Não só a folia dos blocos e bandas de Carnaval chegou um pouco tarde, mas as vendas do comércio em Manaus também atrasaram um pouco. Segundo representantes do setor, a mudança do período festivo de fevereiro para março prejudicou alguns segmentos que esperam se recuper ainda esta semana.
“Ainda não temos dados consolidados de fevereiro. Mas, pelas conversas que tive com empresários do ramo de alimentação, calçados e armarinho, eles fizeram muitas reclamações e disseram que as vendas não foram como o esperado”, comentou o presidente da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ralph Assayag.
Sem revelar números do balanço mensal, Assayag crê que as vendas no geral obtiveram um bom desempenho, porém não conseguiram alcançar um patamar que agradasse o empresariado. Ele prevê que em fevereiro as vendas cresçam de 1% a 1,5% em comparação com o mesmo período de 2010.
“Foi um mês atípico para o comércio. Muitos segmentos obtêm boas vendas com as festas e feriados do Carnaval, o que não ocorreu em fevereiro. Esta foi a primeira vez, em nove anos, que a data caiu em março. Acredito que até segunda [7] seja o momento de crescer em termos de vendas”, previu.
A avaliação é a mesma do presidente da Fecomércio/Am (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros. Para ele, as lojas que comercializam adereços carnavalescos e fantasias começarão a sentir o aquecimento logo na primeira semana de março.
Outro ponto destacado por Tadros é o “esfria” que o governo federal quer aplicar à economia nacional a fim de fugir do fantasma da inflação. A presidente da República, Dilma Rousseff, anunciou há algumas semanas que iria reduzir os gastos do governo. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, esmiuçaram as áreas do governo que iriam sofrer o corte de R$ 50 bilhões. Apesar de a intervenção no Orçamento da União não ter como objetivo a redução na inflação da economia nacional, como afirmou Mantega, este acaba sendo o principal efeito gerado. E este é justamente o resultado colateral temido por Tadros para as vendas do comércio de Manaus.
Intenção de compra
No início de fevereiro, o Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) divulgou que 42,3% dos consumidores de Manaus aumentariam a intenção de compra para bens de livraria/papelaria e material de escritório. Logo depois, ficaram os itens de vestuário (25%), calçados (24,3%), utilidades domésticas (6,5%), material de construção (6,3%), móveis e decorações (4,8%).
A pesquisa também revelou que 62,4% acreditam que a economia para os próximos seis meses estará um pouco ou muito melhor, 34,2% esperam que permanecerá inalterada e 2,8% relataram que a situação estará um pouco pior do que a atual.






