O ataque norte-americano a um comboio no Iraque, que resultou na morte do comandante de alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, gerou estragos não apenas nas cotações do petróleo e da bolsa, como também gerou uma corrida para o dólar. Nesta sexta (3), a moeda norte-americana subiu 0,82% e fechou em R$ 4,056, depois de sofrido alta de 0,33% no dia anterior (R$ 4,023). No mês, a cotação já registra aumento de 1,15%.
A dúvida é se a apreciação do câmbio será sustentada nos próximos dias e meses, ou se trata-se de apenas mais um movimento reativo e especulativo. Fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio consideram que ainda é cedo para perceber qual será, de fato, o movimento do mercado, mas concordam que a situação traz preocupações para a inflação e a tímida recuperação da economia brasileira, após longos anos de recessão e estagnação e ‘pibinhos’.
O conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco Assis Mourão Junior, explica que o tombo da bolsa e a escalada do dólar ocorre em virtude da fuga de capitais e do movimento de investidores na direção de reservas de valor e mercados mais estáveis, a exemplo da moeda americana e dos títulos da dívida norte-americana.
“O problema é que valorização do dólar, assim como ocorre no caso do aumento do preço dos combustíveis, tem um forte componente inflacionário, além de gerar impactos significativos na indústria brasileira. Ao mesmo tempo que torno os similares importados menos atraentes, pressiona os custos do setor, pelo aumento dos preços dos insumos. Temos que esperar para ver o que vai acontecer”, alertou.
Ouro e reservas
Proprietário da Cortez Câmbio e Turismo, Mario Cortez, concorda que a alta do dólar foi significativa para um dia, mas chama a atenção para a apreciação do valor do ouro em um período também relativamente curto: de US$ 48.020 para US$ 49.800, o quilo, o equivalente a 3,7%. No entendimento do empresário, isso pode sinalizar uma fuga dos investidores para o ativo como reserva de valor, dado o envolvimento dos EUA em uma crise que pode desembocar em solução militar e pressão na dívida pública norte-americana.
“A rigor, o dólar deveria estar caindo, já que os Estados Unidos estão expostos. Pelo que se percebe até agora, é uma reação ou um movimento especulativo, pois a demanda pela moeda não aumentou. Ainda é cedo para dizer se o câmbio continuará subindo. Mas, enquanto o Brasil tiver o volume de reservas que tem, em torno de US$ 400 bilhões, não há motivo para preocupação, apesar de os investimentos terem parado de chegar ao país”, analisou.
Câmbio e insumos
Na mesma linha, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, também não arrisca considerações de longo prazo, embora não deixe de dizer que o viés de alta do dólar deixa o setor desconfortável em relação à alta no custo dos componentes industriais de manufatura estrangeira, assim como a capacidade de seu repasse aos consumidores.
“É difícil de falar em impactos econômicos em uma ação que tirou a vida de tantas pessoas, mas temos que dizer que também há muita especulação no mercado. O câmbio ainda está alto, embora já tenha estado pior. No curto prazo, o dólar mais forte reduz o Custo Brasil para as exportações, que não é o forte do PIM. Ao mesmo tempo, encarece os insumos importados e os preços no país. Mas, temos que viver de acordo com a realidade do país, que não dita regras e costuma sofrer as consequências de ações externas”, encerrou.






