A exemplo de seu colega Waldemir José (PT), que conseguiu a quantidade exigida de assinaturas para protocolar seu pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para o transporte coletivo. O vereador Wilton Lira (PTB) anunciou ontem que 13 de seus pares destinaram apoio a sua intenção de investigar o contrato do Executivo Municipal com a empresa Consladel, responsável pela instalação de radares e lombadas eletrônicas em Manaus.
As polêmicas sobre a prestadora de serviço começaram após a mesma ter sido denunciada nacionalmente por manter contratos fraudulentos com outras prefeituras do país. Em 2009, a empresa doou R$ 75 milhões para a campanha do então candidato Amazonino Mendes, e logo após a transação, venceu licitação de R$ 90 milhões para ações no sistema de trânsito da cidade.
Lira disse que sua decisão foi tomada após seus requerimentos de convocação do superintendente do Manaustrans, Coronel, Walter Cruz, e representantes da prefeitura terem sidos derrubados pela bancada de apoio ao prefeito Amazonino Mendes (PTB).
“É omissão, uma falta de respeito, coisa de moleque. Estão desrespeitando os 38 vereadores desta Casa e a cidade de Manaus”, salientou.
Dentre os questionamentos que dão base a sua proposta está a maneira “desenfreada” com que as lombadas e semáforos estão sendo dispostos pelas ruas da capital. Segundo ele, existem locais em que a Consladel instalou dois radares a menos de 200 metros um do outro. “A Consladel não fatura em cima das multas, e sim pela quantidade de equipamento. Quero entender se esse é o motivo de tantos radares. Exemplos do desatino são as Avenidas Brasil e Djalma Batista, em outros lugares, como na rua Ramos Ferreira, eles colocaram radares em ladeiras”, protestou.
O parlamentar assegurou que conta com a simpatia do presidente da Casa, vereador Isaac Tayah (PTB), que em conversa particular teria mudado de opinião quanto a instalação de CPIs pela CMM. A revelação veio apenas um dia após Tayah ter reafirmado seu descontentamento com o método, que de acordo com as recentes afirmativas do presidente não é terminativo, não tem caráter punitivo e onera altos gastos ao cofre da Casa.
“Na conversa mostrei para o presidente que se faz necessária a instalação da CPI. A Câmara esta desacreditada, pois toda vez se fala em CPI, entretanto elas não são instaladas. Os vereadores retiram suas assinaturas porque acreditam nas promessas dos secretários e líderes da prefeitura”, enfatizando seu arrependimento por ter retirado assinatura da proposta de investigação à Consladel, feita pelo petista Waldemir José, em março deste ano.
“Estou arrependido. Fomos enganados. A prefeitura garantiu que iria nos disponibilizar todos os documentos pertinentes a questão, e não o fez”, lamentou.
Assessoria nega assinatura
Contrariando o que divulgou o vereador Wilton Lira, a assessoria de impressa do vereador e presidente da CMM, Isaac Tayah, negou a mudança drástica na opinião do parlamentar. Em conversa com a reportagem, a assessora de impressa de Tayah, Luciana Santos, também negou que o presidente tenha assinado qualquer documento de apoio à CPI.
“O vereador está em conversa com as lideranças, mas não há nada oficial. Até o momento ele não assinou nenhum documento”, falou.
O vereador Massami Miki (PSL) demonstrou preocupação ao falar sobre o uso de novos métodos para a punição de motoristas pelos agentes de trânsito, chamados ‘azuizinhos’. “Foi publicado que os novos agentes de trânsito vão atuar na cidade com os equipamentos de spray de pimenta e uma arma que não é letal, mas que dá choque. O azuizinho é uma autoridade no trânsito, imagine que em uma discussão ele jogue pimenta no seu rosto e lhe dê choque. Não consigo imaginar essa situação, mas está confirmado que isso vai acontecer”, explicou o parlamentar, ao dizer que amanhã estará dando entrada em um requerimento solicitando a presença do presidente do Manaustrans para explicar o motivo da utilização desses equipamentos como forma de repressão aos motoristas da capital.







