Urge um marco civil para a internet

Em: 10 de outubro de 2013
Nada há de muito simples na discussão sobre governança da internet
Nada há de muito simples na discussão sobre governança da internet

Nada há de muito simples na discussão sobre governança da internet. A impossibilidade de englobar a rede nas estruturas atuais de legislação local, nacional e internacional, nos tratados que, à maneira do das telecomunicações, se propõem a mediar negócios, transações e serviços entre os detentores do poder, e mesmo os limites das nações, é patente.
Numa discussão no Conselho Europeu, em Estrasburgo, há dois anos, ficou clara a dificuldade que há quando se discutem leis globais para a rede. O que surgiu como alternativa promissora foi a aprovação de princípios, intenções e boas práticas.
O modelo que Estrasburgo apontava era o que o CGI (Comitê Gestor da Internet) no Brasil já havia delineado em 2009, com seu decálogo de princípios para a internet.
Esse protagonismo, já conseguido em Vilna (Letônia) durante a reunião do Internet Governance Forum de 2010, resultou no texto do Marco Civil, que arrasta sua cruz pelo Legislativo brasileiro há dois anos. O Marco Civil é a declaração de princípios de que a internet no Brasil necessita para conservar a neutralidade, mostrar os riscos que corre a privacidade do cidadão e propiciar a segurança jurídica necessária para os que produzem conteúdo e serviços na rede, ao definir o espectro de sua responsabilização.
É clara a importância de que os conteúdos mais frequentados pelos brasileiros se movam para dentro do país. Isso melhora a balança internacional de custos de telecomunicações, o tempo de resposta e uma melhor experiência da rede para os usuários, certamente beneficiando a todos. Não é por outro motivo que produtores de conteúdo, de textos, de filmes, têm copiado suas bases de dados para servidores dentro do país e procuram interligar-se a pelo menos um dos 23 pontos de troca de tráfego, mantidos pelo CGI. Porém não há como equilibrar totalmente o balanço em telecomunicações porque, por maior que o Brasil seja, o mundo que resta fora do país é maior ainda.
Finalmente, um rápido exame de decisões judiciais sobre responsabilização na rede deixa claro que há insegurança.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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