Varejistas buscam ampliar vendas

Em: 5 de novembro de 2013
ACA aposta em eventos para estimular visitas ao Centro e critica burocracia tributária
ACA aposta em eventos para estimular visitas ao Centro e critica burocracia tributária

A redução das vendas do comércio em setembro pode ter alcançado retração de 30%, um dos piores índices dos últimos 10 anos, segundo a ACA (Associação Comercial do Amazonas). Para evitar que novas baixas ocorram durante o Natal, principal data para o comércio, a associação buscará promover eventos em parceria com empresas e governo estadual e municipal no Centro da cidade durante o mês de dezembro.
O presidente da entidade, Ismael Bicharra, conta que a entidade tem buscado contato com o secretário municipal da requalificação do Centro, Raphael Assayag, o secretário de Estado da Cultura, Robério Braga, o coronel da PM Almir Davi e o presidente da Manaustrans, Paulo Davi, para que sejam organizados eventos no Centro que sirvam como atrativo para o consumidor. “No ano passado houve a possibilidade dos corais andarem no centro da cidade. Levamos o carro da Coca-Cola caracterizado, Mamães Noéis, eventos que levaram as pessoas para o Centro. Este ano queremos repetir esses eventos, mas com uma melhor organização e abarcar novos”, contou.
Ismael Bicharra comenta que a expectativa é de que se consiga ao menos repetir os números conquistados no ano passado. “Tivemos quedas com o fechamento dos bancos, em virtude da substituição tributaria além dos graves problemas enfrentados pela logística, precisamos buscar formas de manter o comércio aquecido”, ressalta.

CDLM prevê crescimento de 8%

O presidente da CDLM, Ralph Assayag, no entanto minimiza a preocupação, alegando que a queda nas vendas em setembro se deu em virtude do elevado número de feriados e projeta um crescimento de até 8% em relação ao Natal de 2012. “Setembro foi ruim por que tivemos muitos feriados em uma quinta, fazendo com que a semana toda fosse perdida. O comércio acabou tendo quase uma semana a menos este mês. A Previsão de crescimento nas vendas para o fim do ano é de 8% sobre o que foi registrado ano passado. Influenciado muito pelos R$ 1,6 bilhão que serão injetados pelo 13º”, destacou.
Ralph também descartou ações coletivas elaboradas pela entidade para o fim do ano. “Natal é uma situação à parte. Diferente de todo o resto do ano. Fazemos ações conjuntas em períodos em que as vendas tendem a diminuir. No natal, elas crescem, então cada loja toma à medida e faz a promoção que achar melhor para si”.
O vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, considera que é meio imprevisível o que as vendas apresentarão no final do ano, mas acredita em superar os números de 2012. Segundo Aderson, 2013 foi um ano que começou com bom crescimento mas acabou ficando morno. “Ano passado foi atípico com grandes reduções, então mesmo com um ano morno devemos superar ano passado. Nas reuniões da Fecomércio a expectativa que se tem é de um crescimento para o fim do ano em torno de 6 a 7%”, destaca.

Valor agregado cobrado pelo governo é entrave

Outra grande crítica do presidente da ACA, Ismael Bicharra é sobre os valores cobrados pelo governo na substituição tributária. Segundo Bicharra, “As empresas estão se tornando armazéns, já que o sistema estadual é extremamente burocrático”. O presidente da ACA cita que as empresas têm que acionar as fornecedoras com muita antecedência devido a logística do Amazonas, e com os impostos pagos antecipadamente o empresário acaba ficando sufocado. “Se quisermos vender em janeiro, precisamos acionar nossos fornecedores em outubro, já que temos problemas logísticos, e pior, a burocracia da Sefaz faz com que paguemos os impostos sobre aquilo o que não faturamos”, disse.
Segundo Bicharra a ACA já enviou uma carta para a Sefaz, para negociar a questão mas não obteve resposta. A grande reclamação é pelos agregados que tem cota de 70% na margem. “Os impostos chegam a 25% do total do produto e mais 30% é gasto com frete. “Fica 55%. Se jogar na mercadoria você fica sem liquidez e tendo que bancar os impostos”, reclama. A ideia da entidade é que se trabalhe com uma redução baseada, como acontecem nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
O vice-presidente da Fecomércio, Aderson Frota, cita a construção civil, perfumaria, eletro-eletrônicos como exemplos de mercadorias que tem um valor agregado de 70%. “Isso gera vários problemas ao empresário, reconhecemos as vantagens trazidas, somos a favor, mas as taxas precisam ser negociadas. Já tentamos falar com o governo, mas as conversas andam e depois voltam”, conta
Para o presidente da CDLM, Ralph Assayag, a substituição tributária sobrecarrega o empresário mas é a única saída viável. “O pagamento é feito direto na barreira, acaba com a pilantragem, acaba com fiscal querendo receber extra e com a informalidade. Sabemos dos problemas que acarreta mas é há única medida cabível atualmente. Em um 1º momento é complicado mas é um período. Mais para frente podemos pensar em rever isso, mas no momento é a única maneira”, afirma.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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