Amazonas vende R$ 14,71 bilhões em junho com nota fiscal eletrônica

Em: 15 de julho de 2020
Vendas com nota fiscal eletrônica aceleram em junho no Amazonas, segundo informa a Receita Federal
Vendas aceleram em junho no Amazonas

A média diária de vendas com NFe (nota fiscal eletrônica) no Amazonas superou R$ 490,31 milhões em junho, o maior patamar de 2020. As vendas tiveram resultado 21,18% acima do apresentado em maio (R$ 404,62 milhões) – o segundo mês de implementação de medidas de isolamento social em Manaus – e alcançaram uma performance 79,94% superior ao mergulho de abril (R$ 272,15 milhões) – auge da pandemia no Estado. A média registrada nos primeiros dias de julho, contudo, já desacelerou para R$ 469,68 milhões.

Em termos absolutos, o Amazonas contabilizou quase R$ 14,71 bilhões em vendas com NFe, no mês passado, configurando crescimentos de 17,30% sobre maio (R$ 12,54 bilhões) e de 80,27% em relação a abril (R$ 8,16 bilhões). O valor de junho, contudo, ficou abaixo dos registrados em janeiro (R$ 14,86 bilhões) e março (R$ 15,03 bilhões). Os dados foram fornecidos ao Jornal do Commercio pela Superintendência da Receita Federal na 2° Região Fiscal – que não dispunha dos números de 2019.

O Amazonas superou o Brasil, conforme aponta a segunda edição do Boletim da Receita Federal. A média diária de vendas em todo o país com NFe atingiu R$ 23,9 bilhões em junho, o maior número do ano. O montante foi 15,6% maior que o mês de maio – que já foi 9,1% melhor do que abril. No texto do boletim, o fisco apontou que o movimento agregado das notas fiscais eletrônicas sinaliza recuperação gradual da economia, tanto no caso das NFe per capta, quanto nas vendas entre empresas de médio e grande porte, e nas operações comerciais não presenciais de empresas para pessoas físicas.

De acordo com a sondagem da Receita Federal, as vendas por internet continuam apresentando desempenho descolado do varejo físico. A tendência de elevação se intensificou a partir de março. As variações percentuais em valor foram de 9,3% em março, 3,3% em abril,15,5% em maio e 19,2% em junho. Em relação ao mesmo mês de 2019, a média diária de vendas apuradas com a NFe em 2020 foi superior: aumento de 20,6% em março, de 17,5% em abril, de 37,4% em maio e de 73% em junho. “O ritmo de vendas do comércio eletrônico continua crescendo em 2020”, assinala o texto da pesquisa. 

Aquecimento e sazonalidade

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, conta que, depois de amargarem três meses com lojas fechadas, empresários de vários segmentos com quem o dirigente vem conversando são unânimes em demonstrar seu entusiasmo com as estatísticas de junho e expectativas para julho.

Segmentos como de calçados e confecções, segundo Frota, “vão muito bem” e devem alcançar até 40% de alta entre junho e julho. O comércio de material de construção e de eletroeletrônicos também começam a ganhar desenvoltura, conforme o presidente da Fecomercio-AM. Isso se deve tanto ao aquecimento na reabertura comercial, “a demanda represada” e à mudança sazonal das vendas na troca do inverno pelo verão.

“O comércio passou muita dificuldade e desespero, até voltar a respirar. É claro que há algumas pendências que têm que ser trabalhadas, já que muitas empresas estão com os tributos atrasados em virtude da pandemia e das medidas de isolamento. A multa de 20% sobre o valor devido é muito alta para quem já queimou capital de giro, e não faz sentido em um ambiente de inflação e juros baixos. Buscamos um diálogo com o governo, para ver se essa multa pode ser cancelada ou as dívidas parceladas a juros plausíveis”, ponderou.     

Transição de expectativas

Em sintonia, o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Filho, assinala que a virada de junho para julho assinala uma transição de semestres e de expectativas. Há, de um lado, a escalada dos preparativos da indústria para o fim de ano, com a criação de estoques. Por outro, a capacidade de reação do mercado e a própria dinâmica da crise da covid-19 geram incertezas para o empresariado, no médio prazo. 

“Temos uma reabertura ensaiada em vários municípios brasileiros e o fechamento em outros, onde os números da pandemia voltaram a subir. Há expectativa de novas liberações de FGTS, pagamento da segunda parcela do 13º para o funcionalismo de municípios e Estados, além de uma sobrevida de dois meses para o auxílio emergencial. Por outro lado, o e-commerce está bombando. Acredito que ainda vamos ter aquecimento de baixo impacto e inferior a 2019, mas temos que ver quais serão as próximas medidas do governo para a economia”, arrematou.     

Auxílio emergencial

Em depoimento anterior, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, disse ao Jornal do Commerco que a reabertura do varejo rendeu números positivos para o setor e muitas lojas de bairro e do Centro tiveram vendas acima do esperado. O dirigente salientou, contudo, que a maior parte do movimento se restringiu às “compras de poder aquisitivo mais baixo”, trazendo incertezas para o médio prazo. 

“A irrigação de dinheiro que o governo federal fez com o auxílio emergencial funcionou muito bem. Meu sentimento é que, enquanto fluírem esses recursos a fundo perdido, é possível que o comércio reaja mais rápido e a situação de vendas seja melhor. O problema vai ser quando acabar essa ação do governo: como vai ficar o varejo e os empregos? Aí é que vamos ver realmente como vai se comportar a economia do país e o desempenho do setor”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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