Fazendo eco à luta do governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD), em Brasília, em defesa da Zona Franca de Manaus, o líder do Governo na ALEAM (Assembleia Legislativa do Amazonas), deputado estadual Sinésio Campos (PT) anunciou ontem (20) que vai requerer uma Audiência Pública na Casa para ouvir a Suframa a respeito dos projetos desenvolvidos ao longo dos seus 46 anos de existência e o que pode ser feito para o Estado possuir uma indústria de transformação.
Sinésio lembrou que a trajetória da Zona Franca começou tendo o comércio da capital como a grande mola propulsora de sua implantação. Porém, com o desenvolvimento do PIM (Polo Industrial de Manaus) e a abertura do país às importações no Governo Collor, o modelo se concentrou na produção industrial de alta tecnologia. Mas o Amazonas ainda vive na dependência de uma legislação de incentivos fiscais que pode ser mudada a qualquer momento pelo Governo Federal.
“A Suframa tem de vir pra cá para discutir essa questão”, disse Sinésio, referindo-se à falta de alternativas para o modelo industrial de alta tecnologia que, segundo ele, é um dos motivos pelos quais a ZFM fica sempre refém dos incentivos fiscais. “Por isso eu defendo o Polo Naval, porque é algo que vai ordenar o setor e promover o desenvolvimento de uma atividade que é nossa. Nós nascemos às margens da maior bacia hidrográfica do mundo, as nossas estradas são os nossos rios, e o meio de transporte é o fluvial”, argumentou. O deputado diz que o ordenamento da atividade da construção naval do Amazonas, que hoje é a segunda maior do país, vai criar em Manaus o Distrito Industrial III. Mas, conforme o líder governista, a expansão industrial não deve focar somente nisso. “Precisamos ter indústrias que possam utilizar a nossa biodiversidade e a nossa geodiversidade, que possuem imensos potenciais para a geração de novas indústrias”, frisou.
O debate hoje, de acordo com o deputado Sinésio Campos, “é para definir para onde pretendemos levar a indústria do nosso Estado, que rumos queremos para o nosso modelo industrial”. Ele entende que é o momento de pensar em ampliar o Polo Industrial de Manaus, para que se possa ter o Polo Naval, a indústria petroquímica e a cloroquímica e o Centro de Biotecnologia do Amazonas em plena atividade.
“Não quero que entendam que eu sou favorável a acabar com a Zona Franca, mas acho que devemos fazer o nosso dever de casa, construindo novas alternativas econômicas para que o nosso modelo não fique tão dependente de Brasília”, disse o deputado. Sinésio também criticou a atitude de muitos empresários que não se engajam na luta, mas sabem cobrar do governador e da classe política.
Suframa é convocada para debate no Legislativo Estadual
Em: 21 de março de 2013
Sinésio lembrou que a trajetória da Zona Franca começou tendo o comércio da capital como a grande mola propulsora de sua implantação
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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