Vendas de materiais de construção crescem 18%

Em: 17 de agosto de 2008
Início do verão, expansão do crédito, aumento da capacidade de compra e parceria das lojas com bancos fede­rais são os principais fatores da alta demanda
Início do verão, expansão do crédito, aumento da capacidade de compra e parceria das lojas com bancos fede­rais são os principais fatores da alta demanda

Com o fortalecimento do mercado imobiliário, já impulsionado por mudanças nas condições de financiamento, taxas de juros menores e prazos maiores, além do aumento no emprego e renda per capita da população local, o varejo de materiais de construção e louças comemora o avanço de 18% nas vendas entre janeiro e julho deste ano.
Nos cálculos do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), em se mantendo a média mensal de 1,8 ponto percentual de expansão nas vendas, o exercício de 2008 pode alcançar crescimento acumulado de 8% a 15% no período.
Vários fatores podem contribuir para esse crescimento setorial, segundo o assessor econômico da Fecomercio, José Fernando Pereira da Silva, que elencou a expansão do crédito e a queda de preços de itens importantes, os quais favoreceram o aumento na procura por materiais de construção, especialmente dos consumidores das faixas B e C. “E essa capacidade de compra dos consumidores inseridos nessas faixas de renda, que representam mais de 43% da população manauara, tende a aumentar, à medida que é ampliada a oferta de imóveis na capital”, afirmou.

Correspondentes bancários

José Fernando acrescentou ainda que, além do fortalecimento local do mercado imobiliário, o fato de dezenas de lojas de material de construção passarem a ser correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal influiu diretamente na demanda sazonal. “Além disso, o regime de chuvas na capital amazonense comanda a sazonalidade do comércio, por isso essa alta procura detectada pela Fecomercio deve seguir até meados de dezembro, quando as vendas geralmente dão uma arrefecida”, explicou.
Na outra ponta, dados da pesquisa sobre mercado imobiliário divulgada pelo Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), apontam que 1.064 unidades habitacionais com valores entre R$ 100 mil e 200 mil (imóveis considerados populares, com dois quartos) foram vendidas em toda a capital durante o segundo trimestre.
Nesse contexto de alta procura, os bairros da zona oeste e centro-oeste, onde os imóveis alcançam em média R$ 93,23 por metro quadrado, segundo valores da Superintendência do Registro Imobiliário, Avaliação e Perícia da PGM (Procuradoria Geral do Município), foram a maioria na escolha do consumidor pelo endereço.

Oferta de crédito

Na opinião do presidente do Sicomat-AM (Sindicato do Comércio Varejista de Louças, Tintas, Ferragens e Materiais de Construção do Amazonas), Aderson Frota, o segundo semestre coincide com o início do verão (época como é chamada o período de sol) na capital, momento em que as vendas de materiais de construção podem superar em até 20% o semestre anterior. O executivo calcula que a oferta de crédito e os juros altamente civilizados levam para uma estimativa entre 8% e 12% de crescimento acumulado ainda para este ano. “É claro que essa expansão nas vendas se concentra muito mais sobre produtos como cimento, vergalhões e barras de ferro, telhas e materiais de acabamento, mas o setor vem embalado no crescimento conjunto da demanda por imóveis”, asseverou Aderson.

Classe baixa compra mais

Na opinião do analista econômico Rodemarck Castelo Branco, o consumidor de baixa renda, apelidado de “formiga”, é o principal responsável pela alta de 18% no varejo de material de construção. “Ele continua comprando, muitas vezes, um pouquinho de cada vez e à vista, mas a redução dos juros e o aumento da oferta de crédito, até sem comprovação de renda em algumas lojas, estão favorecendo a expansão desse tipo de consumo”, ressaltou.
O diretor da CII (Câmara da Indústria Imobiliária) do Sinduscon, Frank Souza, disse que as compras de material de construção no varejo se destinam geralmente para reformas ou para construções informais, tendo, portanto, pouca influência das empresas de construção civil. “Todo esse ciclo começa com a expansão imobiliária e alcança a ponta final da cadeia de vendas da construção civil. Quem deseja um imóvel popular, naturalmente quer adequá-lo às suas necessidades”, finalizou.
Apesar da indiferença, os números da Fecomercio mostram que a média geral do consumo deve alcançar o recorde de 2006, quando 2,7% das famílias compraram material de construção. A última Pesquisa Anual de Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referente ao ano de 2004, mostrou a pulverização do varejo de material de construção. No final de 2004, a categoria contava em todo o país com 125.302 empresas, que faturaram perto de R$ 31,2 bilhões, contra R$ 25,4 bilhões em 2003.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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