Tarifa sobre álcool de cana pode acabar

Em: 5 de julho de 2008
Um relatório do Bird obtido pelo jornal britânico “The Guardian” diz que os biocombustíveis aumentaram em 75% os preços dos alimentos no mundo.
Um relatório do Bird obtido pelo jornal britânico “The Guardian” diz que os biocombustíveis aumentaram em 75% os preços dos alimentos no mundo.

Em meio a uma campanha da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) para promover o álcool de cana brasileiro nos Estados Unidos, um grupo de empresas do setor de alimentos pede a redução da tarifa sobre o produto no país.
Entre as companhias que querem o fim da tarifa de US$ 0.54 por galão de álcool, estão Coca-Cola, Pepsico e Tyson Foods.
O grupo argumentou, em nota, que a isenção “vai beneficiar os norte-americanos por introduzir concorrência a um produto que tem grande demanda, além de reduzir a pressão sobre o álcool feito de milho e os estoques do grão”. Eles também acreditam que a liberação da taxa sobre o álcool de cana reduziria os preços do milho.
Para o grupo, a lei agrícola aprovada recentemente, que determina a tarifa, eleva a competição por álcool de milho, levando a uma “imprevisível e severa inflação de alimentos”.
A campanha da Unica, voltada aos consumidores de gasolina da Flórida e Califórnia, usa o mesmo mote, ligando a tarifa à alta dos preços do milho, do álcool e da gasolina.
Especialistas como Joe Petrowski, executivo-chefe da petrolífera Gulf Oil, acreditam que a medida surtiria efeitos. “Estamos em uma crise energética séria, e retirar a tarifa do álcool brasileiro seria um primeiro passo importante”.

Relatório escondido

Um relatório do Bird (Banco Mundial) obtido pelo jornal britânico “The Guardian” diz que os biocombustíveis aumentaram em 75% os preços dos alimentos no mundo.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o relatório não foi publicado para evitar uma saia justa entre o Bird e o governo dos EUA.
O presidente George W. Bush é um dos principais incentivadores do uso do álcool, e os EUA são um dos maiores financiadores do Bird. O estudo diz que a alta da renda nos países em desenvolvimento não levou a grandes aumentos no consumo global de grãos nem foi importante na elevação dos preços. A Comissão Européia anunciou na quinta-feira que vai propor a utilização de até 1 bilhão de euros (US$ 1.57 bilhão) de fundos excedentes da PAC (Política Agrícola Comum) para apoiar a produção de agrícola dos países pobres mais afetado pela crise dos alimentos.
“A agricultura, na ajuda ao desenvolvimento, tem sido uma prioridade secundária há mais de 20 anos. Devemos recuperar o tempo perdido”, declarou a comissária européia da Agricultura, Mariann Fischer Boel, durante a conferência ‘Quem vai alimentar o mundo?” organizada em Bruxelas. A comissária não quis detalhar o total desses fundos, apesar de uma fonte européia indicar que a soma citada.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar