Suíça investiga ex-gerente da Petrobras

Em: 25 de setembro de 2015

Eduardo Musa admitiu em delação premiada ter recebido propinas em contas na Suíça

O Ministério Público suíço informou que abriu uma investigação criminal contra o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, que admitiu em recente delação premiada no Brasil ter recebido propinas em contas na Suíça. Questionada pela reportagem nesta quinta (24), a Procuradoria-Geral da Suíça informou que, além da investigação, os bens de Musa no país foram “bloqueados” pelas autoridades.
O ex-gerente da Petrobras afirmou, em depoimento de delação premiada, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tinha a palavra final na indicação para a diretoria Internacional da estatal. Um dos responsáveis por indicar nomes à diretoria seria o lobista João Augusto Rezende Henriques, preso na segunda (21). A defesa do deputado Eduardo Cunha disse não ter tido acesso ao depoimento de Musa e, por isso, não quis se manifestar. Em depoimento em julho, Henriques negou relações com o PMDB e disse nunca ter intermediado propina.
Engenheiro e gerente da área internacional da Petrobras entre 2006 e 2009, Musa entregou às autoridades brasileiras, em acordo de delação celebrado em agosto, informações sobre depósitos feitos em contas na Suíça por meio de offshores. Ele contou que ainda tinha pelo menos US$ 2,5 milhões depositados em uma conta no banco Cramer, sediado na Suíça.
Musa afirmou que, no esquema, usou os bancos Credit Suisse, Cramer e Julius Bar. Diz ter recebido recursos do esquema de corrupção na Petrobras ligado a contratos de navios-sonda e navios-plataforma. No acordo assinado em agosto, ele se comprometeu a repatriar US$ 3,2 milhões e recolher R$ 4 milhões à Justiça brasileira.
A procuradoria suíça já havia congelado US$ 400 milhões oriundos do esquema de corrupção na Petrobras e tem repatriado este ano recursos ao Brasil após acordo de cooperação com as autoridades brasileiras.
Eduardo Musa é réu, ao lado de outras pessoas (incluindo o ex-diretor Jorge Zelada), em uma ação do Ministério Público Federal no Brasil sob acusação de ter ficado com parte de uma propina de US$ 31 milhões, ligada à contratação de um navio-sonda Titanium Explorer pela estatal.

Provas na PGR
O ex-sócio do doleiro Alberto Youssef, Leonardo Meirelles afirmou nesta quinta-feira (24) à CPI da Petrobras que entregou provas à Procuradoria-Geral da República sobre a operação de transferência de recursos destinados a pagar propina ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Segundo a denúncia da PGR feita contra Cunha, o lobista Júlio Camargo transferiu recursos a empresas de Meirelles no exterior que, posteriormente, foram entregues em espécie ao doleiro Alberto Youssef para que fossem levados a Cunha.
Questionado sobre esse assunto pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP) durante depoimento à CPI, Meirelles afirmou que não poderia dar detalhes porque está negociando um acordo de delação premiada que inclui essas informações. O acordo ainda não foi assinado.
“Todas as informações pertinentes a todas as questões já foram entregues no juízo e estão fazendo parte de um acordo que está sendo feito [na PGR]”, afirmou.
Também questionado, disse não conhecer Júlio Camargo e que só conheceu o lobista Fernando Baiano, apontado como intermediador da propina para Cunha, “de vista”.
Meirelles chegou a viajar para a China levantar informações de contas bancárias que mantinha naquele país para entregar aos procuradores.
Em sua delação, Júlio Camargo disse que pagou US$ 5 milhões em propina para Cunha, por um contrato na diretoria Internacional da Petrobras. Outro delator, o ex-gerente Eduardo Musa, também afirmou que Cunha tinha a última palavra em indicação para a diretoria.
Cunha nega o recebimento de propina e aponta que a PGR forçou Camargo a mudar seu depoimento para incriminá-lo.

Laboratório
Meirelles se tornou sócio de Youssef no laboratório Labogen, que tentou produzir medicamentos em parceria com o Ministério da Saúde mas a parceria foi suspensa depois da deflagração da Operação Lava Jato. Ele relatou que Youssef o procurou para que, por meio de suas empresas, auxiliasse na lavagem de recursos ilícitos do doleiro. Isso porque houve suspeitas de que o então deputado André Vargas (sem partido-PR), à época do PT, tenha usado influência junto ao ministério para conseguir a assinatura do acordo. Vargas, que era vice-presidente da Câmara, atualmente se encontra preso em consequência da Lava Jato. “Todas as reuniões que eu tive para tratar da Labogen foram aqui na Casa, no gabinete da vice-presidência”, afirmou Meirelles. À CPI, Meirelles ainda indicou ter entregue aos investigadores evidências de que seu ex-sócio Youssef mantém patrimônio em sociedades com empresas no exterior que foram ocultados das autoridades brasileiras no acordo de colaboração firmado pelo doleiro. Meirelles havia dito isso em entrevista em fevereiro. “As informações que foram prestadas já estão com a Justiça e está sendo dada a devida apuração”, afirmou à CPI.
Ele disse ainda ter movimentado cerca de US$ 120 milhões no esquema de lavagem, junto ao doleiro Youssef. Nos autos de um processo, a defesa de Youssef já criticou as acusações de Meirelles e disse que ele é “mentiroso”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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