Vendas do Dia dos Namorados ficam abaixo em Manaus, mas otimismo permanece

Em: 20 de julho de 2023

As vendas para o Dia dos Namorados ficaram abaixo do esperado pelo comércio e serviços da capital amazonense. A alta foi de 2,5%, de acordo com a CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), que esperava aumento de 2,9%. A taxa de expansão também correspondeu à metade da apresentada no ano passado (+5%), que contou com inflação maior e juros bancários menos elevados. Com isso, a renda bruta do varejo manauense somou R$ 61,9 milhões, na terceira maior data comemorativa do calendário comercial. Já o ticket médio foi de R$ 129, valor que não fugiu às expectativas do setor.

Pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas revela, por outro lado, que o crescimento foi uma realidade para apenas 49% dos comerciantes. A proporção de lojistas com vendas estagnadas chegou a 31%, enquanto 20% amargaram queda. A entidade ressalva, contudo, que a prévia para o Dia dos Pais mostra panorama mais favorável e expectativas de incremento para 96% dos empresários – sendo que 42% esperam alta de até 35%. “De acordo com os números podemos ver a confiança depositada em relação à data comemorativa”, assinalou o Ifpeam, no texto do estudo.  

O mesmo levantamento confirma que as vendas a crédito mantiveram primazia no Dia dos Namorados, apesar da escalada dos juros, e a despeito do avanço na fatia de consumidores que buscaram pagar à vista. Outro dado relevante é o aumento expressivo nas vendas online, em sintonia com as mudanças de costumes impostas pela pandemia. Já o ímpeto nas contratações de trabalhadores temporários se limitou a 28% das empresas sondadas. As expectativas apontam para alguma melhora, já que 49% dos lojistas estimam reforçar o quantitativo de mão de obra neste segundo semestre do ano.

Brindes e descontos

Entre as empresas que conseguiram resultado positivo de vendas, 63% subiram até 10%,  em relação ao Dia dos Namorados do ano passado. Do lado dos comerciantes com resultados em baixa, 52% tiveram declínios de 11% a 35%. Em um ambiente ainda marcado por taxas elevadas de endividamento e inadimplência, a estratégia para atrair o consumidor incluiu sorteios ou brindes (42%), além de descontos e ofertas especiais (39%). Completam a lista as vendas parceladas sem juros (14%), frete grátis (1%) e “outros” (4%). Em paralelo, 59% das empresas já trabalham também com vendas online.

Entre as formas de pagamento, confirmando as preferências apontadas pelas sondagens preliminares do Ifpeam e da CDL-Manaus com os consumidores, o cartão de crédito parcelado (58%) foi o meio largamente mais utilizado para as compras. Em sintonia com o medo dos juros e da inadimplência, 32% dos consumidores preferiram as diversas modalidades de pagamento à vista (Pix, dinheiro, transferência bancária, etc), enquanto 5% escolheram o crediário/carnê da loja e outros 5% optaram pelo cartão de crédito à vista.

Nada menos do que 72% das empresas ouvidas pelo Ifpeam relatou que preferiu manter os quadros de funcionários sem alterações na data comemorativa. Apenas 28% promoveram contratações, sendo que 20% chamaram até três trabalhadores e 8% registraram o ingresso de até 10 empregados. Os números sinalizam alguma melhora para o semestre, com os percentuais de empresários que esperam contratar (49%) praticamente empatando com a fatia dos que planejam manter o mesmo contingente (50%) – embora 1% dos estabelecimentos revele que há demissões em marcha.

“Medo da inadimplência”

O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que o Dia dos Namorados acabou não atingindo o resultado que o setor queria. “Foi bem difícil para todo o comércio, que fez muitas promoções. Mas, não aconteceu o resultado que nós estávamos esperando. Acredito que as pessoas estavam com muito cuidado em relação à inadimplência e dívidas. Foi isso que acabou acontecendo, e contribuindo para que não houvesse o impulso que nós imaginávamos”, disse.

O dirigente informa que junho só não foi pior para os lojistas, em função do ponto facultativo decretado pelo governo do Estado, em 30 de junho – uma sexta-feira. Em nota, a CDL-Manaus agradeceu o gesto do Executivo, informando que junho foi “um mês difícil no comércio”, dado que “uma grande massa se locomoveu” para o Festival de Parintins. Na análise da entidade, a inciativa proporcionou incremento de vendas para 36 mil lojas de comércios e serviços, com crescimentos de 12% na circulação de veículos, e de 15% no movimento de pessoas no Centro. O ‘feriadão’ também rendeu incrementos para a alimentação fora do lar (+13%), os shoppings (+10%) e as “diversões” (+18%).

Indagado sobre a expectativas para este mês e o próximo, que contará com o Dia dos Pais, Assayag mostrou ceticismo. “O mês de julho é sempre muito fraco. Não temos aulas e, com muitas faculdades em férias, o movimento é menor. Tem muita gente viajando e isso atrapalha muito o comércio. Vamos esperar para ver o que vai acontecer em agosto e saber as mudanças tributárias que devem ocorrer [com a reforma] nesse período.

“Fora da normalidade”

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), avaliou que, embora os números da pesquisa do Ifpeam confirmem que o setor ainda não retomou taxas de crescimento de vendas “dentro da normalidade”, o fato de que praticamente metade dos comerciantes conseguiu avançar em relação ao ano passado é “altamente positivo”, considerando que ainda há uma “grande defasagem de poder de consumo” nas famílias.

“Ainda há muitos consumidores negativados e muita gente que está cautelosa com as compras, por causa dos juros, que se elevaram a níveis realmente insuportáveis. Tudo isso mostra que ainda estamos vivendo dificuldades. Mas, o certo é que nessa avaliação sobre o Dia dos Namorados tivemos pontos positivos. A gente espera que, aos poucos, tenhamos um incremento nas perspectivas de vendas”, finalizou. 

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa do Ifpeam (só se tiver espaço)

Realizado entre 15 e 26 de junho, o estudo do Ifpeam ouviu representantes de 105 empresas de comércios e serviços da capital, atuantes em 18 segmentos. A lista inclui perfumes (15%), calçados (12%), vestuário (8%), bares e similares (7%), maquiagem (6%), ótica, joias e folheados, salão de beleza, floricultura (os quatro com 5%), confeitaria, bolsas e mochilas, agências de turismo, eletrodomésticos, moveis e decorações, artigos para fotografia, entretenimento (os sete com 4%), hipermercados e relojoaria (ambos com 2%).

Os entrevistados são gerentes (55%), proprietários dos estabelecimentos (41%) ou ocupam cargo de líder de setor (4%). A maior parte das lojas sondadas está nos comércios de bairros (37%), seguidas de perto pelos shoppings centers da cidade (34%) e pelo Centro (29%). Ao menos 65% são empresas de pequeno porte (10 a 49 pessoas ocupadas). As companhias de grande porte (100 ou mais pessoas) microempresas (até nove pessoas) e médias empresas (50 a 99 pessoas) responderam por fatias respectivas de 13%, 12% e 10%.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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