RPG e HQ, com temática amazônica, já estão em processo final de produção para serem lançados nos próximos meses
Tudo começou com a ideia de se criar um cenário onde pudessem ser realizadas várias ações relacionadas ao universo geek e nerd. Assim surgiu o Projeto Ubiratã, há pouco mais de dois anos.
“Nos conhecemos em outubro de 2019, eu tinha um TCC para concluir e o Felippe Lima e a Amanda Morais queriam fazer uma HQ. Ambas as ideias envolviam lendas amazônicas. Resolvemos juntá-las e criamos o Projeto Ubiratã, que significa ‘madeira forte’, em tupi. Esse nome era dado aos filhos dos indígenas para que quando se tornassem guerreiros, fossem para a guerra e voltassem vivos”, contou o ilustrador, cartunista, quadrinista e designer Leon Sarmento.
“Fellipe e Amanda disseram que tinham um amigo, o Brau Saraiva, que era mestre de mesa de RPG, criava roteiros, escrevia livros, era diretor de teatro, então passamos a desenvolver a ideia do RPG junto com ele”, disse.
“Nos conhecemos em 2019, eu tinha um TCC para concluir e Felippe e Amanda queriam fazer uma HQ”
Leon Sarmento – Ilustrador
RPG (Role-Playing Game), é um jogo no qual os jogadores assumem o papel de personagens imaginários, em um mundo fictício.
“Apesar de o RPG ser um jogo de geeks e nerds, que eu domino, num primeiro momento, eu pensava em criar uma grife amazônica, com figuras de nosso folclore e lendas, deuses, seres e entes da floresta, para ilustrar vestuário”, contou Brau.
“Mas aí a Amanda, publicitária, achou que era melhor eu deixar a grife e as ilustrações para um segundo momento, e focar na criação de um jogo de RPG para o Projeto Ubiratã. Eu tenho um blog onde publico os jogos de RPG que eu mesmo crio. Atualmente tem uns 20 RPGs no blog, que podem ser jogados gratuitamente pelos interessados”, informou.
Adeptos do RPG
Quando o RPG já estava bem definido, os amigos chamaram alguns praticantes desse jogo para que testassem o protótipo, ainda incompleto, e os próprios jogadores imaginaram como seria a aparência dos personagens que iriam interpretar.


“Tínhamos as fichas com a descrição somente dos personagens principais, então os jogadores nos ajudaram a completar o restante”, falou Leon.
Apaixonado por deuses e criaturas do folclore amazônico, Brau é um pesquisador dessas histórias e lendas, vasculhados principalmente na Biblioteca da Funai.
“Para este RPG, eu escrevi a história, mas o enredo foi uma criação coletiva nossa. Ele já está todo desenhado e concluída a parte textual. São 200 cartas, cada uma com um personagem amazônico. O jogo virá dentro de um Box e a previsão de lançamento é para daqui a uns cinco meses”, adiantou Brau.
A história mostra Guaraci, o deus Sol, casado com Jaci, a deusa Lua, ambos filho de Tupã, o deus do trovão. Êêma é uma belíssima índia da tribo sateré mawé, que vive isolada nas matas. Um dia, Guaraci pede para a Caipora fazer com que Iêtuá, marido de Êêma, se perca nas matas por uma noite para que ele, Guaraci, tome a forma de Iêtuá e se deite com Êêma. Dessa noite de amor nasce uma menina, Baômi. O problema surge quando Jaci descobre a traição de Guaraci. O resto da história, só aguardando a chegada do RPG completo.
“Em Manaus, temos um grande número de adeptos desse jogo, seja jogando de forma presencial, geralmente em espaços culturais, ou online. Tenho cadastrado em meu blog cerca de 2.000 jogadores manauaras, e a faixa de idade desse público é de 25 a 35 anos”, afirmou Brau.
Aguardando editais

Junto com o RPG, os integrantes do Ubiratã trabalham noutro projeto, o de uma HQ, que também já está quase pronta, com previsão de lançamento para daqui a uns seis meses.
“A HQ terá duas histórias, uma é ‘Ubiratã, filho de Guaraci’ e é a mesma que está no RPG. Passa no período de 1600 e é baseada em lendas amazônicas. A outra acontece nos dias atuais. Chama-se ‘Maria Caninana e Honorato’. É a história de um casal de irmãos, filhos da cobra grande. Tudo acontece quando os seres e entes da floresta se revoltam contra os seres humanos. O Jahu, ou Ya-hu, que quer dizer peixe guloso, em tupi, é o vilão da história. Jahu tem a capacidade de se transformar em humano e nessa condição se apresenta como um poderoso industrial, dono de várias empresas no Amazonas”, revelou Leon.
“Por enquanto estamos ‘tocando’ os dois projetos com recursos próprios, de olho nos próximos editais da Manauscult e da Secretaria de Cultura para ver se conseguimos que sejam contemplados. Se forem, há a possibilidade de serem lançados mais rapidamente. E se houver algum empresário que queira patrociná-los, esse é o momento”, completou.
“As ideias do Ubiratã não param nesses dois projetos. Pretendemos lançar outros produtos como jogos de vídeo game e a grife, com certeza, será efetivada, possivelmente no início do ano que vem. O objetivo é mostrar a Amazônia sobre os mais diversos ângulos e segmentos criativos”, concluiu Brau.
Quem quiser conhecer melhor o Projeto Ubiratã pode encontrá-los no Face, Instagram e YouTube. Os RPGs de Brau podem ser vistos no braurpg.blogspot.com
Imagens: Arquivos pessoais /Divulgação







