Petrobras atrasa relatório de silvinita

Em: 19 de outubro de 2014
Petroleira é detentora do direito de lavra da jazida de silvinita de Nova Olinda do Norte
Petroleira é detentora do direito de lavra da jazida de silvinita de Nova Olinda do Norte

Detentora do uso de exploração da jazida de silvinita, localizada no município de Nova Olinda do Norte (distante 135 quilômetros de Manaus), a Petrobras, está em atraso quanto a entrega do estudo de viabilidade econômica da área de mineração ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). A questão será levantada pelo CEGEO/AM (Conselho Estadual de Geodiversidade) em reunião a ser agendada após o período eleitoral.
O secretário de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, Daniel Nava, explica que uma empresa ou autarquia ao tomar posse da autorização para a extração mineral de uma área precisa por em prática seus projetos exploradores. O que não aconteceu, no caso da Petrobras. Ele lembra que desde 2007, período em que a autarquia cancelou o contrato licitatório com a empresa Potássio do Brasil, a área da jazida permaneceu intacta, sem o desenvolvimento de projetos produtivos.
Segundo Nava, o Código de Mineração define que as áreas concedidas para a extração quando não trabalhadas, devem ser devolvidas à União. No caso, a área de Nova Olinda do Norte, segundo ele, deve voltar à posse do governo. Porém, essa cobrança é de responsabilidade do DNPM. “Se a Petrobras não desenvolveu pesquisas e não apresentou estudos relativos às áreas ou mesmo extrações, deve devolver a concessão à União”, disse.
Nava ainda disse que o CEGEO/AM aguarda um posicionamento do DNPM e que o conselho não deve, neste momento interferir no processo de cobrança, mas que até o final do ano deve discutir o tema entre a pauta a ser apresentada na reunião. “Aguardamos um posicionamento ativo do DNPM. Caso não seja resolvido vamos elaborar uma ação estratégica. As reservas de sais precisam de produção. Queremos que o direito de extração seja disponibilizado a outras empresas para a implementação de projetos”.
O secretário não soube informar qual o prazo máximo para a entrega do relatório por parte da Petrobrás. “Essas informações estão sob a responsabilidade do DNPM”, frisou.
De acordo com o secretário, hoje o Brasil importa mais de 8 milhões de toneladas de potássio, o que corresponde a 92% do minério utilizado no país. Ele informa que para se tornar autossustentável e conseguir atender ao país, o Amazonas precisaria ter pelo menos cinco minas em funcionamento. “A primeira mina de Autazes atende entre 15% a 20% da demanda nacional. Mais quatro ou cinco minas atenderiam ao Brasil em extração de potássio”, garante. “Outro detalhe é que a produção local ocasionaria o abatimento de pelo menos US$ 200 no preço da tonelada do minério”, completa.
Os principais fornecedores de potássio são os países do Canadá, Rússia, Alemanha e Israel.
Nava disse que a área da jazida concedida à Petrobras, em Nova Olinda do Norte, somada à mineração localizada no município de Autazes deve alcançar dois bilhões de toneladas. Até setembro deste ano o valor do cloreto de potássio custava US$ 288,35.
A reserva de Nova Olinda do Norte compreende o trecho do rio Madeira alcançando os municípios de Borba e Autazes até o limite do Estado do Pará, no baixo Amazonas. No total, são 400 quilômetros de área em linha reta.
A reportagem tentou contato com a Petrobrás e com a superintendência regional do DNPM, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

Concessão
O secretário de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, Daniel Nava, explica que nos anos de 2007 a Petrobras realizou a primeira tentativa de licitação, porém, nenhuma mineradora enviou proposta de negociação, o que resultou em uma licitação deserta. Após um ano, a autarquia promoveu novo processo, ocasião em que duas empresas apresentaram propostas acima do preço mínimo que era da ordem de R$ 94milhões. O vencedor do processo foi a Potássio do Brasil que apresentou o investimento de R$ 60milhões. “Após a assinatura do contrato a Petrobrás desistiu do acordo e afirmou que iria apresentar um estudo de viabilidade econômica da área”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar