A concessionárias amazonenses de veículos zero quilômetro aceleraram as vendas em fevereiro, na contramão da sazonalidade do varejo. O volume comercializado escalou 22,61% ante janeiro – que teve três dias a mais – e passou de 5.475 para 6.713 unidades, com incremento em praticamente todas as categorias. A comparação com fevereiro do ano passado (4.888) confirmou uma decolagem de 37,34%, sustentada por automóveis, comerciais leves, caminhões e motocicletas. Com isso, o bimestre fechou com alta expansão de 18,93% e 12.188 veículos vendidos, e destaques nos mesmos segmentos.
Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e levou em conta todos os tipos de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
O Estado registrou balanço superior ao da média nacional. Fevereiro registrou licenciamento de 319.327 veículos em todo o país, com recuo de 0,99% frente ao mês anterior (322.504), mas também com um avanço de 30,14% sobre o mesmo mês de 2023 (245.377). O acumulado do ano (641.831) ficou 24,92% mais encorpado. Em comunicado à imprensa, a Fenabrave atribuiu a retração mensal à diferença de dias úteis, destacou que houve crescimento anual para a maior parte das linhas de veículos e avaliou que os números apontam para uma recuperação consistente do setor. Diante disso, a entidade reforçou sua projeção de crescimento de 13,54% nas vendas acumuladas ao final de 2024.
Automóveis x motocicletas
Cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave performaram altas no Amazonas, na variação mensal. Os melhores desempenhos vieram dos veículos pesados: ônibus tiveram as vendas expandidas em 96%, enquanto os caminhões avançaram 76,32%, com 49 e 67 unidades comercializadas, respectivamente. Na sequência estão os comerciais leves (+38,48% e 745), motocicletas (+29,55% e 4.283) e a divisão de “outros veículos”, como tratores, máquinas agrícolas e carretas (+12,50% e 36). Implementos rodoviários (29) caíram 6,45% e automóveis (1.504) praticamente empataram (-0,07%).
Os desempenhos positivos também foram disseminados na comparação com o mesmo mês do ano passado, estendendo-se a cinco categorias: comerciais leves (+99,20%), caminhões (+59,52%), motocicletas (+38,25%), automóveis (+22,38%) e “outros veículos” (+16,13%). No bimestre, quatro divisões sustentaram vendas no azul: comerciais leves (+61,79% e 1.283), carros convencionais (+18,65% e 3.009), caminhões (+17,98% e 105) e motocicletas (+15,14% e 7.589).
Com isso, os veículos de quatro rodas voltaram a diminuir a diferença em relação às motocicletas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas, após anos em trajetória contrária. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, mas caiu de 64,31% (2023) para 62,27% (2024). Pelo segundo mês consecutivo, a soma dos automóveis e comerciais leves aumentou sua fatia na mesma comparação, com 35,21% (2024) contra 32,48% (2023).
Fator crédito
Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, reforçou que o setor vem atravessando momento positivo desde o lançamento do meteórico programa de incentivo federal, e ganhou mais força com as quedas graduais da Selic. “Nosso crescimento foi de 6% a 10% nas vendas, em 2023, comparando com o ano anterior. As vendas deste ano estão boas e já estamos vendo que 2024 tende a aquecer mais, com as taxas menores de juros”, comemorou.
O empresário assinalou que o mercado de pessoas jurídicas segue aquecido e dominante no Amazonas e que, diante do atual cenário, a expectativa é de um crescimento de 10% nas vendas da empresa, neste ano. “As locadoras que sustentam grande parte do mercado, assim como as fábricas. Elas compram o ano inteiro. Estou muito otimista com o que estou vendo, e acho que o ano vai ser excelente. Se tiver flexibilidade no crédito o crescimento é certo e, pelo que se diz, isso vai acontecer. A queda nos juros e no crédito são essenciais para o nosso mercado”, afiançou.
“Ano positivo”
Em comunicado à imprensa, a Fenabrave salienta que o primeiro bimestre começou acelerado para a maior parte dos segmentos automotivos, e atribuiu a “leve retração” registrada frente a janeiro/2024 ao menor número de dias úteis e à realização do Carnaval, “que acabou impactando nas vendas”. Segundo a entidade, que representa 7.400 concessionárias de Norte a Sul do país, houve alta de 14,6% nas vendas diárias de veículos, considerando todos os segmentos, uma vez que fevereiro teve 19 dias úteis contra 22 em janeiro.
“Notamos uma recuperação geral, nas vendas diárias da maior parte dos segmentos, o que aponta para um ano positivo. São resultados consistentes para os segmentos de maior volume, o que nos deixa otimistas. Temos indicativos econômicos e setoriais que mostram uma conjuntura positiva para esse ano, especialmente pela redução das taxas de juros e um ambiente mais favorável à oferta de crédito e, portanto, à maior disponibilidade de recursos para financiamentos de veículos”, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior.
A melhora nos financiamentos, conforme o dirigente, se reflete principalmente nos segmentos de automóveis e comerciais leves. “Já é possível encontrar taxas mais atrativas para os consumidores e um cenário com maior oferta de crédito. Em fevereiro, houve alta de 18,2% nas vendas diárias de ambos os segmentos”, apontou, acrescentando que as vendas de híbridos desaceleraram no mês (6.812), mas acumulam elevação no acumulado (14.480).
Andreta Júnior observa também que o segmento de motocicletas segue aquecido e com um dos maiores índices de crescimento no bimestre. “Além da procura crescente, tanto para serviços de entrega, quanto para transporte individual, a melhora da oferta de crédito deve impulsionar os financiamentos”, concluiu, complementando que o mercado de motos elétricas (933) teve desempenho abaixo do esperado, embora continue sendo promissor e “em amadurecimento”.







