Estreante na política, o deputado estadual Thiago Abrahim (UB) se destaca em projetos apresentados na Assembleia Legislativa, sempre voltados para necessidades essenciais da população do Amazonas. Com apenas 30 anos de idade, foi eleito com mais de 30 mil votos nas últimas eleições majoritárias, uma votação tão expressiva que superou suas expectativas, abrindo caminhos para pôr em práticas suas bandeiras de luta, focadas principalmente na vida do caboclo ribeirinho, hoje tão isolado da presença do poder público, como avalia.
Thiago Abrahim descende de pais e avós políticos. Seu pai foi prefeito de Itacoatiara. Desde cedo, vivenciou as peculiaridades de uma atividade representativa do povo, trazendo no DNA que se configuraria, mais tarde, no seu primeiro mandato parlamentar, assumindo com muita responsabilidade a confiança que o eleitor depositou em sua atuação.
Em pouco mais de seis meses na Assembleia, conseguiu a aprovação de projetos que tiveram grande ressonância na região, entre eles o desconto progressivo no pagamento do IPVA para bons condutores. E ainda a concessão de licença de cinco dias consecutivos no mês para servidoras com problemas graves no ciclo menstrual. Também a confecção de boletos em Braile para deficientes visuais, uma forma de aumentar ainda mais a inclusão desses atores sociais.
São apenas algumas propostas da lista de outras tantas que aumentam o leque de benefícios concedidos aos amazonenses, segundo ele. Natural do interior do Estado, o deputado conhece a fundo os problemas dos municípios. Para ele, precisa oferecer melhores condições à população ribeirinha, gerar empregos e renda, evitando o êxodo rural para Manaus, inchando a capital, agravando bolsões de miséria, deficit habitacional e ocupação irregular de terras.
“Temos que dar oportunidades para a população do interior. Os municípios vivem com o pires nas mãos em busca de recursos. Falta maior disposição ao poder público para se fazer presente nas cidades, crucial para espraiar os benefícios, amenizando os impactos da falta de atividades. Precisamos suprir as necessidades do povo”, analisa o deputado estadual.
Outro projeto de Thiago Abrahim criou novas alternativas para o enfrentamento das enchentes, fenômeno recorrente que causa grandes transtornos no Estado. Parte de toda madeira ilegal apreendida será destinada para a construção de marombas, pontes e passarelas quando as cidades estiverem inundadas por conta das cheias a cada ano. Praticamente, as prefeituras arcam com essas despesas logísticas, dificultando mais ainda a gestão dos municípios
O deputado Thiago Abrahim participou do podcast ‘JC às 15h’ do streaming JCAM, comandado pelo jornalista Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio – Como deputado estreante, como foi a sua inserção na política?
Thiago Abrahim – É o meu primeiro mandato, tenho 30 anos, sou advogado de formação, venho do interior, mais precisamente de Itacoatiara, onde aprendi a política com meus pais e meus avós. Sempre tive um sonho, vontade de trabalhar, dar minha parcela de contribuição para a população amazonense, sobretudo do povo do interior, que tem vida mais difícil, vida mais complicada do que quem mora na capital.
Me aprofundei no direito, fiz especialização em direito público e contratos. Nessa área, procurei trabalhar no Tribunal de Contas do Estado, estive também na Secretaria de Esportes, atuei em Coari, sempre observando as atividades.
Acompanhei meu pai como prefeito do município de Itacoatiara. Hoje no parlamento, como deputado municipalista, a gente procura levar projetos, apresentar algo que possa melhorar a vida da população e levar mais desenvolvimento para o interior.
JC – Quando aconteceu essa vontade de entrar na política partidária? Já era uma coisa presente….?
TA – Sim, desde pequeno eu via meus pais envolvidos, minha avó era vereadora de Itacoatiara, e sempre gostei de participar, de ter a oportunidade de ser presidente de partido, sempre tive vontade.
A primeira eleição nas urnas veio acontecer no ano de 2022, e obtivemos êxito, com uma votação expressiva. Saímos com 31.731 votos, que vieram de Itacoatiara, Nhamundá, e de outros municípios que fazem parte dessa calha.
Meu pai sempre dizia que, se você quer ser político, tem que saber primeiro seus direitos e depois os direitos da população. Tenho também uma queda por exatas, ele sempre me orientou, agora está dando certo, graças a Deus.
Agora, a minha grande meta é fazer um mandato em que eu possa retribuir toda essa votação, essa confiança que em mim foi depositada.
JC – Como parlamentar, o que espera proporcionar aos municípios do interior do Estado?
TA – Sobretudo levar desenvolvimento e oportunidades ao interior do Estado. O interior tem uma vida muito mais difícil do que quem vive na capital. Se precisa de cirurgia, fazer curso de medicina, direito, tem que vir à capital, o emprego é mais difícil.
Precisamos trabalhar o desenvolvimento regional, levar oportunidades. Hoje, sou presidente da Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional. Então, a gente precisa trabalhar para fortalecer esse desenvolvimento e ver as potencialidades dos municípios.
Itacoatiara é um município portuário, outros trabalham agricultura e pecuária. Hoje, 70% do que é consumido em Manaus vem de fora. E, aqui, o exemplo é o peixe. Temos um Estado rico, que tem uma das maiores bacias hidrográficas, e não temos produção de peixes, o tambaqui vem de Roraima e Rondônia.
Temos barcos trazendo batatas, hortaliças do Pará, e o nosso Estado não está produzindo. Precisamos trazer isso, dar condições para o desenvolvimento. Mas só vai ficar no interior quem tiver condições de sustentar a família. Senão acaba acontecendo o êxodo, vem a violência, incha a capital. Temos que dar oportunidades e fortalecer as prefeituras dos municípios.
Hoje, 80% do serviço público que a população exige é de responsabilidade das prefeituras, com exceção da segurança. Os municípios vivem com o pires nas mãos, isso tudo prejudica o nosso interior.
Como parlamentares, devemos buscar desenvolvimento, gerar empregos e oportunidades. O emprego vai garantir dinheiro no bolso do trabalhador.
Levar desenvolvimento, logicamente sem esquecer da Zona Franca de Manaus. Necessário incentivar mais e qualificar a mão de obra. Muitos amazonenses não conseguem chegar em cargos de direção porque falta qualidade de mão de obra. Não sou um cara bairrista, defendo o meu Estado.
JC – O sr. falou que é um municipalista. Há muito tempo, vemos falar na Assembleia Legislativa a proposta de aumentar o número de municípios no Amazonas. Como vê essa iniciativa?
TA – Não concordo por conta dessa situação. Há municípios que não têm condições de se manter. Vamos gerar ônus a cidades que têm 4 mil ou 5 mil habitantes. O que entrar não vai bancar as despesas. E não vai conseguir gerar investimentos. Acho que, atualmente, não é necessário para o nosso Estado.
JC –Temos municípios com o tamanho de um Estado. E, muitas vezes, a prefeitura não consegue dar conta dessas dimensões. Como podemos diminuir tantas dificuldades?
TA – Precisamos avaliar a questão territorial. Tem município que não é atendido por Manaus, é atendido por Rio Branco, Acre, como Humaitá, que tem auxílio de Porto Velho. O governo do Estado precisa se fazer presente com políticas públicas, são municípios que não têm condições financeiras.
Existe ainda uma ausência muito grande do poder público. Tem ainda muita comunidade sem energia elétrica, algo que no século 21 não deveria mais existir.
JC – A Assembleia aprovou seu projeto que garante descontos de forma automática no pagamento do IPVA aos bons condutores. É uma excelente notícia para quem tem zero ponto na carteira. A ideia é facilitar a vida do contribuinte?
TA – A gente trabalha por todos. E um dos nossos projetos é a desburocratização, facilitar cada vez mais a vida do cidadão. É um projeto de 2014, se não me engano do Chico Preto. Antes, tinha que solicitar o desconto, precisava fazer requerimento, pagar uma taxa, e ficar aguardando tempo para ter direito.
JC – A maioria acabava desistindo no meio do caminho….
TA – De 100 pessoas, só três conseguiam o desconto. E nós fizemos uma adequação na legislação. A primeira coisa quando a gente vai pagar o IPVA, o que se vê é em relação às multas.
O desconto é progressivo. Então, se você não pegar multa no primeiro ano, tem 10% de desconto, no segundo 15% e no terceiro 20%. É uma garantia a mais para a população colocar dentro de casa.
JC – Dentre outros projetos, um mexe com o setor de comida fora do lar, falando dos cardápios que não podem ser exclusivos de forma digital. Qual a ideia da proposta?
TA – Primeiro, aquele cardápio não é fácil de acessar. Nossa principal ideia é garantir acessibilidade. Muita gente não tem internet, smartphone, os idosos têm dificuldade.
Queremos garantir acessibilidade, não gerar ônus para o empreendedor, mas é importante garantir o direito aos consumidores, o que não está acontecendo.
Muita gente tem dificuldades para acessar o cardápio. Precisa garantir que as pessoas tenham uma interação melhor. Precisa ter um cardápio físico.
JC – Há uma crítica de empreendedores questionando a atuação legislativa que gera despesas, burocratiza as atividades. Como analisa essa questão?
TA – Concordo, mas é uma forma do empreendedor garantir opções ao cliente. Fui a um restaurante, estava com o celular descarregado, e não tinha como fazer meu pedido, até mesmo para saber o preço, os garçons também não sabiam de cor.
JC – É transparência….
TA – Sim, a gente não pode jamais criar um projeto que vai gerar custos, mas queremos facilitar a vida da população, já que o cardápio pode trazer um melhor retorno para os empreendedores.
JC – Outro projeto concede licença de até cinco dias consecutivos no mês a servidoras que comprovem sintomas graves associados ao fluxo menstrual. É só para o serviço público?
TA – É só voltado para servidoras públicas. Existem muitos casos de mulheres que têm problemas menstruais, com dores, sangramento excessivo, mas tudo isso tem que vir com laudos médicos, e o caso tem que ser reavaliado a cada período.
É um problema que tem atingido mulheres, sobretudo a endometriose, pessoas que não conseguem levantar com tanta dor.
JC – Há muita iniciativa de mulheres no parlamento em defesa do público feminino. Não causa ciúmes o fato de um deputado fazer essa proposta?
TA – No Parlamento, graças a Deus, temos uma boa convivência, respeito mútuo entre todos, sobretudo pelas mulheres. Pela primeira vez na história, são cinco deputadas. Tem uma representatividade grande, cada uma tem uma causa especial.
Mas são todas extremamente preparadas. Elas respeitam, sabem que estamos ali para ajudar, para trazer mais melhorias. Não existe essa vaidade.
JC – Percebemos um grande número de projetos em seu primeiro mandato, que beneficiam a população. Outro propõe a destinação de parte das madeiras apreendidas para construção de marombas durante as cheias dos rios. Em geral, a conta sempre impacta nas finanças das prefeituras, que já têm tantos encargos para cumprir….
TA – É um fenômeno recorrente. Mas existem casos que estão fora da previsão. Isso traz um transtorno enorme. A maioria dos municípios nasceu às margens dos rios. Com esse projeto, buscamos aproveitar essa madeira apreendida, lá não tem mais como voltar para as florestas, mas pode servir para construir marombas, pontes, passarelas, para garantir o acesso.
JC – No Amazonas, temos a questão da BR-319, que já é uma grande novela. Como vê essa polêmica, é favorável que seja recuperada a estrada?
TA – Sim, é essencial trabalhar essa logística para integrar o Amazonas ao resto do país. Defendo também que deve haver uma fiscalização mais rígida sobre a questão ambiental para combater a exploração irregular das florestas, o desmatamento.
Mas não se pode, por conta disso, deixar de trazer desenvolvimento econômico para o nosso Estado.
JC – Agora, o deputado Thiago Abrahim, nesses seis meses do primeiro mandato, como encara hoje a vida com a sua capacidade executiva enquanto político dentro do parlamento? Correspondeu à realidade ou precisa melhorar?
TA – A maior surpresa é a demora na tramitação, a gente quer que as coisas andem mais rápido, sejam mais céleres. Graças a Deus, nossos projetos têm caminhado, a gente não consegue nada sozinho, precisa convencer que trarão benefícios à população.
Graças a Deus, estamos conseguindo isso. É necessário que a gente aprenda, que a gente deixe a nossa contribuição, o nosso legado. A população espera que o político resolva os problemas.
Temos um benefício muito grande que são as nossas emendas, que ajudam a fazer indicações nos orçamentos. Como deputados, temos que estar sempre presentes fazendo isso.
JC – Vimos Manaus ser incluída nos roteiros dos EUA como lugar a ser visitado, de interesse turístico por apelo da nossa culinária. Por outro lado, esse atrativo, o peixe, não é nosso. O tambaqui vem de fora. Há caminhos para solucionar essa questão, produzindo tambaqui, o carro-chefe da gastronomia regional?
TA – Manaus é uma cidade maravilhosa que atrai turistas o ano inteiro. Precisamos trabalhar cada vez mais. O turismo é um modelo econômico que precisamos fortalecer, além da Zona Franca de Manaus. Mas é necessário que a gente trabalhe a questão pesqueira no setor primário.
Dando condições, o nosso Estado é um dos que mais respeitam o defeso. E a gente sofre com a invasão de barcos que vêm de outros Estados para levar os peixes na época do defeso.
Precisamos trabalhar isso com políticas de fiscalização, com incentivo aos pescadores, fomentar indústrias que possam produzir rações e outros insumos para as atividades pesqueiras na região.







