As vendas de Natal ficaram dentro das expectativas dos varejistas amazonenses e avançaram 5% sobre os números do ano anterior, conforme informações fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus). Mas, diferente do desejado, eletroeletrônicos em geral e eletrodomésticos em particular, deram lugar às confecções.
A maioria esmagadora das vendas do Natal deste ano se deu por cartão de crédito e carnê no Estado, conforme o presidente da CDL-Manaus, sendo que uma faixa de 30% das vendas foi feita em dinheiro. Na capital amazonense, os shoppings foram os pontos de venda preferenciais do consumidor em 2019, sendo seguidos pelo comércio do Centro de Manaus e das lojas de bairro.
Os resultados vieram em sintonia com as expectativas. A CDL-Manaus não divulgou uma pesquisa global de intenção de compras, mas sondagem da entidade com os beneficiados pelo 13º salário indicava que, entre os consumidores dispostos a gastar neste Natal, as escolhas priorizavam vestuário (19,80%), calçados (13,60%), alimentação/ceia natalina (11,80%), reforma/material de construção (6,40%) e presentes/brinquedos (4,80%), entre outros. A maioria (26,50%), contudo, pretendia pagar dívidas.
De acordo com o presidente da entidade, Ralph Assayag, em termos de volume, o segmento varejista de vestuário liderou com folga as vendas para a data comemorativa. Na medida em valores, em contrapartida, telefones celulares ficaram em primeiro lugar no ranking de produtos de maior saída no varejo amazonense, neste Natal – graças ao valor comparativamente mais elevado dos produtos.
“O número foi positivo para as lojas, que se preparam bem para a data. Esperávamos um desempenho melhor dos eletrodomésticos, que costumam sair bastante nesta data. Mas, temos que levar em conta que há um número bem maior de lojas de vestuário e o consumidor usa muito o celular atualmente e fica tentado a aproveitar a data para adquirir um modelo novo”, ponderou o presidente da CDL-Manaus.
Contratações e descontos
O dirigente atribui a expansão das vendas ao aumento das contratações na indústria, nos serviços, na construção civil e no próprio comércio do Amazonas. Ralph Assayag ressalta ainda que a capital amazonense recebeu a abertura de muitas lojas novas neste ano – 22 delas, só no primeiro semestre de 2019 –, sinalizando a reativação dos negócios do varejo. Outro fator citados pelo executivo é o aumento no volume injetado na economia pelo 13º salario neste ano.
O comércio se preparou para o crescimento, com um número maior de estabelecimentos na campanha para a data comemorativa – e para o Black Friday também. Mais de 400 lojas engrossaram o esforço, número significativamente maior do que o contabilizado há exatos 12 meses (280). A média de descontos para a sazonalidade era de 50%.
O comércio varejista da capital amazonense contratou em torno de 4.000 trabalhadores temporários para reforçar o atendimento nas lojas neste fim de ano, contingente bem superior aos 2.900 postos de trabalhos contabilizados no Natal de 2018.
Janeiro atípico
Ralph Assayag diz que as recentes medidas governamentais para deslanchar a economia estão sendo positivas, mas demoram para produzir resultados consolidados no varejo. Enquanto a queda de juros demora em torno de seis meses para chegar na ponta do consumo, reformas estruturais como a Trabalhista e a da Previdência podem levar mais tempo para isso.
Indagado sobre o eventual impacto dos números no longo prazo, o presidente da CDL-Manaus, avalia que ainda é cedo para dizer se o desempenho emplacado pelo setor no Natal deste ano dá pistas de como será o desempenho das vendas em 2020, ou se o comportamento do consumidor amazonense neste Natal sinaliza uma tendência para os próximos meses. O dirigente ressalta, contudo, que janeiro deverá contar um diferencial de reforço em relação aos exercícios anteriores.
“O mês costuma ser muito fraco para o setor, mas será atípico no próximo ano. O governo do Estado deve pagar o salário de dezembro, juntamente com o de janeiro, o que vai reforçar a renda de um público importante para o comércio. Esperamos que os próximos meses sejam positivos para o setor, mas ainda não dá para prever nada”, finalizou.







