Vendas do comércio do Amazonas estacionam no mês do Dia das Mães

Em: 18 de julho de 2023
fotos: gustavo carneiro - folha de londrina - 04/05/21
fotos: gustavo carneiro - folha de londrina - 04/05/21

As vendas do varejo do Amazonas estacionaram no mês do Dia das Mães. O volume comercializado em maio foi rigorosamente idêntico ao do mês anterior, apesar dos quatro dias úteis de vantagem. A estagnação se deu após o ensaio de retomada de março e abril, em performance pior do que a da indústria e serviços, na mesma comparação. O confronto com o mesmo mês de 2022, contudo, mostrou avanço de 3,4%. Em cinco meses, a alta foi de 3,8%, elevando o crescimento acumulado em últimos 12 meses para 1,4%. É o que revela a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, nesta sexta (14). 

O Estado bateu a média nacional em todas as comparações. A atividade recuou 1% em todo o país na variação mensal, no quinto resultado próximo a zero nesse tipo de comparação. O incremento se limitou a apenas quatro dos oito segmentos do varejo, com destaque positivo para farmácias e perfumarias, e negativo para supermercados, vestuário, moveis e eletrodomésticos. Houve queda de 1% também frente a maio de 2022, dilapidando os acumulados do ano (+1,3%) e dos 12 meses (+0,8%). Diante disso, a CNC rebaixou as estimativas de crescimento do para 2023, de 1,8% para 1,4%.

Um contraponto veio dos segmentos comerciais de bens de maior valor agregado e dependentes de crédito, inseridos no chamado varejo ampliado. Apesar da escalada dos juros, houve alta significativa para os estabelecimentos amazonenses que vendem veículos e material de construção. Já a inflação manteve descolamento na receita nominal e, mesmo em trajetória de desaceleração, inibiu vendas mais fortes. Puxada pelos preços de combustíveis, passagens aéreas e alimentos, o IPCA subiu 0,23% em maio, perdendo força ante abril (+0,61%) e março (+0,71%), conforme o IBGE.

O mês foi difícil para a maior parte do comércio brasileiro. O setor avançou em apenas três das 27 unidades federativas brasileiras, entre março e abril. A estagnação levou o Estado a galgar da décima para a quarta posição de um ranking liderado por Tocantins (+1,8%) e encerrado por Alagoas (-5,9%). Mesmo com a elevação de 3,4% ante maio de 2022, o varejo local subiu do 11º para o sétimo lugar, com o melhor desempenho também em Tocantins (+17,1%) e o pior no Rio Grande do Sul (-4,8%). No acumulado do ano, o Amazonas passou da 13ª para a décima posição, com Tocantins (+13,3%) e Rio de Janeiro (-1,6%) protagonizando os extremos.

Receita e crédito

O comércio amazonense teve resultados díspares na receita nominal – que não leva em conta a inflação do período. A variação mensal ficou negativa em 2%, em desempenho inferior ao de abril (+0,1%). O confronto com maio do ano passado indicou avanço de 3,4%, mas os impactos de longo prazo do IPCA contribuíram para uma diferença ainda maior nos acumulados do ano (+5,5%) e dos 12 meses (5,2%). As respectivas médias nacionais foram -2,1%, +0,3%, +5,5 e +9,6%.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que os subsetores de veículos e material de construção apresentaram saldo significativamente positivo nas vendas, levando o varejo ampliado a um acréscimo de 1,9% na comparação com abril – contra o retrocesso de 2,3% amargado na sondagem anterior. O aumento chegou a 9,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, encorpando o desempenho de janeiro a maio (+5,4%) e tirando do vermelho a variação anualizada dos últimos 12 meses (+0,9%).

O crescimento do comércio brasileiro na variação mensal se restringiu a quatro dos oito dos segmentos comerciais sondados: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+2,3%); livros, jornais, revistas e papelaria (+1,7%); combustíveis e lubrificantes (+1,4%); e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+1,1%).

Em contrapartida, as vendas declinaram principalmente na divisão de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,2%) – que representa mais da metade das informações coletadas pela pesquisa do IBGE. Os recuos se deram também nos subsetores de tecidos, vestuário e calçados (-3,3%); artigos de uso pessoal e doméstico (-2,3%); e móveis e eletrodomésticos (-0,7%), replicando o saldo do levantamento anterior – em sintonia com a “redução de lojas físicas de grandes cadeias do varejo”, conforme o IBGE. Do lado do varejo ampliado, as vendas de veículos (+2,1%) cresceram e de material de construção (-0,9%), encolheram.

Juros e ‘bolsas’

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou que as vendas do comércio amazonense se mantiveram “sem qualquer alteração” entre abril e maio, refletindo um panorama negativo para o setor em praticamente todo o país. Mas, ressalva que os comparativos com o ano passado foram “bem positivos”, mas ressalva que panorama segue turvo para o setor. “A média móvel trimestral está levemente positiva em 0,8%, indicando que não é seguro prever aumento nas vendas para as próximas divulgações da pesquisa”, ponderou.

O presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, considera que os números do IBGE apontam para um consumidor ainda cauteloso e com medo de se endividar. O dirigente avalia que o desempenho comparativamente melhor do Amazonas se deveu em grande parte às políticas de transferência de renda, dado que o Estado possui um percentual maior de consumidores inscritos nesse programa – e renda média da população abaixo da média nacional. 

“Tem todo tipo de bolsa e o crescimento gradual no mercado de trabalho ajuda a aumentar um pouco a renda e as compras, em um ambiente de inflação desacelerada. Mas, os juros altos ainda limitam as vendas do varejo ampliado e de produtos de maior valor agregado. O que vemos é que as vendas crescem um pouco em função de datas comemorativas, como foi o Dia das Mães. Mas, julho já está meio parado. Esperamos algum aquecimento em agosto, quando teremos o Dia dos Pais”, arrematou.   

Boxe ou coordenada (Só se tiver espaço): CNC reduz expectativas para 2023 

Em comunicado à imprensa, a CNC destacou que a consolidação do recuo na inflação e os sinais “ainda positivos” do mercado de trabalho mantêm as expectativas de vendas no campo positivo. Mas, ressalvou que a “demora na redução da Selic”, “mesmo diante da convergência das expectativas rumo ao centro da meta de inflação” motivou um reajuste da projeção de 2023 para baixo, de 1,8% para 1,4%.

O economista da CNC, Fabio Bentes, salienta que as vendas estão 2,7% acima do patamar pré-pandemia, mas ressalva que o “peso do aperto monetário” é sentido nas atividades dependentes de crédito, e que a desaceleração do IPCA é suplantada pelo endividamento das famílias. Já o presidente da CNC, José Roberto Tadros, observa que as vendas do acumulado do ano foram sustentadas basicamente por supermercados (+2,5%) e combustíveis (+15,5%). “Nos dois casos, a elevação é produto da desaceleração dos preços e da menor dependência dos segmentos em relação ao crédito”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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