Uma data que ficou para a história

Em: 9 de maio de 2017
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O dia 8 de maio de 1945 jamais será esquecido, principalmente por aqueles que lutam pela liberdade. Foi o dia da rendição da Alemanha nazista, que pôs fim à Segunda Guerra Mundial, já se encaminhando para o sexto ano consecutivo.

O Brasil relutou o quanto pode em participar do conflito que acontecia na distante Europa, muito embora o governo getulista, com seu Estado Novo, tivesse alguma simpatia pelo fascismo do italiano Benito Mussolini que, junto com a Alemanha, de Hitler e o Japão, de Hiroito, formavam o Eixo.

Uma carta fez tudo mudar. A Carta do Atlântico previa que todos os países do continente americano estavam alinhados e o ataque a um, redundaria num ataque aos demais. Como retaliação, navios mercantes brasileiros começaram a ser torpedeados no Atlântico a partir de fevereiro de 1942 por submarinos italianos e alemães.

O General de Brigada e chefe do Estado Maior do CMA (Comando Militar da Amazônia), Edson Rosty, destacou a relevância da menção ao Dia da Vitória para a sociedade e principalmente para os militares. “É importante resgatar a lembrança ao sacrifício que aconteceu no passado por aqueles que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial em um conflito de grandes dimensões e que causaram tanto prejuízo à humanidade, às nações, e o Brasil participou deste momento por meio da Marinha, da Força Aérea, com grande contingente do Exército brasileiro. É uma maneira de prestar tributo a esses militares que no passado sacrificaram sua vida em prol dos interesses de liberdade desses valores”, expressou.

“A liberdade, não só do Brasil, mas de vários outros países estava ameaçada. Após esse torpedeamento dos navios brasileiros, a liberdade de ir e vir de passageiros e cargas ficou ameaçada. Vidas se perderam, bens se perderam”, falou o coronel Ronaldo Pacheco, do Comando Militar da Amazônia.

Diferente dos Estados Unidos que, um dia após ter sua base em Pearl Harbor, no Havaí, atacada pela Marinha Imperial Japonesa, em 7 de dezembro de 1941, declarou guerra aos japoneses, o Brasil demorou seis meses para fazer o mesmo à Alemanha e à Itália, o que aconteceu em 22 de agosto de 1942, porém, somente em julho de 1944 os primeiros soldados brasileiros, os expedicionários, pisaram em solo italiano.

“Houve um chamamento dos países que lutavam contra o Eixo, à frente Inglaterra e Estados Unidos, para que o Brasil fizesse o mesmo, e assim aconteceu”, disse o coronel.

“Os expedicionários brasileiros combateram durante sete meses e dezenove dias na Itália. A campanha iniciada em 16 de setembro de 1944, ocorreu em pleno outono, quando um batalhão do 6º Regimento de Infantaria iniciou sua marcha na frente do rio Serchio, ação que resultou na tomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. A segunda e mais difícil frente foi a do rio Reno, ao norte de Pistoia. Partindo do Quartel General de Porreta-Therme, a FEB conquistou Monte Castelo, em 22 de fevereiro de 1945, e Castelnuovo e Montese em 14 de abril de 1945, em ambiente urbano”, falou o pesquisador Durango Duarte. “A campanha brasileira na Itália deu-se por terminada a 2 de maio de 1945, quando o último corpo do exército alemão no front da Itália assinou sua capitulação e foi declarado o cessar fogo. Do total de pouco mais de 25 mil pracinhas enviados à Itália, 443 morreram em combate e aproximadamente 3.000 se feriram”, completou.

Junto com os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, 100 jovens amazonenses seguiram de Manaus para a Itália. Três não voltaram, mas só a história de um é conhecida. Manoel Freitas Chagas, durante uma campanha, assaltou um ninho nazista de metralhadoras e conseguiu capturar dois soldados alemães. Em uma segunda investida, o cabo Manoel foi surpreendido pelos alemães, sendo alvejado e morto. Atualmente, de acordo com dados da 12ª Região Militar, apenas dois ex-pracinhas permanecem vivos. “Com certeza foi muito importante a participação do Brasil na Segunda Guerra, pois mostrou que o país estava do lado da liberdade, da democracia, tanto que Getúlio Vargas, que já estava no poder fazia 15 anos, caiu em seguida”, completou o coronel Ronaldo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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