Ao denunciar a desarticulação da bancada federal no Congresso Nacional, contrariando a estratégia organizada pelo governador Omar Aziz para defender as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus contra a Medida Provisória 534/11, o deputado Luiz Castro (PPS) agitou a sessão de ontem (31) da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) ao sustentar, da tribuna, que a ZFM vive hoje “o Samba do Crioulo Doido” e apontou a situação de falência da indústria de componentes no PIM (Parque Industrial de Manaus).
Em discurso que provocou a ira dos parlamentares governistas, Castro disse que a indústria de componentes tornou-se forte logo após a edição da lei estadual que disciplinou a concessão de incentivos fiscais em 2004, mas depois “definhou” e perdeu competitividade, necessitando agora da urgente ampliação dos incentivos e de medidas que gerem “capital tecnológico” para que os institutos de pesquisas a formarem quadros com o objetivo de criar novas formulações tecnológicas sejam capazes de resgatar a competitividade da indústria.
Justificando o seu discurso em um momento em que se discute a grave situação da ZFM diante dos perigos representados pela MP dos Tablets, o deputado socialista salientou ser dever da ALE aprofundar com a sociedade o debate sobre o modelo ZFM e lamentou a desarticulação entre deputados e senadores do Estado em Brasília, no que foi apoiado pelo deputado Marcelo Ramos (PSB). “Enquanto Eduardo Braga prega a possibilidade de a ZFM produzir componentes de tablets, Vanessa ataca a oposição local, João Pedro e Praciano elogiam a presidente Dilma Rousseff e o governador Omar descarta a ideia dos componentes, é uma loucura”, protestou Marcelo.
Pelo lado governista, Conceição Sampaio (PP), Belarmino Lins (PMDB) e Adjuto Afonso (PP), dentre outros, reagiram ao discurso de Luiz Castro e manifestaram sua confiança nas articulações do governador.
Eles apostam que a influência política e o prestígio de Omar Aziz junto à presidente Dilma Rousseff podem desequilibrar a disputa em Brasília e conseguir dividendos que amenizem os efeitos nocivos da MP à ZFM.
Em seu pronunciamento, Luiz Castro citou o contingenciamento de mais de R$ 1 bilhão por parte do governo federal à Suframa e destacou que a evolução tecnológica impõe uma nova visão sobre a indústria de informática. Por isso, decidiu questionar e denunciar a agonia da indústria de componentes da ZFM, chamando a atenção para a necessidade de grandes investimentos em ciência e tecnologia para salvar e fortalecer o modelo.
“A nossa indústria de componentes está se acabando e isso é ruim porque os empresários podem desmanchar suas fábricas e levá-las para outras regiões, acho que em curto prazo o governo estadual terá que ampliar sua renúncia fiscal para esse polo”, apontou Castro, garantindo que a revitalização do setor passa pela própria especialização da ZFM, com a finalidade de assegurar competitividade. E advertiu que a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) precisa ser ágil na análise de estudo realizado pela Seplan sobre a questão dos componentes.
Ao mesmo tempo, o deputado entende ser imprescindível a parceria das universidades com as indústrias e disse ser hora de lutar pelo descontingenciamento dos recursos da Suframa para garantir a implantação do parque tecnológico planejado pela autarquia, que poderia incentivar a formação de quadros técnicos de alta qualidade para impulsionar as indústrias do PIM e contemplar o Amazonas, inclusive, com uma universidade de software.
“ZFM está nas mãos de uma bancada
Em: 1 de junho de 2011
Deputados oposicionistas, como Luiz Castro e Marcelo Ramos, criticam postura da bancada, que consideram fraca. Já os governistas apostam na força de Omar e Braga em defesa da ZFM
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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