Transportadoras vão construir bases policiais para frear pirataria

Em: 10 de dezembro de 2021

Em reunião no final da tarde de ontem (9), com a cúpula dos órgãos que atuam na segurança pública no estado, o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma) propôs uma parceria para ampliar a realização de operações nos rios e também para a construção de balsas fluviais a serem cedidas para que os agentes possam atuar nas áreas com maior incidência de roubos, assaltos e ataques contra as embarcações.

De acordo com o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior, o projeto para construção das balsas seria totalmente realizado pelas empresas transportadoras associadas ao sindicato – com toda a estrutura de alojamentos e instalações necessárias para abrigar as forças policiais e de fiscalização – para serem cedidas à Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) aumentarem sua presença de modo permanente nos rios e no combate a ação dos criminosos.

“Apesar dos investimentos feitos pelo Estado, os ataques piratas são cada vez maiores e mais violentos, provocando perdas de R$ 100 milhões por ano em cargas roubadas, além de agressões e mortes de tripulantes, ameaças para as comunidades ribeirinhas e para os passageiros que navegam na região”, afirmou Galdino durante a reunião que contou com a participação da SSP, Polícia Federal, Polícia Militar e Civil, Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros e de secretarias e órgãos estaduais.

Ajuda Federal
Em busca de apoio contra os piratas no Amazonas, o Sindarma também esteve reunido esta semana com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília, para apresentar a situação de urgência do setor no Amazonas.

Em sua apresentação para entidades de todo o país, Galdino afirmou que este é o pior momento do setor e que além das perdas de vidas e cargas, os ataques são uma séria ameaça para o abastecimento dos municípios do interior do estado.

“Nos rios amazonenses, não se sabe mais quem é polícia e quem é bandido porque muitas vezes eles fazem as abordagens vestidos com uniformes dos órgãos de segurança. Com as agressões físicas e até mortes de tripulantes, em pouco tempo será difícil manter a regularidade no abastecimento de combustível e de alimentos para o interior porque ninguém vai arriscar a própria vida”, alertou Galdino.

A reunião com a CNT resultou em um documento que a entidade nacional irá apresentar aos ministérios dos Transportes, da Justiça e para a direção dos demais órgãos federais do setor, solicitando providências imediatas.

Ainda esta semana, o Sindarma participou de reunião com o comando do 9.º Distrito Naval da Marinha do Brasil, sediado em Manaus.

Na reunião, que contou com a participação dos distribuidores de combustíveis, como o diretor do Instituto Combustível Legal, Carlo Rodrigo Faccio, entidade nacional que combate o comércio irregular do produto, foram debatidas ainda a presença de escoltas armadas nas embarcações que fazem o transporte de produtos e mercadorias.

Como saldo do encontro, os comandantes da Marinha entenderam a necessidade das escoltas armadas e se mostraram solidários e dispostos a apoiar as ações de combate à pirataria no Amazonas. O Sindarma também prestou solidariedade e lamentou a morte do suboficial da Marinha em incidente ocorrido no final do mês passado no interior do estado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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