Turismo tem dificuldade em contratar profissionais

Em: 6 de setembro de 2022
Turismo tem dificuldade em contratar profissionais - 0809 A6

Andreia Leite

Insta: @andreia-leite_  Twitter: @JCommercio

O segmento de turismo está enfrentando escassez de mão de obra. A atividade tem sido impactada pela falta de profissionais que após a pandemia registrou defasagem em seu quadro. Muita gente que trabalhava em nichos ligados ao turismo migrou para outras atividades.  

De acordo com a Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagens do Amazonas), o comportamento que ocorre em todo país está relacionado à crise enfrentada pelas empresas durante a crise sanitária.”Teve muita demissão em todos os setores ligados à atividade turística.  Muitas empresas demitiram. Reduziram quadro e na hora de retomar, ou seja, buscar a recontratação desses profissionais sentiu esse impacto”, disse Jaime Mendonça, presidente da Abav-AM.

Segundo ele, esse quadro ainda é mais sensível nos setores que exigem trabalhadores com altas habilidades e mão de obra qualificada, é o exemplo das companhias aéreas e das empresas que operam grandes navios. “Tem um gargalo para retomada de voos. A reutilização de certos navios. 

Já no âmbito de agenciamento de viagens, operam com redução, mas é uma área mais fácil de contratar pois o treinamento aliado à tecnologia ajuda o profissional a realizar a venda de um pacote de viagem . “Você precisa ter profissionais qualificados que olhem pela qualidade do serviço e tenha bons vendedores que zele pela coordenação das viagens. Todos esses cuidados são inerentes ao agenciamento. Se você contratar um bom agente de viagem ele vai ser responsável pelo andamento da viagem como um todo  não vai apenas vender. Esses cuidados é que tem que ser qualificado para poder realizar”.

Informações da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), ao site Folhapress, confirmam esse movimento na atividade de operadores de viagens, isso porque, a área demanda profissionais que precisam ter conhecimento sobre as viagens, sobre os passeios disponíveis e opções de hotel. No caso das viagens internacionais, também tem a questão da língua estrangeira. É uma função que tem sido difícil de recolocar”, diz. “A gente não vendeu mais nos últimos meses por causa da dificuldade para contratação de mão de obra especializada”.

Agências de viagens e operadores turísticos somavam 63,7 mil empregos formais no Brasil em janeiro de 2020. O dado integra o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Durante a crise, esse número chegou a recuar para a faixa de 40 mil, subindo na sequência com o avanço da vacinação.

Em junho deste ano, período mais recente com estatísticas disponíveis, o estoque alcançou 48,7 mil postos formais. O indicador corresponde ao total de vagas em vigor.

“O cenário ficou mais positivo em 2022 com o recuo da crise sanitária e o avanço da vacinação”, avalia o economista Fabio Bentes, da CNC (confederação nacional do comércio). No caso das agências de viagens, as admissões cresceram 131% entre os trabalhadores com ensino superior no primeiro semestre deste ano, frente a igual período de 2021, indica levantamento produzido por Bentes, a partir do Caged. O avanço foi de 104% na média de todos os níveis de escolaridade.

Em termos nominais (sem o desconto da inflação), os salários de admissão dos trabalhadores com nível superior completo tiveram variação positiva de 6,1% na mesma base de comparação, enquanto a média geral foi de 0,82%.

Mesmo sem levar em conta as perdas inflacionárias, a alta nominal, aliada ao aumento da ocupação, pode indicar escassez de mão de obra mais qualificada, conforme Bentes. Pela mesma lógica, em períodos de fartura de trabalhadores, uma das possíveis consequências seria o salário menor de admissão.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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