O fim anunciado dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, programado para ocorrer em 2023, nos impõe buscar soluções que garantam a sobrevivência da economia amazonense, hoje uma das mais vigorosas do Brasil, a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população. A economia pode ser mantida com a diversificação produtiva, o meio ambiente com a industrialização de nossos recursos naturais de forma racional e a qualidade de vida da população pode ser ampliada com mais empregos. Em suma, tudo gira em torno da economia.
Dois setores industriais podem servir para diversificar a produção das empresas locais: os pólos de cosméticos e o de cerâmica. Hoje, o PIM depende basicamente da indústria de duas rodas e da de eletroeletrônicos, concentrando mais de 80% da economia do Estado em Manaus. Cosméticos e cerâmica podem ainda gerar emprego e renda no interior, que carece de atividade econômica e sobrevive no marasmo da produção familiar, sem criar riquezas ou perspectiva de vida.
Somente o pólo de cosméticos já tem prometido R$ 400 milhões e pode revolucionar a economia amazonense ao industrializar nossas essências, como andiroba, copaíba, pau-rosa. Até hoje essas substâncias são extraídas da floresta de forma artesanal, sem qualquer garantia de preço mínimo para o homem do interior, que as extrai, ou mesmo de preservação do meio ambiente, uma vez que essas árvores correm sério risco de extinção.
Muitas pesquisas científicas já comprovaram a eficácia dessas essências, mas o produto continua sendo vendido em bancas como se fosse remédio de curandeiro. Somente o pau-rosa conquistou as vitrines das lojas mais caras do mundo e, mesmo assim, poucas pessoas sabem que ele é o principal fixador do perfume Channel nº 5. Talvez a indústria de perfumaria da França sobreviva sem o pau-rosa, mas essas portentosas árvores estão à beira da extinção, sendo encontradas em poucas reservas florestais, e continuam sendo derrubadas para fornecer matéria-prima essencial que movimenta a milionária indústria de cosméticos mundo a fora.
Com o pólo de cosméticos funcionando no Amazonas será possível agregar valor aos produtos da floresta e movimentar uma cadeia de novas atitudes, como replantar várias outras mudas para cada árvore derrubada. De uma forma ou de outra, a indústria de cosméticos vai ajudar na preservação do meio ambiente, embora possa colocar uma pressão enorme sobre as árvores de valor comercial, que atualmente já enfrentam dificuldades para se reproduzirem devido à extração desenfreada e sem critério.
Já o pólo de cerâmica se anuncia ainda mais promissor porque pode utilizar o gás como fonte energética para queimar o produto, que é o insumo mais caro de todo o processo de fabricação. Hoje, nas olarias, os fornos são alimentados com madeira extraída das florestas próximas, causando enorme impacto ambiental nas áreas onde elas se instalam. Com matriz energética baseada no gás, vislumbra-se a possibilidade de uma indústria limpa, que pode ser implantada nas cidades do interior amazonense por onde passar a linha do gasoduto Coari-Manaus.
Em cidades como Silves, onde a atividade econômica é quase nula e onde também a Petrobras já encontrou e perfurou poços de gás natural, a indústria de cerâmica pode ser assentada e progredir com produtos de enorme valor agregado. Neste município, distante 203 quilômetros de Manaus e com acesso por estrada, foram descobertas enormes jazidas de caulim, a matéria-prima da porcelana. Junta-se os dois, caulim e gás natural, e então se tem a base para uma indústria de produtos finos e boa aceitação no mercado. Esses dois valiosos recursos estão abandonados em Silves, a espera de atitude empreendedora que mude a realidade da cidade e leve desenvolvimento para esta região, sem que seja necessário causar grande impacto ao meio ambiente.
Sobrevivência econômica depende da diversificação industrial
Em: 28 de março de 2008
Somente o pólo de cosméticos já tem prometido R$ 400 milhões e pode revolucionar a economia amazonense ao industrializar nossas essências, como andiroba, copaíba, pau-rosa.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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