras

As cidades de Nova Olinda do Norte (a 138 km de Manaus) e Itacoatiara (a 170 km), onde estão localizadas as reservas minerais de silvinita Fazendinha e Arari, respectivamente, têm capacidade para exploração de 1,1 bilhão de toneladas do mineral, de onde pode ser extraídos 300 milhões de toneladas de potássio. Considerando o custo atual de até US$ 750 a cada mil quilos, as duas cidades gerarão US$ 225 milhões com a exploração do potássio, usado na indústria de fertilizantes e fármacos.
Além desses municípios, Autazes e Itapiranga (a118 km e 222 km da capital, respectivamente) também estão na rota de extração do mineral e, até o final deste mês, sondas chilenas explorarão a região para confirmar a viabilidade econômica das reservas. O custo das sondas é de US$ 25 milhões e está a cargo da empresa Potássio do Brasil, que realizará furos de um quilômetro de profundidade para constatar a presença de potássio suficiente para sustentar a extração.
O geólogo e secretário-executivo de geodiversidades e recursos hídricos da SDS (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas), Daniel Nava, explicou que a secretaria monitora as atividades de pesquisa da Potássio do Brasil desde o licenciamento da companhia no Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas) e garantiu que as perfurações começam logo que as sondas cheguem às reservas.
Com aproximadamente 400 km de extensão, as reservas amazonenses de silvinita têm características geológicas similares aos grandes reservatórios mundiais de potássio, localizados na Rússia e Canadá. Quando as minas de Autazes e Itapiranga estiverem confirmadas. o Amazonas terá a terceira maior reserva de potássio, tornando o Brasil autossuficiente na produção deste elemento químico.
A Comissão de Mineração, Óleo e Gás da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), presidida pelo deputado Sinésio Campos (PT), informou que a empresa Falcon Metais apresentou a melhor oferta no processo de licitação para explorar as reservas, mas a licitação foi cancelada pela Petrobras. A estatal alegou razões estratégicas para anular a licitação.
“A Petrobras deve anunciar ainda este mês a empresa que será sua sócia na extração da silvinita e, se confirmadas todas as reservas, serão gerados inicialmente 10 mil empregos diretos com a construção da mina propriamente dita”, destacou Campos. O parlamentar adiantou ainda que se calcula o estabelecimento de sete minas e abertura de 70 mil vagas de empregos diretos e indiretos dentro de cinco anos, quando a mina e a usina de beneficiamento do material estiverem em funcionamento.
A gerência de imprensa da Petrobras comunicou que a empresa está finalizando a contratação de um novo estudo de viabilidade técnico-econômico-ambiental das jazidas de Fazendinha e Arari, uma vez que o estudo de viabilidade existente data da década de 1980 e não contempla a jazida de Arari. “O novo estudo deverá ser finalizado no terceiro trimestre 2010 e só após a sua conclusão teremos detalhes sobre o melhor método para exploração e beneficiamento do minério”, pontuou a companhia, em comunicado.

País importa 92% do que consome

De acordo com o técnico do DNPM/SE (Departamento Nacional de Produção Mineral de Sergipe), Luiz Alberto de Oliveira, o país ocupa a oitava e nona colocações em termos de reserva e produção de potássio, respectivamente. Além do Amazonas, o Estado de Sergipe abriga minas de silvinita na cidade Rosário do Catete que, somente em 2006, foi responsável pela extração de 17,26 milhões de toneladas de potássio.
A produção brasileira de fertilizantes com potássio começou em 1985 e está restrita à mina/usina Taquari-Vassouras, naquela cidade sergipana. “Devido à pequena produção interna o Brasil importa 92% do potássio fertilizante que consome e, com a extração no Amazonas, poderemos suprir a demanda interna e até exportar o produto”, assegurou Nava.
O geólogo afirmou também que está no planejamento estratégico do governo do Estado produzir potássio fertilizante no Amazonas, e não apenas extrair o produto e vendê-lo in natura. “Temos estudos na Suframa [Superintendência da Zona Franca de Manaus] que confirmam essa possibilidade, conjugando a produção de nitrogenados do gás natural ao nosso potássio e as reservas de fósforo em Estados vizinhos”, finalizou o secretário-executivo de geodiversidade e recursos hídricos da SDS.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar