A Patrões e empregados da construção civil, um dos setores que impulsionam o crescimento do Amazonas, discutem hoje qual será o reajuste da categoria, que reúne mais de 20 mil trabalhadores, apenas na capital. Apesar do clima amigável e das promessas de chegar a um acordo a qualquer custo, há um fosso separando os interesses das duas partes.
Amparados nas notícias positivas sobre o desempenho do setor, que cresce ininterruptamente desde o ano passado, graças ao boom do mercado imobiliário e às obras públicas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do governo do Estado, os trabalhadores esperam aumento de 14,49%.
O número leva em conta a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nos cinco primeiros meses do ano, mais 7% de ganho real. Baseadas no mesmo índice do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as empresas oferecem 5,9%, apenas para repor a inflação. Atualmente, os profissionais da construção civil no Amazonas ganham, em média, R$ 668. Já a faixa salarial dos serventes não ultrapassa R$ 468.
O ponto em que as duas partes mais discordam, no entanto, diz respeito ao pleito do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil e Montagem do Estado do Amazonas) de reenquadrar pelo menos quatro categorias, do nível B para o C: pedreiro, bombeiro hidráulico, carpinteiro e ferreiro armador.
A intenção da entidade é buscar equiparação salarial com os trabalhadores de outros Estados do Sudeste do país, a exemplo de São Paulo. Com a mudança, a média salarial desses profissionais –que respondem hoje por 60% da mão-de-obra da construção civil no Amazonas– saltaria do valor de R$ 668 para R$ 815, pelos parâmetros de hoje.
Mão-de-obra representa 40% do custo
O Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas) alega que, somado ao reajuste, o reenquadramento das categorias causaria impactos significativos nos custos das empresas, prejudicando suas operações. A entidade informa que, pelo menos na fase de acabamento, a mão-de-obra chega a representar 40% do valor de uma construção no mercado imobiliário. Em obras públicas, essa faixa chega a 35%.
Concorrência
pública
“Há um agravante, pois o INSS manda fazer retenção de 50% em cima da mão-de-obra nesses casos. Quem trabalha nesse segmento já encaminhou suas propostas na fase de concorrência pública sem levar em conta esse reajuste. E este não é uma situação em que possa ser solicitado um aditivo, que vale apenas para acréscimo de serviços”, lamentou o superintendente do Sinduscon/AM, Cláudio Buenca
Segmento imobiliário se ressente dos encargos
O dirigente acrescentou que o segmento imobiliário também enfrentaria dificuldades para trabalhar com peso adicional dos encargos trabalhistas, mas teria como repassar o custo ao comprador do imóvel. O risco, segundo Buenca, é que um eventual reajuste de preços poderia comprometer o crescimento.
“Levados por uma visão imediatista, os trabalhadores argumentam que a construção civil passa por um bom momento, mas se esquecem do peso dos encargos das empresas. Há que se pensar que daqui a dois ou três anos, quando a maior parte dos empreendimentos estiver sendo entregue, não haverá nenhuma garantia de demanda para novos produtos. Como ficará a situação do trabalhador diante desse panorama?”, questionou.
Enquadrar
categoria
De acordo com o presidente do Sintracomec, Roberto Bernardes de Andrade, a entidade está disposta a discutir o valor do índice de reajuste salarial com as empresas, mas não abre mão do enquadramento das categorias assinaladas. O dirigente destaca que esta é uma das atuais bandeiras do sindicato, que atualmente conta com 8.000 associados.
“Vamos negociar até as últimas conseqüências, mas a equiparação é justa e visa beneficiar os profissionais mais requisitados, em um primeiro momento. O crescimento da construção civil não está se refletindo na qualidade de vida dos trabalhadores, que







