Não basta a máxima popular de que “Deus é brasileiro!”. É preciso perguntar a todos “Que deus é brasileiro?”, posto que nosso país surpreende à cada tempo, até os mais crédulos religiosos. Como ser Deus brasileiro, se contrariamos cotidianamente os preceitos do evangelho divino? Como pode este Deus bondoso, sentir-se nosso pai? Talvez seja ele muito mais benevolente ante tudo o que fomos o que somos e o que podemos ser. Como se orgulhar de ser brasileiro? Como justificar esta relação de amor divino entre Deus e este pedaço do planeta? Estes questionamentos, certamente, não encontrarão respostas muito fáceis ou simples de entendimento ou compreensão. Como chegaremos ao paraíso das relações divinas, num contexto de contradições?
Do que eu estou falando? É claro que é exatamente de nossas contradições, pela aprovação da lei que autoriza as pesquisas com células tronco embrionárias, quando nem temos ética e respeito pelo que já está formado e muito menos teremos pelo que deverá ser formado biologicamente. Como sermos filhos de Deus num país tomado pela vergonha disfarçada e banalizada da pedofilia cruel e covarde; pelos pactos de pais e mães irresponsáveis, no sentido de livrarem-se criminosamente de suas proles biológicas; pelo compartilhamento de nossas autoridades majoritárias na construção da instabilidade social e democrática da sociedade brasileira, pelo crime organizado; pelo cinismo religioso; pelo arraial evangélico; pela falta de compostura de nossos políticos em sua maioria; pela falta de comprometimento com a qualidade da ética na gestão da coisa pública; pelo oportunismo sobre a questão amazônica; pelos falsos defensores da natureza; pela mentira deslavada dos poderes constituídos; pela hipocrisia social e racial; pela cumplicidade entre as pessoas; e pela possibilidade de estarmos iniciando a derrocada da espécie humana.
Democracia
Não é a forma de governo, mas a comunidade distrital do município de Manicoré (AM), que está até hoje, sendo enganada pela ONG “Cool Hearth”, com a anuência das autoridades constituídas em âmbito federal e estadual. É lamentável que muito próximo de nós e de nossos olhos existam situações claras, evidentes e transparentes da incapacidade e incompetência operacional e gerencial de nossos poderes públicos em relação à gestão das áreas de domínio e responsabilidade da União, sejam elas protegidas ou não por esta ou por qualquer unidade federativa. Vale salientar que por instrumentos legais federais as faixas que margeiam os nossos recursos hídricos são de domínio e reserva da União. Então, como podem estar sob a tutela, guarda e proteção de ONGs internacionais? Como justificar que uma ONG internacional seja responsável única pela construção e melhoria de escolas públicas, incluindo sua biblioteca literária? Que livros estariam incluídos nesta listagem? Há algo de muito errado e muito estranho nisto tudo.
Além do mais, salvo engano meu, os títulos de propriedade sobre terras da Amazônia não dão aos seus detentores o direito à venda a terceiros, senão aqueles submetidos ao controle da União, pois tais títulos das terras amazônicas não foram transferidos para o Estado Republicano, por constituírem ainda, patrimônio do Brasil Imperial, ou seja, títulos hoje de propriedade da União, enquanto Pacto Federativo. As vendas de terras na Amazônia devem, urgentemente, sofrer uma revisão do ponto de vista legal e cartorial. Se esta região é hoje alvo de ingerência internacional, melhor que seja alvo de intervenção da própria União. Portanto, de exclusivo domínio desta sobre todo o patrimônio da biodiversidade e geodiversidade que reside em seu solo e subssolo.
O mais absurdo de tudo isto é uma agência brasileira, dita de inteligência, ter consumido desde 2005 um tempo tal, que não permita-lhe ainda a apresentar um relatório conclusivo, sobre as investigações relacionadas à prática de venda ilegal de terras na Amazônia, e em particular aquelas negociadas no âmbito da ONG “Cool Earth”, bem como açõe







