Torcedor do Amazonas gosta de comprar produtos da Copa

Em: 2 de dezembro de 2022

Ao menos 58% dos consumidores do Amazonas pretendem comprar produtos associados à Copa do Mundo. O Estado está no terceiro lugar do pódio do ranking nacional de torcedores dispostos a abrir a carteira, embalados pelo mundial. Fica atrás apenas do Maranhão (76,4%) e do Paraná (59%), e com uma boa vantagem em relação à média nacional (36%). É o que revela o recorte especial da pesquisa de ICF (Intenção de Consumo das Famílias), realizada e divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Consultados em todas as capitais brasileiras, os consumidores pretendem gastar, em média, R$ 211,21 entre os principais produtos associados ao campeonato global de futebol, entre roupas, alimentos, bebidas e outros itens. Conforme a sondagem, os torcedores amazonenses pretendem gastar um pouco mais: R$ 227,31. Os maiores tickets médios do território nacional, no entanto, estão na Paraíba (R$ 260,75), no Acre (R$ 256,94) e em Minas Gerais (R$ 255,43), deixando o Estado na 14ª colocação. Na outra ponta, estão os consumidores do Rio Grande do Sul (R$), Pernambuco (R$ 163,18) e Ceará (R$ 170,28). 

O percentual de brasileiros dispostos a comprar durante o mundial deste ano (36%) é bem superior ao registrado na Copa de 2018 (24%). A CNC estima que o varejo deve movimentar R$ 1,4 bilhão, em todo o país, por conta do evento, enquanto os bares e restaurantes devem faturar R$ 864 milhões. Em sintonia com as restrições orçamentárias das famílias, contudo, os itens preferidos para as compras do período são de menor valor agregado, como roupas, alimentos e bebidas. Em torno de 14,9% buscam vestuários temáticos para adultos e crianças e 14,6% planejam consumir alimentos e bebidas em casa. 

No mês da Black Friday, a má notícia é que apenas 3,8% dos consumidores brasileiros consultados afirmaram que pretendem adquirir televisores e smart TVs, mesmo diante do apelo dos jogos de futebol. O dado vem ao encontro do que o Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) já havia apontado, em sua pesquisa para a Black Friday deste ano. Os homens com até 35 anos e com mais de 10 salários mínimos, por outro lado, são os que apontaram maior intenção de comprar produtos, durante a Copa. A CNC não disponibilizou dados desagregados por Estado.

Crédito e pandemia

A Copa pegou carona no quinto evento mais relevante em termos de alta das vendas do varejo, principalmente por meio do e-commerce, que é a Black Friday. Nesse período, os consumidores consideram que o momento para aquisição de bens duráveis é melhor, já que a data se firmou no calendário do varejo com o foco na venda de eletroeletrônicos e eletrodomésticos pela internet. Mesmo assim, a CNC destaca que o crescimento do indicador não foi suficiente para recuperar as quedas consecutivas, registradas desde o início da pandemia de Covid-19.

No texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, a economista da entidade, Izis Ferreira, informa que o segmento do varejo de móveis e eletrodomésticos, no qual se incluem os televisores e demais dispositivos eletroeletrônicos das linhas marrom, deverá responder pela maior parte do faturamento do comércio, em razão da Copa, uma fatia equivalente a 34% das vendas. Mas, ressalva que a alta dos juros –no  maior nível desde 2018 –e dos níveis de endividamento e inadimplência tendem a limitar o consumo de itens, como esse, que são mais dependentes do crédito e do parcelamento.

Pesquisas mensais mais recentes da CNC mostram que 77,1% das famílias de Manaus estão penduradas em dívidas com cartões, carnês, cheques, financiamentos em geral, o equivalente a 500.404 delas. O comprometimento da renda com cartões, carnês, cheques e financiamentos em geral é proporcionalmente maior entre as famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos: 83,1% estão nessa situação. Em sintonia, os obstáculos aumentaram para quem recorre a empréstimos. Nada menos do que 57,6% dos consumidores da capital apontam que o acesso ainda está mais difícil do que no ano passado.

A sondagem indica também mudanças de costumes do consumidor, por conta da pandemia. Nos canais de compra, 71,3% dos torcedores informam que vão buscar comprar os itens da Copa nas lojas físicas, em proporção muito inferior à capturada durante o mundial de 2018 (83,8%). Em contrapartida, a intensificação das vendas pelos canais digitais –algo que se intensificou a partir da crise sanitária –e a facilidade de comparação de preços impulsionaram um crescimento na fatia de consumidores que esperam comprar pela internet, de 16% (2018) para 28,7% (2022).

O mesmo pode ser dito da tendência de maior permanência das famílias em casa neste mundial, em virtude do distanciamento social inerente à pandemia, e também da inflação decorrente da crise da Covid-19. O levantamento da CNC mostra uma redução do volume de pessoas que planeja acompanhar as partidas em bares e restaurantes. São 13,3% este ano, contra 19% na Copa de 2018. Com os preços dos alimentos e bebidas fora de casa 16% mais elevados do que quatro anos atrás, a maioria dos consultados indicaram preferência por acompanhar as partidas de casa (67,9%), enquanto 18,9% não assistirão aos jogos.

Consumidor cauteloso

O presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, avalia que o desempenho das vendas de produtos ligados à Copa vai depender mesmo da evolução da seleção brasileira no mundial. “Já chegamos às oitavas e isso deve levar as pessoas a assistirem mais os jogos, com a família e os amigos. Isso deve impulsionar principalmente o comércio de bebidas, comidas e vestuário temático, sendo este um produto atípico para a data. Mas, vejo que o consumidor está muito cauteloso para se endividar e disposto a limitar o número de parcelas por compra. Por isso, a maioria deve evitar comprar bens duráveis”, ponderou. 

Já o proprietário e diretor da Tropical Multilojas, Allan Bandeira de Mello, disse que a Copa não trouxe ganhos significativos ao grupo empresarial. “Não trabalho com vestuário, porque a maior parte dos produtos é de pirataria, que não é o nosso ramo. E vendemos quase todo o material relacionado à Copa, como itens de decoração e buzinas, antecipadamente, durante a eleição. Além disso, não foi uma boa ideia juntar o evento com as festas de fim de ano, tanto que tivemos uma Black Friday péssima. Não poderia ser diferente, porque o consumidor junta duas despesas com uma compra”, encerrou. 

A pesquisa da CNC foi realizada com aproximadamente 18 mil consumidores, em todas as capitais e no Distrito Federal, entre os cinco últimos dias úteis de outubro e os cinco primeiros de novembro.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Instagram: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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