Mais de 52 mil consumidores de Manaus deixaram a lista dos pendurados no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), segundo informou o presidente da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ralph Assayag. Os “nomes sujos” conseguiram sair da lista negra de inadimplentes graças a campanha “Limpe seu crédito e faça seu nome brilhar” promovido pela federação.
A campanha, que encerrou ontem, tinha como meta atingir cerca de 50 mil CPFs (Cadastro de Pessoa Física), uma expectativa que foi superada pelos resultados. O número representa 13,86% do total de inadimplentes do comércio varejista da capital – que atualmente é de 375 mil pessoas.
Na avaliação de Assayag, o desempenho da campanha foi satisfatório. “Os fatores que ajudaram a ultrapassarmos essa meta foram mais contratação de mão de obra na capital, gerando mais emprego, além de melhorias nos salários. Muita gente usou esse dinheiro para negociar suas dívidas com o comércio”, frisou.
Negociações continuam
Apesar de a campanha da FCDL/AM ter acabado, muitos lojistas deverão continuar oferecendo negociações com os clientes em débito. A razão é que o empresariado local está de olho na segunda parte do 13º salário do amazonense e por isso algumas lojas se preparam para esticar a campanha até o fim de dezembro. Este é o exemplo do grupo TVLar, que ambiciona retirar entre 5% a 10% a mais de clientes com dívidas pendentes.
“Uma média de 20% da nossa carteira de inadimplentes conseguiu negociar. Foram mais de 3.000 clientes que saíram da lista e pretendemos alcançar de 1.000 a 1.500 nomes até o dia 31”, comemorou o diretor da TVLar, Antonio Azevedo.
Outra rede que prorrogará as negociações até o término de 2010 é a Bemol. Sem divulgar valores, a gerente administrativa da empresa, Rosália Araújo, disse que a companhia conseguiu recuperar aproximadamente 34% das dívidas atrasadas de seus clientes. Foram 7.027 negociações, mostrando-se um número acima do obtido ano passado (6.000).
“Mandamos muitas propostas de negociações pelo correio e nem todos responderam. O motivo se deve, em parte, por endereço desatualizado e, em outra, porque alguns clientes vieram na loja ou acessaram o site e renegociaram um valor diferente do encaminhado na carta”, informou.
Já o Armazém Paraíba ainda estuda a possibilidade de expandir a campanha durante o mês de dezembro. De acordo com o chefe de cobrança da loja, Benedito Oliveira, caso a empresa adote um prazo a mais para os clientes em débito, este poderá ser divido em três etapas. A primeira com previsão que vai do 03/12 a 10/12 e a segunda de 10/12 a 20/12. Se os resultados atenderem às expectativas, poderá chegar à terceira etapa, encerrando no dia 31 de dezembro.
Ainda conforme Oliveira, o Armazém Paraíba ofereceu a oportunidade de negociar com até 50% desconto sobre os juros e 35% de desconto, também em cima dos juros, para quem dividiu o débito. Os clientes que optaram pelo parcelamento tiveram a chance de negociar em no máximo 60 vezes. Se a empresa mantiver a campanha, as condições não serão alteradas.
Calote das empresas tem queda recorde
A inadimplência das empresas apresentou a maior queda em dez anos, no confronto de outubro com setembro, segundo indicador da Serasa Experian.
Nesse comparativo, houve recuo de 3,4%, a maior diminuição registrada entre esses meses desde o ano 2000, quando o levantamento começou a ser feito.
A pesquisa também verificou redução ante o mesmo mês de 2009 (-3,8%) e no acumulado (-6,2%) -em ambos os casos, a maior queda nesses confrontos desde 2004.
“Bom momento”
Segundo os economistas da Serasa, a inadimplência das empresas continua em queda, refletindo o “bom momento da atividade econômica”. Depois do desempenho do consumo e da produção entre julho e setembro, devido à política monetária restritiva, a reação esperada para a economia no último trimestre traz expectativas positivas para as finanças empresariais.
Na análise por porte, a inadimplência das micro e pequenas empresas recuou 3,1% em outubro ante setembro e 3,7% no comparativo com o mesmo período em 2009. Entre as médias, as quedas foram de 3,4% e de 9,3%, respectivamente. Quanto às grandes empresas, o decréscimo foi de 13,6% na comparação mensal e de 3,2% na relação anual.






