Observando os últimos acontecimentos, venho me perguntando: para onde estamos indo?
Observe: à medida que o tempo passa, estamos cada vez mais temerosos porque não temos segurança. Por conta disso temos que nos enjaular em nossas próprias casas e sair somente quando for necessário. Nos isolamos em nosso mundo, que já é pequeno, e nos restringimos às pessoas que são de nossa proximidade. Deixamos para depois, ou nunca mais, a oportunidade de nos relacionarmos, ampliarmos a quantidade de pessoas com quem podemos nos conhecer, e desenvolver nosso interior. O tempo passa e não há sinal de que possamos esperar por melhoras.
Dentro da mesma perspectiva, temos que nosso rol de amizades também é curto e, no ambiente de trabalho, procuramos montar nosso ‘networking’ que, quase sempre é recheada de interesses outros que não sejam o da boa convivência, da amizade gratuita, enfim, de algo que estivesse desprovido da ‘segunda intenção’, limpo, ético, claro, transparente. Por conta de mais essa variável nos isolamos ainda mais e não permitimos nos dar a conhecer ou descobrir outras fronteiras de amigos e conhecidos que poderiam enriquecer nossas vidas com a convivência boa e agradável.
Assim, vamos num sem-fim de egocentrismos nos distanciando, tornando nosso futuro mais solitário, parecendo filmes de ficção onde pessoas não se relacionam, se isolam e vivem num mundo à espera do dia final, já que nada mais resta ou tenha restado.
Agora com a recente “gripe suína”, temos que nos isolar de novo, desconfiar do outro que possa estar contaminado e evitar o contágio. Se o mundo já estava isolado, agora muito mais. Se vier do México nem fale, distância, por favor. E assim vai o mundo caminhando para um abismo que, gotejadamente não incomoda a ninguém. Me faz lembrar da estória do sapo dentro da panela. Se a água já estiver quente ele pula, mas se for aquecida suavemente, ele vai se cozinhar sem perceber. E é nesse estado de dormência que parece que vivemos. Vemos e sentimos coisas erradas o tempo todo e não fazemos nada. Até mesmo a indignação pela injustiça começa a parecer anormal.
O caso ‘Nardoni’ já ficou no esquecimento. Os juízes saem aos tapas, pelas bocas, e acusações jornalescas já não fazem mais diferença. Não queremos ser incomodados, acho que é essa a prerrogativa. Ah, deixa pra lá, eles que se entendam… e por aí vai, não nos movemos em prol de alguma coisa porque valha a pena. Aceitamos porque é melhor não reclamar. Afinal… ah, deixa para lá também… quem se importa.
Quando o mundo estiver cheio de indivíduos (sozinhos) quem sabe valha a pena fazer uma nova reflexão. Até nos parece que as sociedades só acordam quando estão à beira do desespero ou da perda total de seus valores. Conquistamos a ‘liberdade’ com a premissa da ‘igualdade’ para nos trabalharmos a ‘fraternidade’ e a grande lição que tiramos é que nada mudou.
O modelo imperialista que subjugava as pessoas, oprimia pela cobrança de altos impostos, e se enriquecia às custas da plebe em nada se alterou para os modelos vigentes. Temos um Estado podre, mal administrado, que não presta os serviços que devia à sociedade, e que cobra na fonte, no faturamento, no bruto, antes de ter feito algo para que aquela receita acontecesse. O empresário e os empregados recebem depois do grande sócio ter abocanhado sua fatia. Se o empreendedor precisa de documentos, entre na fila, espere, aceite a boa vontade de alguém num balcão e fique calado se quiser ser atendido. Espere, aguarde. Os impostos são na fonte… ou no início do surgimento da Receita. Aliás se tomarmos os Impostos de Importação e o de Circulação de Mercadorias e Serviços, nem receita há, e já está lá o Estado para receber o dele, sem ter feito nada para que isso acontecesse. Na economia, um capital gera renda através de trabalho, no Estado a sua existência como empreendedor é ser ‘escravo’ de um Estado que só toma, gasta mal, e não lhe oferece os benefícios de um trabalho que auferisse mais lucro ou que lhe garantisse. É… estamos mesmo vivendo para um futuro insólito, e que cada um se defenda como puder.
A expressão: “salve-se quem puder”, nunca esteve tão presente e tão certa em nossos dias. Que pena.
A todos boa semana, bom trabalho e não se esqueçam de pagar seus impostos, é para isso que trabalhamos, para sustentar uma máquina que só suga e não dá o que se pudesse de bom se aproveitar para maximizar seus pseudobenefícios.
Bom trabalho.
Um futuro de solidão
Em: 29 de abril de 2009
Observando os últimos acontecimentos, venho me perguntando: para onde estamos indo?
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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