O alerta para o rumo que a economia da indústria de transformação no Estado seguirá nos próximos meses foi dado em novembro pelos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), corroborado em parte pelo volume de demissões homologadas no Sindicato dos Metalúrgicos. Em ambos, foi revelado que, após nove meses de expansão no saldo de empregos formais, o Amazonas vai perdendo ritmo e contabilizou a primeira retração do ano, interrompendo o ciclo de alta.
O recuo nada modesto em outubro de 46,70% em relação ao mês anterior, talvez seja a luz amarela refletindo o apetite das contratações, já que este último trimestre de 2008 é marcado pela crise mundial de crédito com maior ociosidade dos equipamentos industriais, mas também pelos empregos temporários.
O superintendente regional do trabalho, Dermilson Chagas, explicou que em outubro foram eliminados no Estado 5.725 empregos com carteira assinada contra um total de 4.847 admitidos, resultando num saldo negativo de 878 pessoas fora do mercado de trabalho. Segundo a autoridade, essa redução de 30,63% em relação ao estoque de assalariados com carteira assinada na indústria durante o mesmo período do ano passado, quando o saldo chegou a 2.866 empregados, fez o Amazonas amargar a quinta pior posição no ranking nacional de geração de emprego. “Mas é importante salientar que o Distrito Industrial não reflete necessariamente uma realidade de empregos no Amazonas. É apenas parte de um todo maior que está muito bem”, frisou.
Chagas explicou ainda que o desempenho registrado em outubro, mesmo ficando aquém do primeiro mês após a eclosão da crise financeira estadunidense, em meados de agosto, quando o saldo foi de 1.330 carteiras, retrata a sazonalidade da atividade industrial. “A pretensa nuvem negra da qual se fala nos bastidores da imprensa é muito mais de precaução do que necessariamente de reflexos dos acontecimentos na economia mundial. Existe uma recessão no mundo, mas ainda não chegou por aqui. Basta ver o movimento de compras do comércio e nos shoppings”, salientou.
Se existe um consenso da DRT (Delegacia Regional do Trabalho) com o Sindicato dos Metalúrgicos em relação ao baixo índice de contratações, este último discorda totalmente do volume de demissões promovido pela indústria local. Segundo o presidente dos metalúrgicos, Valdemir Santana, os números oficiais do Caged não mostram a realidade observada no controle de homologações, onde o Estado aparece desde agosto, período coincidente com o estouro da crise financeira mundial, com saldo acumulado negativo de 3.122 desempregados. “Consideramos pertinente os dados da DRT, mas temos como comprovar através de documentos legais que as empresas precisam de uma maior averiguação para saber quais não estão informando corretamente o fluxo de demissões”, asseverou.
Para sindicalista, maiores perdas são em eletros
Afirmando que o Sindicato está aberto para investigação do Ministério Público, caso queira averiguar os números da indústria local, Santana fez questão de frisar que nove das dez maiores demissionárias do PIM (Pólo Industrial de Manaus) são do setor eletroeletrônico. “Não existe crise de faturamento entre as indústrias locais. O que ocorre é uma vergonhosa crise de responsabilidade de algumas empresas de eletroeletrônicos”, desabafou.
Mas o diretor executivo do Cieam, Ronaldo Mota, rebateu as críticas dizendo que a expectativa frustrada em torno das contratações, que não aconteceram, pode ter sido a causa do exagero por parte de algumas entidades de classe. Embora tenha analisado que a situação internacional se deteriora rapidamente, com os bancos centrais e governos se mobilizando para apoiar as empresas em dificuldades em uma intervenção estatal sem precedentes em escala global, Mota afirmou ser incapaz de dar expectativas sobre o primeiro trimestre de 2009. “Ninguém, ainda, é capaz de distinguir os contornos exatos do novo mercado que vai surgir após a crise, mas nenhuma empresa sai demitindo irresponsavelmente os operários sem um aviso prévio e um estudo minucioso de qual impacto terá sobre seu nível de produção e despesas”, considerou.
Contrariando todas as expectativas, o ministro do trabalho e emprego, Carlos Lupi, admitiu, ontem, que a geração de empregos no país perdeu impulso no mês de outubro em decorrência da crise financeira que chegou à economia real. Em cadeia nacional, o parlamentar ressaltou que os números de contratações “ainda são positivos, altos, mas menores do que esperávamos”.
Lupi disse ainda que a redução na geração de empregos “já é indicativo de que alguns setores estão temerosos em investir e quem paga o preço, primeiro, é o trabalhador”, considerou.







