Vagas têm queda de quase 90%

Em: 24 de julho de 2012
Em consequência da crise de consumo que afeta todo o país desde o início do ano, o Amazonas finalizou o primeiro semestre com queda de quase 90% na geração de empregos celetistas, segundo os dados do Caged
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Em consequência da crise de consumo que afeta todo o país desde o início do ano, o Amazonas finalizou o primeiro semestre com queda de quase 90% na geração de empregos celetistas, segundo os dados do Caged

Em consequência da crise de consumo que afeta todo o país desde o início do ano, o Amazonas finalizou o primeiro semestre com queda de quase 90% na geração de empregos celetistas, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Entre janeiro e junho deste ano, o saldo registrado foi de 2.914 postos de trabalho gerados contra 28.520 vagas de igual período do ano passado, retração de 89,78%. Além de representar o 7º pior desempenho entre as 27 unidades da Federação, o resultado ainda é o pior da história do Amazonas, desde 2003, quando o MTE iniciou a série de levantamentos. Nem em 2009, ano de crise mundial, a geração de empregos foi tão pequena.
“Desde o início do ano aguardamos por um aquecimento que não ocorreu, mas ao menos conseguimos terminar o semestre com um saldo que embora seja pequeno, não deixa de ser positivo”, defendeu o titular da SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), Dermilson Chagas.
Como já era aguardado, o pior desempenho do semestre veio da indústria que finalizou o período com saldo negativo de 2.874 vagas contra as 14.583 vagas criadas no mesmo intervalo de 2011.
Também de acordo com a expectativa dos representantes da indústria, o segmento de duas rodas foi o setor que puxou a queda. Sozinho, ele respondeu pela dispensa de 1.986 trabalhadores em seis meses. O polo mecânico e metalúrgico, ligados ao segmento também anotaram redução de 573 e 159 postos, respectivamente.
“Incremento na produção e melhora na geração de empregos no setor só em 2013”, declarou o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix.
Segundo ele, vai haver um leve aumento na produção devido à sazonalidade do segundo semestre, mas o nível de empregos não deve mudar significativamente.
O pacote anticrise para o setor, articulado entre Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), governo estadual e Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) ainda não ficou pronto. A previsão inicial era de que o anúncio das medidas fosse feito na semana passada, o que não ocorreu.
“Os governos estadual e federal estão trabalhando para resolver problemas, principalmente, no segmento de duas rodas. Esperamos por melhorias no financiamento bancário e por uma queda na importação de motocicletas chinesa”, destacou Dermilson Chagas.

Outros setores

O comércio, que no primeiro semestre de 2011 empregou 923 trabalhadores, terminou os seis primeiros meses de 2012 com saldo negativo de 152 postos de trabalho.
Para compensar as retrações, tanto do comércio quanto da indústria, a construção civil respondeu pela criação de 779 vagas no semestre e o setor de serviços por 5.208 vagas. No entanto, em comparação aos números de igual período do ano passado, os dois setores registraram redução de 78,26% e 41,46% respectivamente.

Fôlego para o PIM

Ainda segundo os dados do cadastro, junho representou um fôlego para o PIM com a criação de 1604 vagas. Isso porque, com exceção de abril, quando anotou saldo positivo de 485 empregos, o Amazonas registrou performances negativas em quatro meses este ano – janeiro, fevereiro, março e maio.
Já no sexto mês deste ano, todos os principais segmentos – exceto o comércio que demitiu 347 pessoas – apresentaram crescimento. A indústria empregou 550 trabalhadores, a construção civil, 122 e o setor de serviços, 1.242 pessoas.
Para Athaydes Félix, a melhoria de junho vem de algumas medidas na parte de vendas que começam a contribuir para a movimentação dos estoques. “Mas isso não quer dizer necessariamente um aquecimento na produção”, ponderou.
No mês, o maior número de demissões partiu do polo industrial, em especial, do setor de duas rodas (-458 vagas). Já os melhores desempenhos vieram das fábricas de materiais elétricos e comunicações (+499) e no segmento de serviços, do setor imobiliário (+586 postos).
Para Dermilson Chagas, “o resultado de junho foi um passo tímido, mas que não pode ser descartado”, encerrou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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