A pesca esportiva tida como forte potencial de fomento para turismo receptivo no Estado, movimenta milhões de empregos com faturamento significativo. Em outros países, a pesca já é uma tradição e movimenta bilhões de dólares por ano. Estima-se que haja 37 milhões de pescadores circulando nos Estados Unidos. Calcula-se que a modalidade de pesca esportiva movimenta 200 bilhões de dólares no mundo.De acordo com dados do Sebrae, o esporte movimenta anualmente R$ 1 bilhão.
Embora a atividade seja responsável pela arrecadação de aproximadamente R$ 400 milhões ao Amazonas, conforme dados da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo), ainda caminha a passos lentos. O desenvolvimento sustentável dos recursos naturais por meio da atividade pode impulsionar ainda mais o setor beneficiando, simultaneamente, toda a cadeia produtiva.
Para que o Amazonas não fique de fora dessa indústria, os investimentos nessa matriz econômica teriam que ser massivos para que a atividade no Amazonas fosse inserida nessa indústria.
Empresários ligados às atividades turísticas no Amazonas, lembram que a pesca esportiva vem crescendo no Amazonas. Muitos eventos têm trazido estímulo a esta matriz econômica. “No entanto, a nossa indústria precisa ser incentivada e criar a Zona Franca do Turismo com pacote de incentivos e de atrativos para que investidores e empresários possam vir ao Amazonas colocar empreendimentos que fomentem mais o nosso turismo”, disse Orsine Oliveira Júnior.
Gustavo Sampaio, presidente da Amazonastur admite que o turismo de pesca esportiva é uma grande bandeira do Amazonas. É o destino de muitos turistas que visitam o estado na temporada de pesca. “A gente sabe do potencial de geração de emprego, renda e oportunidade na capital e no interior. Para a próxima temporada a gente tem a expectativa de 32 mil pessoas só para o evento. O que reflete numa injeção direta de R$160 milhões. Se considerarmos uma injeção total esse número ultrapassa R$400 milhões na economia do estado do Amazonas somente com a atividade.
Segundo o ele, o governo tem buscado capacitar e qualificar prestadores de serviços, especialmente na regiao da calha do rio Negro e no município de Barcelos que foca 90% das operações de pesca. “Além disso, a gente vem participando de feiras nacionais e internacionais sempre promovendo a atividade de pesca esportiva. A gente é muito procurado por outros países por conta desse turismo regional. O governo vem promovendo a atividade no âmbito nacional e em 2023 já temos feiras internacionais voltadas só para a pesca esportiva”, garantiu ele.


Adeptos da modalidade
Para os amantes da pesca esportiva a atividade ainda é muito incipiente no Estado. Mesmo porque os eventos só acontecem durante dois a três meses por ano. “Porque ninguém dá valor para o bagre que pode ser pescado durante o ano todo, com outra técnica que o tucunaré. O governo poderia bancar a divulgação e facilitar o acesso às reservas”, frisou o empresário, Luiz Lauschner.
Ele mencionou que no Brasil, a atividade de pesca corresponde a R$ 1 bilhão. “Há 30 anos, se alguém falasse em pesca esportiva no Amazonas era visto com olhos estranhos. Afinal, de que vale pescar se não se pode aproveitar o peixe para comer? Naquela época, uns poucos diziam que tinham mais prazer na pesca que na degustação do peixe. E dava o peixe pescado para algum vizinho ou deixava para os restantes da casa degustá-lo. Hoje, pode se dizer que a criação de peixes para “abate” contribuiu para o crescimento da pesca esportiva. Afinal, o peixe pertence à natureza. Lutar com o peixe, para tirá-lo da água, fotografar e depois devolver, tornou-se uma paixão que movimenta milhares de aficionados e milhões de reais”.
Além de beneficiar os ribeirinhos como guias e piloteiros, ele destaca que o conhecimento geral deles amplia e a própria consciência ambiental recebe uma justificativa.
“A pesca esportiva ainda não é regulamentada em áreas de preservação o que, para os pescadores é excesso de zelo, pois a pescaria esportiva não depreda e nem agride a natureza”, pontuou ele.
Frank Silva que também é adepto da pescaria esportiva, comentou que os governantes do estado do Amazonas deveriam criar uma lei de preservação do Tucunaré, pois os pescadores destacam “que mais vale um tucunaré vivo do que morto”, e que as reservas deveriam ser abertas para pesca esportiva, onde todos ganham “ a comunidade local onde levaremos renda aos moradores sempre respeitando meio ambiente. A cidade de Barcelos, por exemplo, entra todo ano centenas de pescadores vindos do mundo todo, Manaus também ganha fomentando vários nichos dentro desse mercado”.
Junior Bezerra que atua na pescaria do tucunaré esportivamente há mais de 20 anos na Pescaria do Tucunaré destacou que a atividade tem tudo para se tornar uma das principais matrizes econômicas do Estado do Amazonas, uma vez que temos há na região, o mais cobiçado dos peixes, que é o Tucunaré e principalmente nas espécies paca e açu.
“O grande problema, é manter vivo o principal artista que pode conduzir para esse sucesso econômico, que é o Tucunaré. Precisamos de leis para que possamos protegê-los.Hoje temos no Amazonas, no Brasil e no mundo milhares de pescadores esportivos. Temos lugares fantásticos que hoje, já são explorados, ainda de forma bem artesanal e que já conseguem gerar renda para as regiões e alguns ribeirinhos.Temos um potencial enorme a ser explorado e que forma planejada, poderíamos nos tornar vitrine para o mundo da pesca. Mas tudo isso, depende de diversos fatores, como: política de preservação, fiscalização efetiva, conscientização de não matança desse troféu que é o tucunaré”, apontou ele.
Regulamentação da atividade
Walzenir Falcão, presidente da Fepesca-AM (Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas), lembrou que o PL nº 422/2021, proposto pelo deputado estadual Tony Medeiros (PSD), que viabiliza a regulamentação da atividade econômica no estado, não avançou. Segundo ele, por falta de articulação política. A ementa propunha a regulamentação das modalidades de pesca amadora e esportiva e também a conservação de espécies de tucunaré.
Segundo a Aobt-AM (Associação dos Operadores de Barcos de Turismo da Amazônia), a regulamentação da atividade poderia trazer muitos benefícios para o setor.
O presidente da associação, Leonardo Leão, lembrou que o turismo de pesca esportiva é praticado há mais de 30 anos no estado, mas a atividade vem sendo regulada por meio de decretos governamentais reeditados.
Por Andreia Leite
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