O ano é 2015. O grau de informalidade das empresas cai de 39,8% para 22,6%. A malha rodoviária do país tem melhoria de 78,7% e a taxa de pirataria é reduzida para 35%. O número de patentes brasileiras nos Estados Unidos chega a 600 por ano e apenas 7% dos estudantes abandonam o ensino médio. O cenário poderia ser utópico, mas é factível e foi minuciosamente traçado por um amplo e inédito estudo: ‘A Competitividade nos Setores de Comércio, de Serviços e do Turismo no Brasil: Perspectivas até 2015’.
Resultado de uma parceria entre a CNC (Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo) e o Sebrae Nacional, o estudo fez um amplo diagnóstico das conjunturas econômicas e estruturais, formulou políticas e traçou soluções para os principais obstáculos ao crescimento do setor. Também apresenta metas e indicadores para monitoramento. “A iniciativa partiu da constatação de que, apesar da crescente importância do setor terciário na economia, os segmentos careciam de estudos mais aprofundados, que permitissem consolidar o setor como grande protagonista do desenvolvimento produtivo brasileiro”, informou o presidente da CNC, Antônio Oliveira Santos.
Os números da economia mundial comprovam a prerrogativa. Agrupadas nas chamadas atividades terciárias, os setores de comércio e serviços representam 50% dos custos de produção e cerca de 50% da geração de empregos no mundo, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior). Entretanto, aspectos regionais provocam disparidades na produção e no consumo dos serviços. Em países desenvolvidos, a porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto) gerado pelo setor terciário tende a ser maior e a empregar maior parcela da população.
Relatório do Banco Mundial e do Mdic aponta o Brasil em 15º lugar no ranking de países com maior participação do setor de serviços no PIB. Os Estados Unidos lideram a lista, com 76,5% do Produto Interno Bruto gerados pelo segmento. “Visto que o setor terciário é caracterizado por um elevado grau de heterogeneidade composto por uma imensa gama de atividades muito diferentes, é natural que algumas atividades se defrontem com problemas”, ponderou o vice-presidente da CNC e presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, Adelmir Santana.
Encontros regionais
Para elaborar o estudo, a CNC e o Sebrae contrataram a Tendências Consultoria. Durante mais de um ano, a empresa envolveu cerca de 300 especialistas de todas as regiões do país na pesquisa. Foram cinco encontros regionais para analisar os diagnósticos e apontar os principais entraves ao desenvolvimento do Comércio, dos Serviços e do Turismo no país. “O setor tem essa característica de intangibilidade. Mas para dimensionar o impacto disso na economia, basta imaginar um dia sem serviço, transporte, seguro, saúde, telecomunicações”, comparou o coordenador Nacional da Parceria CNC/Sebrae, Carlos Baião.
A dificuldade de mensurar os aspectos que norteiam os segmentos foi também compartilhada pelos pesquisadores da Tendências. “O principal problema foi de encontrar dados públicos oficiais.
Percebemos uma carência grande de informações sobre comércio, serviços e turismo no Brasil”, revelou o economista e sócio da empresa, Frederico Estrella. “Uma das propostas do estudo é levantar dados para servir de instrumentos efetivos que apontem os rumos do crescimento destas áreas”, arrematou.







