As vendas de motocicletas no Amazonas aceleraram neste ano e estão com índices de crescimento superiores às de veículos de quatro rodas. Os números ainda são puxados por particulares em busca de melhor mobilidade urbana, mas a demanda de motoboys e mototaxistas é crescente. E, diferente do esperado, a expansão é mais forte no interior do que na capital.
As concessionárias amazonenses venderam 1.856 motos em agosto, 6,79% a mais do que em julho e 17,17% sobre o mesmo mês de 2018. No acumulado, o volume comercializado subiu ainda mais (+22,37%) e chegou a 13.015. Os dados são da Fenabrave.
Para efeito de comparação, o total de veículos de duas e quatro rodas comercializados no Estado no mesmo mês (5.199) ficou 7,15% acima do de julho de 2019 e 8,20% maior do que o de agosto de 2018. A expansão acumulada em oito meses foi de 14,08% (35.407 unidades).
Com 1.104 motos vendidas no mesmo mês, a capital responde por 59,48% das vendas do Amazonas, número 5,54% superior ao registrado em julho deste ano e em agosto de 2018 (ambos com 1.046 unidades). No acumulado, as vendas subiram para 7.913 (2019), um incremento de 17,65%.
O aquecimento no motor do varejo lubrifica a produção industrial do PIM. A Abraciclo informa que as montadoras de Manaus entregaram 114.738 unidades em agosto, 8,9% a mais do que no mesmo mês de 2018 (105.339) e 25,1% superior a julho (91.713). Em oito meses, saíram 743.556 motos do Polo, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado (697.092).
Crédito e mobilidade
“A pessoa que não podia comprar uma moto há um ano, tem hoje mais acesso ao crédito, com a redução dos juros e maior facilidade de aprovação nos bancos. Quem compra geralmente é a pessoa que não quer mais depender de transporte público ou que está trocando o carro pela motocicleta”, avaliou o gerente comercial da Brasil Cometa, Juliano Silva.
As vendas da unidade local da empresa subiram 7% em agosto, mas vêm girando em torno dos 10% nos meses de 2019 – após os aumentos médios de 30% nos dois anos anteriores. Segundo Silva, o número está dentro do esperado e o mercado ainda está longe da saturação. “O mercado ainda tem muita lenha para queimar. Só não crescemos mais porque faltou produto para atender a demanda”, garantiu.
Na mesma linha, o gerente geral da Manaus Motocenter, Jose Evanilson, concorda que as vendas de motos no Amazonas estão crescendo com uma boa ajuda dos mototaxistas e motoboys, pela renovação de frota, mas não atribui o resultado a um segmento específico.
“A maior procura ainda é das pessoas físicas. As taxas de juros caíram e os bancos abriram mais o crédito. Nossa empresa cresceu em torno de 16% no acumulado e as vendas vêm tendo um bom desempenho em setembro. Não sentimos vejo possibilidade de caíram tão cedo”, afiançou.
O perfil típico do cliente da Brasil Cometa e da Manaus Moto Center é o trabalhador da indústria e do comércio ou o autônomo, da classe C – mas há fatias das classes B e E também. Mais de 50% das vendas são feitas por CDC, via Banco Honda e mais quatro instituições privadas. Consórcios são 25% do bolo, e vendas à vista e no cartão de crédito respondem pela fatia restante.
“Válvula de escape” para a falta de emprego
O assessor jurídico da Sindmoto (Sindicato dos Profissionais Mototaxistas de Manaus), Ricardo Castro, avalia que a procura pela profissão é crescente em Manaus e impacta no mercado das concessionárias de motos. Para ele, o segmento é visto como uma “válvula de escape” por aqueles que não conseguem emprego, principalmente os que tem mais de 30 anos de idade.
“E há muitas vantagens. Se você trabalhar de segunda a sexta, ganhando R$ 100 por dia, acaba recebendo o dobro do que se estivesse no Distrito. Por isso, a procura vem aumentando e refletindo nas compras de veículos novos. Em janeiro pelo menos 200 dos nossos 2.900 associados trocaram de moto”, reforçou.
Segundo Castro, a própria legislação para a categoria garante demanda pela renovação da frota, já que o veículo do profissional não pode ter mais de três anos no momento do cadastro junto à SMTU (Secretaria Municipal de Transportes Urbanos) e tem limite de oito anos de vida útil na praça.
O assessor jurídico da Sindmoto acrescenta que há apenas duas linhas de financiamento disponíveis para o profissional em Manaus. Uma delas é a carta de crédito da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), que oferece condições melhores, mas é mais burocrático e depende da participação do profissional em licitações.
“A maioria procura consórcios e vai pagando enquanto trabalha, em 36 a 48 meses. O financiamento acaba sendo pesado e um veículo de R$ 12 mil, por exemplo, acaba saindo a R$ 22 mil no fim do contrato. Mas é a única alternativa para a maioria, que já está com o nome sujo na praça, por causa de dívidas anteriores e da crise. Se não for de jeito, só à vista”, encerrou.






