Terceirizações seguram empregos

Em: 19 de outubro de 2014
Setor de serviços contratou quase 4 mil , principalmente em sistema terceirizado
Setor de serviços contratou quase 4 mil , principalmente em sistema terceirizado

A terceirização foi a grande responsável pela manutenção dos empregos no setor de serviços ao longo de todo o ano de 2014: a avaliação é do vice-presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços, Turismo do Amazonas), Aderson Frota. Ele explica que, com a crise nos setores da indústria e do comércio, a terceirização é a saída mais rápida para a contenção de despesas e encargos por parte dos empresários.
Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes ao mês de setembro, divulgados na última quarta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), enquanto indústria e comércio apresentaram de janeiro a setembro deste ano saldo negativo na geração de empregos (-3.859 e -7 empregos, respectivamente), o setor de serviços apresentou a abertura de quase 4 mil novos postos de trabalho.
“Apenas o setor de serviços continua empregando, por força desses aspectos. O primeiro caminho para a contenção de custos é a parceria, ou seja, terceirização. Ao invés de contratar funcionários as empresas passam a contratar empresas prestadoras de serviço”, explica.
Os serviços de segurança, de alimentação, de manutenção e jardinagem são alguns cujas empresas, principalmente as indústrias do Polo Industrial de Manaus, substituem a contratação de funcionários efetivos pela contratação de prestadores de serviços terceirizados. Na opinião de Aderson, as vantagens desse tipo de negócio são a redução dos custos com encargos sociais e folha de pagamento.
“Uma indústria do Distrito Industrial já não tem mais a segurança, cozinha, manutenção e conservação na sua folha. Os custos da própria folha de pagamento têm conduzido o processo para a formalização de terceirização. O empresário se livra das despesas administrativas e encargos sociais que a folha de pagamento impõe de forma onerosa”, avalia o vice-presidente da Fecomercio/AM.
Outro aspecto positivo deste tipo de contratação, segundo Aderson Frota, é a diminuição da bitributação, ou seja, o empresário deixa de comprar material para contratar determinado serviço –e por isso acaba pagando dois impostos.
“Com a terceirização a empresa contratada se compromete em fornecer material e mão de obra e com isso se tem uma sensível redução na tributação”.

Construção Civil
Ao contrário dos setores da indústria e comércio que vivem momentos de crise, a construção civil também foi responsável pela geração de empregos nos serviços. Aderson Frota explica que o momento de estabilidade no setor imobiliário garante um crescimento na contratação de mão de obra terceirizada. “Hoje as construtoras não assumem determinados serviços como fundações, elaboração de formas para concreto, tubulação elétrica e hidráulica e pintura. Todos esses serviços são hoje terceirizados”, disse.

Números
Segundo dados do Caged do mês de setembro, nos nove primeiros meses deste ano, enquanto os setores da indústria e comércio amargaram, respectivamente, quedas de 2,71% e 0,01% em relação ao mesmo período de 2013, o setor de serviços apresentou desempenho positivo em 2,23%, com saldo positivo de 3.939 novos postos no mesmo período. Para efeito de comparação, de janeiro a setembro de 2014 a indústria fechou 3.859 vagas.
Mesmo com o bom momento do setor, o esfriamento da economia brasileira de modo geral, aliado às dificuldades típicas de um ano eleitoral, derrubou também as expectativas para o fechamento do ano dos serviços. Para Aderson Frota, a esperança é que comércio, com as compras de fim de ano, acabe por alavancar o desempenho de toda a economia, e assim incrementar também os números nos serviços.
“Temos agora os três melhores meses do ano. Esperamos que a atividade comercial responda com algum crescimento. Nós não vamos chegar ao patamar que havíamos projetado, que era um crescimento acima de 7,5%. Se crescermos entre 3,5% e 5% já será motivo para ficarmos satisfeitos. Todo ano eleitoral a economia tem soluços, o Estado não pode fazer certos investimentos e pagamentos. Isso acaba engessando a economia”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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