Venda de veículos cresce 7,68% no Amazonas, em 2021

Em: 11 de janeiro de 2022

As vendas de veículos automotores do Amazonas emendaram um segundo mês seguido de alta, entre novembro e dezembro. A despeito da resiliência da crise de abastecimento e das altas dos juros e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o volume comercializado avançou em todas as comparações e ficou acima da média nacional em praticamente todas. Foram vendidas 7.019 unidades no Estado, 16,61% a mais do que em novembro de 2021 (6.019) e 13,65% acima de dezembro de 2020 (6.176). Em 12 meses, o resultado foi positivo em 7,68%, com 55.812 (2021) contra 51.833 (2020). 

Os dados regionais referentes ao Amazonas foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta sexta (7). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

A expansão experimentada pelo segmento de revendas de veículos no Estado seguiu na mesma trajetória registrada pela média brasileira, mas com índices melhores nas variações mensal e anual. O setor como um todo registrou elevação de 13,99% em todo o país, entre novembro (296.191) e dezembro (337.623). Mas, em relação ao mesmo mês do ano passado (363.081), houve retração de 7%. O acumulado dos 12 meses do ano fechou positivo em 10,57%, com 3.497.077 (2021) contra 3.162.654 (2020) veículos novos. O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa da Fenabrave (+11,1%), que projeta alta de 5,2% para 2022.

Automóveis e motocicletas

Apenas uma das sete categorias listadas pela Fenabrave caíram na variação mensal, em resultado melhor do que o de novembro, que registrou dois recuos. O melhor desempenho proporcional veio do segmento minoritário dos implementos rodoviários, que cresceram 61,54% (21), invertendo o placar anterior. Foram seguidos por comerciais leves (+38,99% e 884), caminhões (+37,89% e 131) e “outros veículos”, que incluem tratores e máquinas agrícolas (+33,33% e +40). Na sequência estão os majoritários automóveis (+29,83% e 2.411) e motocicletas (+4,71%) – que voltou a apresentar o maior número absoluto de vendas (3.493), apesar de ter tido a menor alta. A única marcha a ré veio dos ônibus (-25% e 39).

O cenário é um pouco pior, quando se leva em consideração a comparação com o desempenho de dezembro do ano passado. Motocicletas (+43,80), comerciais leves (+41,89%) e caminhões (+24,76%) e “outros veículos” (+5,26%) conseguiram aumentar vendas neste cenário. Em contraste, implementos rodoviários (-70,83%), ônibus (-47,30%) e automóveis (-14,96%), encerram o ano ainda sustentando dados negativos.

Pelo quinto mês seguido, os carros convencionais cederam lugar para os veículos de duas rodas, no ranking das categorias mais vendidas no Amazonas. Apesar da aceleração mensal, os automóveis voltaram reduzir sua participação no bolo de vendas do Estado, no confronto dos acumulados de 2020 (43,54%) e de 2021 (33,68%). As motos continuaram na primeira posição, avançando na comparação dos dados de janeiro a dezembro deste ano (47,27%) com igual intervalo de 2020 (39,41%).

Vale notar que os números também refletem, em parte, a dinâmica do mês anterior, em virtude dos entraves logísticos do Estado. Em matérias anteriores como a reportagem do Jornal do Commercio, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado.

Juros e IOF

Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, já havia assinalado que o estrangulamento na oferta é mais acentuado nos “carros populares”, em detrimento de automóveis de luxo e SUVs, apesar do tempo de espera. O empresário avaliou que a escalada dos juros e do IOF, bem como os maiores rigores na concessão de financiamentos bancários contribuíram para uma aceleração da tendência e redução das vendas globais. 

“Tivemos uma pequena retração, devido ao aumento dos juros e ao aperto no crédito. A mudança veio dos bancos, porque os carros novos ainda faltam. Mas, continuamos vendendo e a procura está boa, também. Acho que o cenário deve continuar assim, pelo menos até o meio de 2022”, sintetizou, ressalvando que a empresa atua em cenário “um pouco diferente” da “situação crítica” das concessionárias, ao trabalhar com multimarcas e mais bastecida.

A situação não é muito diferente no caso dos seminovos. Sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, considera que dezembro foi “um mês bom”, embora tenha registrado menos vendas do que as do mesmo mês de 2020. O empresário destaca, no entanto, que a base de comparação apresentou um “boom de vendas”, em função da euforia pós-primeira onda e dos “muitos incentivos”. Ainda assim, informa que a empresa cresceu 18% ao final do ano passado, superando a meta de 15% – revisada três meses antes.

“Em janeiro, já começamos muito bem e com grandes expectativas, pois a volta da alíquota antiga de IOF vai impulsionar bastante o crédito automotivo, com toda certeza. E a contínua falta de veículos novos também deve continuar impulsionando os preços e oferta dos carros novos, assim como a dos seminovos, que é o segmento em que atuamos. Projetamos um primeiro semestre de bastante crescimento, mas ainda fica meio incerto dizer algo para o segundo”, ponderou, sem arriscar projeções. 

“Ano complexo”

Em comunicado à imprensa, o novo presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, assinalou que os números ficaram “bem próximos” aos divulgados nas últimas projeções a entidade. “O ano foi complexo, em diversos aspectos. Ainda vivemos uma crise global, de abastecimento de insumos e componentes na indústria, e novos desafios têm surgido para o setor, como os constantes aumentos nas taxas de juros, que vêm impactando nos financiamentos. Ainda assim, conseguimos fechar 2021 com o 12º melhor resultado, desde 1957”, analisou.

O dirigente salienta, entretanto, que o mercado brasileiro tinha potencial de absorver em torno de 20% a mais do que o total de automóveis e comerciais leves vendidos no ano passado. “A boa notícia é que, em dezembro, a indústria conseguiu finalizar muitos veículos que estavam à espera de componentes”, amenizou. A má notícia é que o índice de aprovação de crédito para ambos os segmentos não passa de 68%, em função do aumento dos juros e da inadimplência. “As instituições financeiras têm se mostrado mais seletivas nas liberações”, encerrou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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