Um banquete na Ilha

Em: 7 de abril de 2026
Soraya Cohen e Liduína Moura lançam o livro ‘Banquete em Parintins’ escrito em conjunto, porém, cada autora com seus conhecimentos.
"Flutuante da Soraya se tornou referência pelos peixes assados que serve."
"Flutuante da Soraya se tornou referência pelos peixes assados que serve."

O Festival Folclórico de Parintins se aproxima. Faltam menos de três meses para o acontecimento do maior evento cultural e festivo da Amazônia, então, para aqueles que pretendem ir pela primeira vez até a Ilha Tupinambarana o ideal é conhecer, desde já, quais os pratos típicos consumidos naquela região do baixo Amazonas. Uma dica é ler o livro ‘Banquete em Parintins – tradições, cores e sabores!’, escrito a quatro mãos por Soraya Cohen e Liduína Moura, que será lançado no sábado, dia 11, às 19h30, na Peixaria Japurá (rua Ferreira Pena esquina com av. Japurá – Centro).

Juntas, Soraya e Liduína reúnem um ‘cabedal’ de conhecimentos como poucas pessoas. Soraya é gestora em turismo, jornalista, empresária, culinarista e produtora cultural; Liduína é publicitária, roteirista, estudiosa de folclore amazônico, escritora e artista plástica de junk art (arte do refugo). Um pouco de cada um desses conhecimentos das autoras resultou em ‘Banquete em Parintins’. Por exemplo, algumas das receitas descritas no livro têm décadas de experimentações, pois são de 1988, quando Soraya inaugurou o Flutuante da Soraya, local que se tornou ponto de referência da boa gastronomia, em Parintins, localizado às margens do paradisíaco lago Macurany. Já Liduína, no livro, produziu conteúdo folclórico e sobre as lendas dos alimentos. Seu lado místico destaca as transformações da natureza que ocorrem no mês de junho, mês do Festival Folclórico na Ilha.

 Liduína, “a culinária amazônica é ancestral, construída pelos povos indígenas"
Liduína, “a culinária amazônica é ancestral, construída pelos povos indígenas”

 

Também a experiência das duas, na escrita, enriquece o resultado final do livro. Apesar de ser o primeiro trabalho literário de Soraya, como jornalista ela atua no Jornal do Commercio e já escreveu para guias turísticos de Parintins e de Manaus. Liduína tem quatro livros publicados: ‘Entoada: antologia poética da obra de Tadeu Garcia’; ‘Resiliência: o Oráculo de Felidae’ (com conteúdo sobre resiliência, autoestima e autoconhecimento); ‘Banquete de lendas’, com a chef Charufe Nasser; e ‘Dabacuri: o DNA mitológico de alimentos amazônicos’.

"Livro traz conteúdo amplo sobre gastronomia tradicional,"
“Livro traz conteúdo amplo sobre gastronomia tradicional,”

Bodó no tucupi

A culinária de Parintins tem alguns pratos que são típicos daquela região do baixo Amazonas, e alguns se destacam, como o tacacá, a famosa sopa indígena servida em cuias enriquecida com tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu; e o bodó assado ou ensopado. Mergulhado no tucupi, ácido e aromático, e que dá o sabor ao tacacá, o bodó forma um prato tradicional admirado pelos parintinenses. Pois Soraya mostrou ao mundo os dois prazeres gastronômicos, que agora estão no livro.

“Eu apresentei o bodó no tucupi, em 2010, durante o Festival Brasil Sabor que, naquele ano aconteceu no Tropical Hotel. Antes desse dia, o bodó no tucupi era apenas mais uma das iguarias apreciadas pelo povo parintinense; a partir daí virou febre no Festival Folclórico de Parintins. Antes vendia quase mil bodós no tucupi durante a temporada, no Flutuante as Soraya. Depois que as pessoas o conheceram no Brasil Sabor, esse número triplicou. Muitos restaurantes da Ilha, e até vendedores de rua, passaram a servir bodó no tucupi, até hoje”, contou. 

Soraya orgulha-se de ter tornado o Flutuante da Soraya uma referência, em Parintins. Há quatro décadas o restaurante tem sido frequentado não só por parintinenses, mas pelos turistas que visitam a Ilha. São famosos os peixes assados disponibilizados no cardápio do estabelecimento e os banhos nas águas do lago.

“Este ano teremos três piers no Flutuante com capacidade para receber de iates a barcos turísticos. Todos os pratos citados no ‘Banquete em Parintins’ estarão disponíveis no nosso restaurante”, avisou.

 

Culinária ancestral

Observando o livro pelo viés antropológico, Liduína lembra que os povos indígenas são os grandes responsáveis pela base alimentar da região amazônica com ingredientes e técnicas que vêm de há milhares de anos. Os ribeirinhos adaptaram e enriqueceram essa base indígena com o cotidiano dos rios: consumo intenso de peixes amazônicos com uso de ingredientes locais. 

“A culinária amazônica é ancestral, construída pelos povos indígenas e transformada pelos ribeirinhos ao longo do tempo. Comer esses pratos é, literalmente, experimentar a história viva da região. Não escrevo sobre receitas e sim sobre a herança ancestral das mãos sábias da Mãe Natureza que nos brindou com fartura e possibilidades de alimentos que sustentam o corpo e encantam a alma com lendas e mitos”, declarou.

Soraya ressaltou que ‘Banquete em Parintins’ é indicado para o público em geral e sem classificação etária, com conteúdo amplo sobre gastronomia tradicional, que brinca com as figuras do Festival Folclórico e do lendário amazônico.

Informações: 9 9114-7249

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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