Acompanhando os resultados negativos nas vendas mês a mês, o Polo de Duas Rodas registra quedas no comparativo anual. Agosto teve registrado 83,2 mil unidades vendidas para o mercado interno, um recuo de 18,3% em comparação com agosto de 2015 (101,9 mil unidades). E mesmo com dois dias úteis a mais que o mês anterior, a média diária de vendas nacionais apresentou queda de 6,2%, passando de 3,5 mil em julho para 3,3 mil motocicletas em agosto. Mas segundo o presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian, o panorama pode melhorar nos próximos meses.
A retração também se fez presente na comparação com o oitavo mês de 2015, quando foram comercializadas 4,6 mil motos, contra 3,3 mil (variação negativa de 28,9%). Segundo o presidente da Abraciclo, as medidas a serem tomadas pelo governo Temer podem ser benéficas à indústria de duas rodas. “Muito embora o resultado de agosto tenha sido um dos piores do ano, o setor tem expectativa de recuperação das vendas para os próximos meses em função das medidas econômicas a serem implantadas”, afirma Fermanian.
O baixo volume de vendas é atribuído ao desemprego e alta inflação, o que desestabiliza o setor que já é enfraquecido pela baixa produtividade, explica o diretor-executivo de relações institucionais da Moto Honda, Paulo Takeuchi. “Em junho falávamos de manter a estabilidade na produção, estabilidade que cresceria junto a melhora do panorama econômico. A produção veio caindo e as vendas também não foram boas, agora a expectativa de melhora fica para o futuro quando o ‘novo’ governo que aí está poderá implantar as reformas econômicas prometidas”, afirma o representante da Honda.
Concordando com as previsões da Abraciclo e também confiante, o consultor de vendas da Canopus (concessionária Honda em Manaus), Marcos Lamego vê melhoras para outro período. “Agosto teve vendas favoráveis, ainda que poucas, sei que já houve tempos melhores, mas fechei bons negócios nesse mês. Esperamos o mesmo para setembro, mas sabemos que a crise vem dificultando a aquisição de novas motos pelo consumidor”, disse o consultor para quem às vezes, um dia compensa outro.
“O mercado está variando entre dias bons e outros nem tanto. Mas algumas unidades da concessionária têm se destacado no ranking de vendas. Manaus usa motocicletas por necessidade, mas ainda assim, há o recuo nas vendas. Tudo embalado pelo receio de não ter como quitar dívidas no caso de se ficar sem emprego”, disse o consultor.
Baixa produção
Em agosto, por exemplo, foram produzidas 92,7 mil motocicletas, uma redução de 18,6% em relação ao mesmo mês de 2015 (113,9 mil unidades). De acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) os números são justificados por terem sido computados no período de férias coletivas do PIM (Polo Industrial de Manaus) o que diminui naturalmente o volume das fábricas. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o setor de duas rodas segue registrando números negativos para produção e vendas: 30,8% (913,9 mil x 632,3 mil unidades) e 29% (854,6 mil x 607,1 mil unidades), respectivamente.
Arranque nas exportações
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações cresceram 9% ou 39.454 unidades vendidas. Agosto teve 724 motos vendidas a mais que 3,7 mil de julho, um crescimento de 19,1%. Mas, em comparação ao mesmo mês de 2015 (9,3 mil), a queda foi de 51,7%.
Emplacamentos
Com base nos licenciamentos realizados pelo Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), foram licenciadas 76,4 mil motocicletas em agosto, o que representa um crescimento de 2,7% ante o volume de julho, com 74,4 mil unidades, e queda de 22,1% em relação a agosto de 2015 (98,1 mil).







