As vendas reais na indústria apresentaram em novembro um crescimento de 0,7% na comparação com o mês anterior. É o quinto mês consecutivo de aumento, segundo dados divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
No acumulado dos 11 meses do ano passado, a expansão chega a 5,1%. As vendas em relação a novembro do ano passado tiveram um crescimento de 6,8%.
“A atividade industrial continua mostrando um vigor muito forte no último trimestre do ano”, afirmou Flavio Castelo Branco, da Unidade de Política Econômica da CNI.
O dado mensal considera os fatores sazonais no período. No entanto, Castelo Branco ressalta que há uma distorção, já que o feriado da Consciência Negra (20 de novembro) não atingiu todos os municípios.
As horas trabalhadas na produção tiveram um recuo de 0,5% em novembro na comparação com outubro, e o nível de pessoal empregado, uma queda de 0,1%. Para a CNI, estas variações são conseqüência do efeito calendário, e não uma perda de ritmo da atividade econômica. No ano, esses dois indicadores apresentaram crescimentos de 3,9% e 3,8%, respectivamente. Após uma série de recordes, a utilização da capacidade instalada, no índice original, subiu para 83,9% em novembro, ante 82,3% em novembro de 2006.
Na comparação com o mês de outubro de 2007, em que a utilização era de 84,3%, houve uma queda. O índice dessazonalizado ficou em 82,9%, contra 82,8% em outubro e 81,3% no mês de novembro de 2006.
A capacidade instalada reflete qual quantidade de produtos que uma indústria é capaz de fabricar com as máquinas e unidades que tem. Quanto menor o uso, maior a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar alta nos preços.
Pressão da demanda é aliviada
A indústria de transformação deverá conseguir atender o aumento da demanda causada pelo crescimento da economia. A CNI não trabalha com a hipótese de pressões por acreditar que os investimentos feitos no ano passado já se traduziram em maior capacidade de produção em 2008. “O cenário é de razoável tranqüilidade no atendimento da demanda industrial”, afirmou Flávio Castelo Branco, da Unidade de Política Econômica da CNI.
Segundo Castelo Branco, nesse ano as empresas irão começar a produzir em novas fábricas. Essa maturação dos investimentos fará com que o setor fique com uma maior capacidade instalada e possa atender a aumentos de demanda.
A capacidade de atender a demanda irá contribuir para o ritmo de crescimento das vendas reais (descontada a inflação) do setor.
Em novembro, as vendas cresceram 0,7% (dado dessazonalizado) na comparação com outubro e 6,8% na comparação com o mesmo mês de 2006. No acumulado de 2007 até novembro, a expansão é de 5,1%. A CNI acredita que o desempenho ficará próximo ao registrado em 2004, que foi de 5,4% -o melhor ano da indústria. A expectativa é que o mesmo se repita em 2008.
Entretanto, apesar de ter traçado um cenário o cenário positivo para esse ano, a CNI ressalta que alguns fatores podem atrapalhar a manutenção desse ritmo de crescimento.
“O ano de 2008 começa muito bem. Se não houver contratempo, o ritmo de 5% de crescimento continua, mas há alguns senões”, ressaltou Paulo Mol, também da CNI. Entre os senões destacados por ele estão a inflação (alimentos e commodities) e as incertezas em relação à economia dos Estados Unidos.
Os feriados prolongados concentrados no segundo semestre ajudam a explicar a volatilidade da produção industrial em 2007. Segundo a CNI as variações mensais são menos precisas para apontar mudanças significativas no dinamismo da atividade econômica.







