Última geração, Tarumã SOS

Em: 21 de agosto de 2025
União do Festival Tarumã Alive e Remada Ambiental busca chamar a atenção para a preservação do Tarumã.

Uma mistura de show musical com alerta pela preservação do Tarumã, tanto o bairro, ainda coberto por vasta vegetação nativa, quanto pela bacia do rio Tarumã, um dos afluentes do Negro. Assim será a 10ª edição do Festival Tarumã Alive, evento gratuito que acontece no dia 23, sábado, na praia da Lua, das 16h às 23h30, com saída das embarcações da Marina do Davi, na Ponta Negra. Além do show, o Festival promove ações pela conservação da bacia do Tarumã, e busca fortalecer a participação dos comunitários na preservação da região.

 “Entendemos que o número de aliados, de pessoas que se envolveram com a causa do Tarumã, aumentou. Percebemos uma conscientização na própria comunidade, muito relevante, e nos banhistas, mas ainda assim nós temos um desafio imenso, que independe do Festival, que é o crescimento desordenado da cidade naquela direção”, falou a cantora Márcia Novo, uma das organizadoras do evento.

“O Festival é um dos poucos movimentos ativos que lutam pela bacia do Tarumã, então a importância disso é que não podemos desistir desse rio que faz parte da nossa história”, completou.

Há pouco mais de 30 anos o rio Tarumã começou a receber os primeiros restaurantes flutuantes, um, dois, três, que se tornaram um belo atrativo turístico para o local onde se posicionavam, porém, a partir da década de 2000 teve início um novo segmento, o de flutuantes para as pessoas passarem o final de semana. Em pouco tempo dezenas, centenas deles se espalharam pelo rio e hoje se calcula mais de mil, grande parte atuando de forma irregular. Há cerca de 15 anos foi a vez de se intensificarem as ocupações irregulares de terras, que continuam até os dias atuais.

“O número de aliados, de pessoas que se envolveram com a causa do Tarumã, aumentou.
“O número de aliados, de pessoas que se envolveram com a causa do Tarumã, aumentou.

Festival e Remada

Este ano o tema do Festival será ‘Nós somos a última geração que pode salvar o rio Tarumã’, e é esta geração que, através da música, espera ser ouvida sobre o que se pode fazer para evitar a destruição da natureza naquela região. São eles: Johnny Jack Mesclado, Letixa, Ases do Pagode, James Rios, Antônio Bahia, Leonardo Castelo, Júlio Persil, Água Cristalina (a pedido das comunidades), Ariana Paes e Márcia Novo, e mais os bois Garantido e Caprichoso.

 “Na minha opinião, a salvação do Tarumã está no turismo. Aquela região possui um grande potencial turístico e precisa ser tratada como uma área turística, com desenvolvimento sustentável. Existem pessoas que sobrevivem do turismo no Tarumã, então é urgente reconhecer aquela área como uma área turística e tratá-la dessa maneira. Não acredito que a retirada de embarcações e de flutuantes vá resolver o problema da poluição, porque ela vem da cidade”, afirmou.

Uma ação que, desde 2018, acontece nas águas do Tarumã é a Remada Ambiental, já computadas 108 realizações. No sábado, a partir das 8h, na Marina do Davi, ocorrerá sua 109ª edição. Quem quiser participar pode se inscrever pelo Instagram: @projetoremadaambiental

“O Tarumã Alive começou no mesmo ano que aconteceu a primeira Remada Ambiental. A galera passou a fazer os mutirões de limpeza, no Tarumã, enquanto eu vim para a parte de shows tentando sensibilizar e trazer mais adeptos para a causa, por isso a Remada sempre esteve atrelada aos nossos eventos tanto que um dos coordenadores do Festival, além de mim, é o Jadson Maciel, idealizador e coordenador da Remada Ambiental. Ele desenvolve essas ações todo mês. Se não fosse esse trabalho do Jadson retirando toneladas de lixo, acho que as pessoas não estariam mais conseguindo navegar naquela área”, informou.

Sinal vermelho

A Bacia do Tarumã-Açu, uma das mais importantes áreas hídricas da Região Metropolitana de Manaus, está sob constante pressão ambiental, mas ainda apresenta trechos com boa qualidade de água. É o que revela o mais recente relatório técnico do ProQAS/AM (Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Amazonas), patrocinado pelo Grupo Atem e coordenado pela UEA em parceria com o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas).

Os resultados indicam que as áreas mais preservadas da bacia, próximas às nascentes no km 40 da BR-174 e aos igarapés do Acará, Leão e Mariano, apresentaram índices de qualidade de água classificados como boa a ótima. Já os trechos mais próximos à zona urbana de Manaus, especialmente nas imediações da marina do Davi, do aterro sanitário municipal e de áreas com ocupações irregulares demonstraram níveis regulares de qualidade, com presença significativa de coliformes termotolerantes, resíduos sólidos e indicadores de poluição orgânica.

O coordenador do ProQAS/AM, Sergio Duvoisin Junior, complementou ressaltando que, apesar de uma análise isolada indicar que o Tarumã-Açu está em boas condições, o monitoramento ao longo de mais de cinco anos revela uma tendência preocupante.

 “Se fizéssemos uma análise hoje, só hoje, diríamos que o Tarumã-Açu está em perfeitas condições. O que preocupa é que, mesmo dentro dos parâmetros da resolução do Conama, nos últimos três anos a qualidade da água vem piorando. Isso acende um sinal de alerta, principalmente na região do Baixo Tarumã-Açu, onde alguns parâmetros indicam uma piora”, alertou.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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