Feriados complicam mais ano difícil do varejo no Amazonas

Em: 11 de janeiro de 2022

Embora o varejo nacional estime menores prejuízos para a atividade econômica comercial, em virtude dos feriados deste ano, empresários do segmento entendem que o maior número de folgas com pontos facultativos trazem prejuízos ao varejo. De acordo com o calendário oficial serão  nove feriados nacionais e os cinco dias em que haverá ponto facultativo em 2022. Paixão de Cristo, Tiradentes e Independência do Brasil, fora o Carnaval e Corpus Christi,  são considerados dias de ponto facultativo. A Paixão de Cristo, em 15 de abril, que cai numa sexta-feira; Tiradentes, no dia 21 do mesmo mês, que será numa quinta-feira; e Proclamação da República, em 15 de novembro, uma terça-feira. O carnaval este ano será de 26 de fevereiro a 1º de março) e Corpus Christi (entre 16 e 19 de junho). Ao contrário de 2021, destes feriados nacionais, quatro ocorrem num domingo, Dia do Trabalho (1º de maio) e Natal.

O presidente da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas), Ralph Assayag, afirma que o país precisa produzir e quando surgem não só os feriados, mas os pontos facultativos que os governos acabam cedendo, o impacto é muito grande e pesa. Ao avaliar o peso dos dias de ócio para o setor, ele exemplifica que um feriado que coincide em uma segunda-feira, faz o comércio perder em torno de 30% no volume de vendas “num momento em que precisa ter mais oferta de emprego”. Quando o feriado acontece numa sexta-feira as perdas chegam a 50%, no sábado esse número é de 60% .

De acordo com o presidente, quanto maior o número de pessoas contratadas e recebendo seu salário automaticamente existem mais vendas. “Vendendo-sem mais paga-se mais impostos, com isso o governo pode fazer melhorias na nossa cidade. É o que geralmente nós pedimos e solicitamos. É necessário a diminuição desses números tão grandes que nós temos  de feriados e principalmente de ponto facultativo”.

“Isso é muito ruim, principalmente aquelas pessoas que recebem o salário com o resultado da venda perde-se também. O Brasil precisa produzir, precisa menos feirado, precisa rodar essa máquina gigante a todo vapor para que a gente possa sair dessa crise econômica e dar um volume maior de empregos”. 

Levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC),  estima que este ano as perdas para o comércio sejam 22% menores R$ 17,25 bilhões), em comparação ao ano passado que contabilizou um prejuízo de R$ 22,11 bilhões. 

A menor interferência dos feriados no varejo sobre a atividade comercial, também é analisada pelo presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota. Na opinião dele, quando um feriado cai num dia da semana prejudica a atividade. O ideal é que esse feriado ocorra na sexta-feira ou na segunda-feira. “Ele cria até um fim de semana muito propício para a atividade econômica do turismo, sendo favorável. Apesar de perdas menores, de qualquer maneira atrapalha, quebra a sequência de atendimento comercial. O que afeta as empresas e seus movimentos e às vezes, se tiver  consequências mais perigosas, é capaz de retrair o próprio mercado de trabalho”.

Prejuízos

De acordo com o economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, os ramos de atividade em que a relação entre folha de pagamento e faturamento se mostra mais elevada tendem a sofrer os maiores impactos. A estimativa é que, juntos, os segmentos de hiper e supermercados (R$ 3,33 bilhões); de vestuário e calçados (R$ 2,83 bilhões) e o comércio automotivo (R$ 2,63 bilhões), que concentram 55% das folhas de pagamento do comércio varejista brasileiro, respondam por mais da metade (51%) das perdas. “Por mais que as vendas possam ser parcialmente compensadas nos dias imediatamente anteriores ou posteriores, o peso relativamente elevado da folha de pagamento na atividade comercial é a principal fonte dos prejuízos impostos pelos feriados”, destacou.

Segundo a confederação, em matéria veiculada no Jornal Extra, cada feriado em dia útil gera um prejuízo de R$ 2,46 bilhões ao varejo, reduzindo o ganho anual médio do setor como um todo em 1,29%. Considerando todas as atividades econômicas, provoca um impacto de R$ 10,12 bilhões na geração do Produto Interno Bruto (o equivalente a 0,12% do PIB anualizado). Sendo assim, os feriados de 2022 deverão impactar o excedente operacional do comércio em 9%.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que há dois lados da situação. “Apesar de favorecer atividades econômicas específicas, como as turísticas, por exemplo, para boa parte dos demais setores da economia a maior incidência de feriados em dias úteis tende a gerar prejuízos, por conta da queda no nível de atividade ou pela elevação dos custos de operação”.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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