Depois da alta verificada no mês anterior, a taxa de rotatividade média de empregos com carteira assinada no Amazonas sofreu refluxo entre julho e agosto, passando de 3,98 para 3,72 pontos. O recuo veio acompanhado pelo retorno do Estado à primeira posição do ranking nacional, com a menor pontuação entre todas as unidades federativas brasileiras.
A taxa amazonense ficou bem abaixo da média nacional (4,78 p.p.) e da região Norte (4,86 p.p.), que também decaíram no período. A maior taxa brasileira veio do Mato Grosso (6,46 p.p.), enquanto o Tocantins (6,19 p.p.) apresentou o maior número entre os nove Estados nortistas.
As informações foram extraídas da base de dados mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Quanto maior a pontuação na sondagem, maior a incidência de substituição de mão de obra e menor o tempo de permanência do trabalhador na vaga celetista.
Entre os setores econômicos do Amazonas, as menores taxas ficaram na indústria extrativa (1,03 p.p.) e na administração pública (1,21 p.p.). Ambas registraram incremento no saldo de empregos entre julho e agosto, conforme a mesma base de dados – +0,72% +0,02% respectivamente –, mas apenas a primeira segurou o acumulado no azul (+3,07%).
A indústria de transformação (2,57 p.p.) registrou a quarta menor taxa de reposição de mão de obra no Estado, sendo precedida pelos serviços industriais de utilidade pública (2,20 p.p.). Dos 12 segmentos industriais listados pelo Caged, apenas metade cresceu em todas as comparações. O subsetor de material de transporte teve os melhores saldos em relação a julho (187) e no acumulado do ano (1.292), mas ficou atrás do segmento mecânico (1.027) na medida dos 12 meses.
Agropecuária (3,05 p.p.) e serviços (3,75 p.p.) vieram na sequência. A primeira elevou em 1,23% seu saldo de empregos na variação mensal, mas segue negativa nos acumulados. O segundo registrou o maior saldo de vagas em relação a julho (891 e +0,42%), tendo registrado aumentos também no ano (+2,24%) e em 12 meses (2,89%).
Formação de lideranças
A diretora Relacionamento da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos – Amazonas), Ilma Marques, considera que, embora comparativamente baixa, a taxa de turn over do Amazonas ainda está “acima do desejável”, que estaria abaixo dos 2 pontos percentuais.
Para a dirigente, o rescaldo da crise e o fato de boa parte dos trabalhadores jovens não quer ficar muito tempo em uma mesma empresa e preferir atuar em startups contribuem para o resultado. Ilma Marques acrescenta que a indústria conta com o diferencial de dispor de programas de formação de lideranças, o que não pode ser dito dos demais setores. Salienta ainda que boa parte dos demissionários do PIM vem encontrando novas oportunidades em comércio e serviços, que são mais exigentes quanto à competitividade para geração de resultados.
Custos e informalidade
Com taxas inferiores às de julho, comércio (5,08 p.p.) e construção civil (6,13 p.p.) foram os setores econômicos com maior turn over no Amazonas pelo segundo mês seguido. Ambos comemoraram números positivos na geração de empregos entre julho e agosto, com altas respectivas de 0,31% e 1,56% sobre os estoques do mês anterior.
Como ocorrido em meses recentes, o comércio empregou mais nas comparações mensal (+0,31%) e em 12 meses (+2,62%), com a criação de 301 e 2.475 postos de trabalho, respectivamente. Mas seguiu devendo no acumulado (-317 vagas e -0,33%). Mais uma vez, o impacto negativo veio exclusivamente no varejo.
Segundo o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, boa parte das admissões no país vem da informalidade, em função do custo da geração de empregos, que permanece elevado, apesar da Reforma Trabalhista. “Um dos maiores é o passivo trabalhista O empresário ainda é obrigado a entregar boa parte do valor da remuneração sobre o trabalho ao governo”, reforçou.
Recuperação lenta
A construção civil foi o setor econômico do Amazonas que registrou a maior variação positiva em todas as comparações de períodos, conforme base de dados do Caged: 1,56% entre julho e agosto (+330 vagas), 12,77% de janeiro a agosto (+2.447), e 9,29% em 12 meses (+1.838).
Em depoimentos anteriores, o diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, reforçou que a alta rotatividade é característica do setor, em função da não especialização da mão de obra e dos contratos de trabalho. Conforme o dirigente, o setor vem se recuperando gradualmente e trabalha atualmente com 55% do contingente de 2011 – período de boom para a construção civil.







