Tradições mantidas em novos tempos empresariais

Em: 25 de abril de 2016

No comércio manauara alguns segmentos são responsáveis pela identificação imediata com a imigração lusitana da virada do século XIX para o XX. Padarias, empórios, mercearias e armazéns de secos e molhados, por muito tempo nos deram a visão romantizada do ‘português de padaria’. Com o passar dos anos e a diversificação das atividades comerciais, muitos desses empreendimentos vêm mudando de configuração, mas ainda mantendo muito do negócio original e da tradição lusa de comerciar. Nas panificadoras, o pão é só mais um produto e nos empórios, vinhos e bacalhau dividem espaço com artigos de todo o mundo.

Mantendo a tradição lusa de panificação, o proprietário da Panificadora Fruta Pão, Afonso Barra Cunha veio de outra tradição de ‘além mar’, os moinhos de trigo. “Há 23 anos, junto com um amigo pensamos na padaria. Hoje posso dizer que acertamos no segmento, depois de um negócio iniciado de forma arriscada, sou o primeiro da família a apostar em panificação”, afirma.

Mesmo respeitando tradições, Cunha adotou o modelo de padaria ‘à brasileira’, que não existe nem em Portugal. “O que temos é um formato que permite que o cliente passe o tempo que quiser aqui. É mais que fazer o pão e vender, é juntar pessoas em um ambiente familiar, oferecendo bons serviços”, explica o empresário, que lembra de outra atividade familiar. “Nos carnavais temos um bloco, a Banda do Português, que além da população nascida aqui, sempre recebe alguns da comunidade lusa aqui no Ica Paraíba (zona Centro-Sul)”, encerra.

Produtos finos

Fundada em 1976, a Panificadora Nossa Senhora de Fátima é uma das empresas mais antigas do bairro da Raiz (zona Centro-Sul). Funcionando na Avenida Silves, há 25 anos passou a funcionar mais como importadora de produtos finos, mas sem deixar de lado a panificação. A agora Importadora Nossa Senhora de Fátima, está nas mãos de Joaquim Nogueira, assumindo o negócio do pai, o comerciante português Artur Nogueira. A empresa familiar hoje é gerenciada por Artur Nogueira Neto “Decidimos por trabalhar com produtos finos há mais de 20 anos, quando notamos a carência de produtos portugueses no mercado, hoje temos mais de 800 itens europeus nas prateleiras”, conta Neto.

Empório português

De simples armazém de estivas aberto há mais de 50 anos, o Armazém Português, tornou-se um dos mais conhecidos de Manaus por oferecer uma grande variedade de produtos sem conservantes ou agrotóxicos, cereais, molhos, frutas secas e outros produtos importados. O Armazém que hoje funciona na rua Barão de São Domingos, 358, é regido pelos herdeiros do proprietário original, o português José Joaquim Antunes, falecido em 2009.

A microempresária Daniela Branicio é uma das clientes da tradicional casa portuguesa. “Trabalhando nas imediações do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, é fácil ouvir histórias sobre estabelecimentos assim, iniciados em outras épocas. A grande variedade de produtos naturais e o bom atendimento, que é algo de família, são grandes atrativos”, conta.

Memória

Uma das mais antigas e famosas lojas de ferragens de Manaus tem sua gênese na aliança comercial entre um italiano e um português. A Casa Canavarro, próxima ao Mercado Municipal, foi fundada em 1892, pelo português José de Souza Canavarro e Francisco Ventilari (italiano), com a razão comercial primordial de ‘Canavarro & Ventilari Ltda’.

O blogueiro José Martins Rocha lembra com carinho da antiga loja. “Era a única loja em que o meu saudoso pai comprava as limas importadas da Inglaterra, para acertar os trastes da escala dos violões que ele fabricava. Seus proprietários orgulhavam-se do empreendimento ser ‘uma empresa portuguesa que vem do século passado e que mantém a tradição de perseverança e honestidade da raça lusitana'”, conta. Atualmente a antiga casa de ferragens abriga uma loja de móveis.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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