Eles chamam a atenção por onde passam, sobre o carro vermelho, com sirene apitando e pressa, muita pressa, pois seu trabalho se resume a salvar vidas e bens em situações de tragédia, os bombeiros. Como heróis que a profissão os força a ser, os heróis do fogo (e em muitos casos, das águas, também), como são conhecidos acabaram de ganhar uma homenagem digna de seus méritos, o livro “Bombeiros do Amazonas – retrospectiva 1876-1998”, escrito pelo coronel PM da reserva e historiador Roberto Mendonça, e editado pela Editora Travessia. No livro, Mendonça recorda os primeiros incêndios ocorridos em Manaus, muito antes mesmo da existência dos bombeiros.
“Estruturei esta obra em três fases”, escreveu o historiador na apresentação do livro, “a primeira narra desde a criação do serviço de extinção de incêndios até meados do século passado, cujo balizamento foi a passagem desse ofício para a competência da Prefeitura de Manaus. A segunda, iniciada em 1951, prospera até 1973, quando o Corpo de Bombeiros de Manaus foi incorporado à Polícia Militar do Amazonas. A terceira, com duração de 25 anos, cobre a responsabilidade do Estado com os serviços, enquanto competência da Força Pública. A partir de 1998 abre-se novíssima idade, quando o encargo do combate ao fogo prossegue com o Estado, porém, desvinculado da Polícia Militar, a corporação veleja autônoma”.
A história dos incêndios em Manaus começa com grandes catástrofes como a ocorrida em 2 de julho de 1850, poucos meses antes de o Amazonas se tornar província quando a igreja matriz desapareceu consumida pelas chamas, ou com o incêndio do trem de guerra (conjuntos de petrechos que acompanham a força terrestre) acontecido em junho de 1874. “Durante cerca de uma hora, rezam as crônicas, a cidade inteira ouviu aterrados os estampidos provenientes da combustão do trem de guerra…”, escreveu o historiador Mário Ypiranga Monteiro.
Emancipados e profissionais
Na década de 1950, conforme Roberto Mendonça, teve início o segundo período na história dos bombeiros mas, como até aquela época, os integrantes da instituição tinham que ser heróis duas vezes. “Nesse ano (1953), ainda restavam em apreciáveis condições de utilização um acervo de peças e equipamentos para o combate a incêndios. A autobomba, a diesel, marca Henshell, de fabricação alemã, adquirida em 1937 que, por falta de manutenção e peças de reposição, repousava em um depósito de veículos invisíveis da prefeitura”, escreveu, ou “O carro bomba, mais bomba que carro, deixou uma impressão entre amarga e bizarra. (…) os bombeiros realizavam todos os serviços pra a Prefeitura (1955 e 1957), menos o de bem combater o fogo”.
O terceiro período começou após 1972, quando finalmente o Corpo de Bombeiros se profissionalizou passando a integrar a Polícia Militar. “Consolidada a incorporação, em dezembro de 1972, desembarca em Manaus uma missão francesa. Na direção, monsieur Robert Abbadie, oficial superior dos bombeiros de Paris, acompanhado de engenheiros civis. De retorno à França, essa equipe produziu um Memorial, expondo ao governo amazonense as necessidades materiais para melhor adequar a corporação”.
A partir de 1998, houve a emancipação do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, conforme o Artigo 55, da Emenda Constitucional nº 31, de 26 de novembro. “A resolução legislativa apontou nova definição aos seus integrantes e consolidou sua destinação e incumbência de dirigentes, contudo, entre partidas e tropeços, atingiram a esse patamar”.
“Marcar a história de forma positiva é um desafio para qualquer gestor. As dificuldades são muitas. O dia a dia é repleto de empecilhos e entraves. Porém, a despeito de tudo isso, não há nada mais gratificante que ver sonhos se tornando realidade, ver aquilo que todos julgavam ser impossível ganhar forma, fazer crescer essa grande corporação que tanto bem faz à sociedade. O livro do coronel Roberto Mendonça só vem nos mostrar isso. Ele é bom tanto para quem é da corporação quanto para quem quer conhecer a sua história desde os primórdios”, concluiu o coronel Roberto Rocha Guimarães da Silva, comandante geral do CBMAM; secretário executivo de Ações de Defesa Civil e presidente do Conselho Nacional de Gestores Estaduais de Proteção e Defesa Civil.







