Após um ano em meio de obras para a construção da rede de drenagem, com a abertura de uma cratera, empresários do comércio localizado em torno da rua Henrique Martins, área central da cidade sofrem mais um revés. O desabamento de um prédio na localidade no último dia (18), deve comprometer o volume de vendas com as datas sazonais mais aguardadas pelo setor. A expectativa desanima empresários que temem o atraso na entrega das obras pela Prefeitura de Manaus, previstas para acontecer em 60 dias.
Jorge Lima, presidente da ACA ( Associação Comercial do Amazonas), diz que o reflexo da queda no volume de vendas daquela área é grande porque se trata de um ponto onde grande parte das pessoas transitam. “Os passageiros descem do ônibus na avenida Epaminondas e tomam como via de acesso justamente aquele local. Aquela área é de grande movimento e a limitação de transitar automaticamente restringe o acesso às lojas entorno”.
Segundo Lima, além da lentidão do município para a conclusão das obras, vários entraves dificultam a execução, como o próprio inverno amazônico e agora com mais a situação do desabamento do prédio fica ainda mais difícil. “É complicado para o comércio. Passamos por um período crítico de pandemia, seguido dos efeitos ocasionados pela cheia e agora com esse sinistro, se torna ainda mais difícil. O pior que coincide novamente, com o inverno amazônico”.
O presidente da entidade, prevê que as vendas para a tão aguardada Black Friday, sejam afetadas com retração de 20%. “A confiança do empresário é essa. Perda nos lucros com prejuízos nas vendas. Vamos aguardar o Natal. A categoria estima que até lá, parte da obra seja entregue e que os transtornos causados pela execução da obra pelo município não frustre o otimismo de uma das datas mais importantes para o comércio”, espera.
Para Lima, é lamentável a situação. Ele diz que é um desabafo do comércio da região que tem feito pressão para que a prefeitura entregue em 60 dias a obra que já se arrasta há um ano.
Descaso
O empresário dono de vários estabelecimentos na área, Aly Bawab, entende que a obra do local, não foi levada a sério como os mesmos processos de outras obras. “Temos dois exemplos daquela obra da Djalma Batista que foi entregue em um ano e a da Torquato Tapajós em 90 dias. O maior problema dessas galerias do Centro é a manutenção que deixa a desejar não somente pela gestão atual. Só fazem o reparo”.
Aly ressalta que o município teve um período favorável para a conclusão da obra com o verão amazônico. Mas conforme o empresário, as obras ficaram paradas e a desculpa envolvia questões licitatórias. “Levou muito tempo para começar. Tinha que ser tratado como uma questão urgente porque toda a galeria da área recebe águas pluviais de várias ruas em período de chuva. Um processo longo que está gerando uma perda gigantesca para os lojistas”.
Estamos tentando recuperar as perdas e esperando que o Natal possamos respirar. Temos um tapume na área que ocupa um grande espaço impedindo a movimentação das pessoas.

A prefeitura precisa acelerar. Tem que estar atenta para não acontecer outro episódios como esse”, comenta.
O empresário reforça a insegurança dos comerciantes da região com os últimos acontecimentos. E enfatiza que precisam da rua livre para trabalhar, “precisa ser levado a sério. Aqui na área central temos o metro quadrado mais caro. É a localização que gera maior imposto e precisa dar o devido valor. Contamos que até o fim deste mês deem celeridade ao que a obra precisa”.
Nota
Por meio de nota a Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura), informou que a Prefeitura está realizando a limpeza mecanizada, retirando os resíduos de construção e demolição e desobstruindo o canal da galeria e que mantém o prazo estimado de 60 dias para a conclusão.
No entanto, em declaração a um portal de notícias, o chefe da distrital do centro histórico, Efraim Costa, disse que os trabalhos estão ocorrendo no horário noturno e que o andamento vem sendo prejudicado pela cheia do rio Negro. Porém, ele disse que não há como prever data de término para as obras. “Teremos que mudar a concepção de execução da obra para dar continuidade, por conta do desabamento. Não há como dar uma data exata. Estamos fazendo a limpeza do local”.
Saiba mais
Em dezembro passado, cerca de 500 comerciantes filiados à ACA sentiam-se prejudicados após a ruptura na fundação de um prédio de três andares na mesma área. Na ocasião, eles fizeram um apelo ao município e solicitaram a agilidade na demolição do imóvel, além de reforçarem a falta de estrutura e manutenção nas galerias.
Lima enfatizava que o processo de execução por parte da prefeitura dava-se de forma lenta e desorganizada. Somada ao período de chuvas, o entulho da obra voltava para a galeria entupindo, o que causou o maior transtornos para os estabelecimentos da área.







