Sistema de consórcios conquistam mais espaço nos negócios

Em: 27 de fevereiro de 2020
Sistema de consórcio prevê crescimento de 12% em 2020 e mostra potencial para contribuir com o desenvolvimento da economia
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Sistema de consórcio prevê crescimento de 12% em 2020 e mostra potencial para contribuir com o desenvolvimento da economia

Sistema de consórcios fecha 2019 com resultados positivos e projeta crescimento de 12% em 2020. Ano passado os números registraram um recorde de histórico de 2,87 milhões de adesões. Estudos realizados pela assessoria econômica da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) estimam aumento de vendas de novas cotas variando de 7% a 12% para este ano. Segundo a ABAC, os poucos mais mais R$ 300 bilhões em créditos concedidos de 2012 a 2019, confirmaram a significativa contribuição do modelo para o desenvolvimento da economia em todos os elos da cadeia produtiva: indústria, comércio e prestação de serviços.

De acordo com análise da entidade, só em 2018, o modelo teve participação de 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Redução das taxas de juros, inflação abaixo da meta, recuperação dos empregos e o incremento de novos empreendedores, são fatores que motivam um cenário de crescimento. Segundo o presidente executivo, Paulo Roberto Rossi, mesmo com as oscilações político-econômicas vivenciadas no primeiro ano do novo governo e com o saldo advindo de reaquecimento pós-crise. o sistema de consórcio teve um desempenho muito positivo.

“Os ajustes periódicos realizados na taxa básica de juros, por exemplo, provoca duas reações no mercado consumidor. A primeira é o desestímulo dos investidores em aplicações financeiras com baixa rentabilidade. Como consequência, a segunda está nas pessoas que ficam mais propensas a comprar no presente, abdicando do objetivo de poupar para utilizar no futuro. Com o aquecimento do consumo, as empresas deverão produzir mais, trazendo crescimento econômico”, disse.

Segundo a ABAC, o bom resultado alcançado no ano passado, 10,4% acima das adesões de 2018, sinalizam a probabilidade de aceleração em 2020, nos segmentos onde a modalidade está presente. Ao acompanhar as projeções da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) de aproximadamente 9% a 10% na produção e na comercialização de veículos, a presença dos consórcios, incluindo novos e seminovos, poderá alcançar marcas significativas ao longo deste ano.

“Ao registrar recorde de entrada de novos consorciados nos últimos dez anos, as adesões acumuladas de janeiro a dezembro de 2019 atingiram 2,87 milhões, 10,4% maior que os 2,60 milhões do ano anterior. O setor de veículos leves, com automóveis, utilitários e camionetas, e o de motocicletas somaram mais de 2,33 milhões de novas cotas vendidas, representando mais de 80% do volume comercializado”, explica.

“Como, por exemplo, no setor de motos, onde os créditos concedidos, injetados pelas contemplações, corresponderam potencialmente a uma a cada duas unidades vendidas no mercado interno. Ou ainda na indústria automobilística, quando nos veículos leves, que incluem automóveis, utilitários e camionetas, os consórcios tiveram um a cada quatro autos com possível comercialização no país”, complementou.

Na análise do economista Farid Mendonça Júnior, em um período de recuperação econômica num cenário pós crise, o sistema de consórcio (casa, moto ou carro) surge como uma mecanismo muito importante para circular dinheiro na economia e movimentar os diferentes setores da cadeia produtiva. 

“Quando você passa por uma crise econômica tão grave com a qual o Brasil passou, as pessoas procuram mecanismos dentro de sua realidade financeira. É algo que ajuda e mexe com a cadeia produtiva, porque é dinheiro circulando, as pessoas estão pagando por determinado produto. Uma vez que os recursos estão entrando para uma determinada empresa ou sistema, isso movimenta os vários setores da economia. Se existe procura na construção civil, tem que haver mais construção, mais contratações de trabalhadores. Isso acontece da mesma maneira com carros e motos. É um mecanismo importante para ajudar no processo de retomada da economia”, explica.

Segmentos

No maior segmento do Sistema, os automotores, que representam mais de 80% dos atuais participantes ativos, a expectativa é de um aumento entre 7% e 15% na comercialização de novas cotas, de acordo com as características de cada mercado. “Não é fácil fazer projeções, especialmente quando vivenciamos constantes influências internas e externas. Acreditamos em avanços entre 7% e 10%, para veículos leves, em até 20% para veículos pesados, incluindo máquinas e implementos agrícolas para o agronegócio, e de 4% a 7% para motocicletas.”, avalia Rossi.

Segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), em janeiro, as fábricas repassaram para as concessionárias 90.874 motocicletas, correspondendo a uma alta de 11,3% ante as 81.681 unidades registradas no mesmo mês de 2019. Para 2020, a Abraciclo projeta crescimento de 5,7% no atacado, totalizando 1.147.000 unidades. No ano passado, as vendas no atacado somaram 1.084.639 de unidades.

Imóveis

Para os consórcios de imóveis, a performance esperada pelo mecanismo deve acompanhar, em paralelo, a evolução do setor imobiliário no país. Recente estudo feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), encomendado pela  CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), indicou com dados do IBGE, que de 2015 a 2025 o país vai precisar de 14,5 milhões de novas moradias. 

“Entendemos que, com essa necessidade e o aquecimento já observado, o consórcio pode ser a alternativa para muitos, inclusive contribuindo para minimizar o déficit habitacional, podendo atingir de 10% a 14% de alta”, disse o presidente da ABEC.

Em 2019, o mercado imobiliário no Amazonas fechou o ano com um faturamento de R$ 814 milhões em vendas, e registrou um crescimento de 35% em relação a 2018. O otimismo com a economia e a expectativa de bons negócios, foram os principais fatores que animaram os empresários locais. Nesse otimismo, o setor prevê para 2020 um aumento de 23% nas vendas, com uma receita de R$ 1 bilhão. Destaque para o aumento de 77% de vendas dos produtos convencionais, móveis que não recebem subsídio do governo.

“São números a serem comemorados, porque a gente percebe que os números do estoque da cidade começam a ser modificados e novos lançamentos começam a tomar conta do mercado. A confiança do empresário e do consumidor tem aumentado de forma expressiva. As condições dos créditos imobiliários estão boas. Quando se tem inflação baixa e juros baixos ofertado pelos bancos, você cria um ambiente de confiabilidade e encoraja o consumidor a compra um imóvel”, disse o diretor da CII (Comissão da Indústria Imobiliária) da Ademi (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Henrique Medina.

Serviços

Segundo a ABEC, os setores de serviços e de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, que anotaram fortes avanços em 2019, deverão seguir no mesmo ritmo de negócios proporcionando mais opções de uso para o primeiro e mais qualidade de vida no segundo. A perspectiva para ambos poderá superar 20%.

A mudança de comportamento do brasileiro, hoje mais maduro em suas decisões financeiras, está apoiada na sua busca permanente de informações sobre o que pode ser melhor financeiramente com vistas às conquistas pessoais, profissionais ou familiares, valorizando ainda os possíveis investimentos. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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