Restrição de sacolas plásticas pode afetar produção do PIM

Em: 2 de outubro de 2021

Já está em vigor a Lei municipal 485 de 7 de maio de 2021, que proíbe os estabelecimentos comerciais de Manaus a distribuir gratuitamente sacolas plásticas aos consumidores. A partir de agora, só poderão fazê-lo mediante cobrança. O que deve haver redução de 30% na produção e no quadro de trabalhadores das empresas que produzem sacolas plásticas. A informação é da Simplast-AM (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus).

A Lei de autoria da vereadora Glória Carrate (PL), tem como proposta o estímulo ao uso de sacolas reutilizáveis que não prejudiquem o meio ambiente.  Para o diretor do sindicato, será um prejuízo parcial. “Nós precisamos aguardar o que vai acontecer nos próximos 90 dias para ver a adaptação da Lei no mercado para que nós possamos redefinir o posicionamento do produto no mercado”.

Ele pontua que toda Lei quando interage no mercado os responsáveis pelo projeto eles tem que determinar consultas públicas com todos os segmentos interessados. “O Simplast não recebeu nenhum tipo de pedido para que nós pudéssemos nos posicionar ou sugerir em relação ao texto. Talvez seja uma falha que não deve haver mais. Isso é uma falta de respeito com as indústrias que hoje não vivem só de plásticos, mas todas as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estão aqui gerando riqueza para Manaus e para os Estado”.

Na ótica do diretor do Simplast, se as determinações surgem e de alguma forma vai prejudicar um segmento é necessário  buscar alternativas de substituição ou um prazo mais para adequação e para conseguir estruturar um processo de economia circular, reciclagem. “Esse fator de não participação das indústrias foi um erro grave para o processo de quem quer o bem de Manaus, das indústrias e do comércio”.

De acordo com o sindicato, no Amazonas, são 12 fábricas que atuam exclusivamente na produção desse nicho com aproximadamente 700 funcionários. “Se multiplicarmos por quatro na família dá quase mil pessoas, desse quantitativo cerca de 30% serão prejudicadas. “Nós temos que acompanhar o mercado para ver quais as consequências na pratica”. 

Prejuízo é inevitável, mas preocupa

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, declara que apesar de concordarem  com a questão sustentável da medida. É preciso que nos atentamos também à vertente econômica do negócio.

“Essa medida pode trazer prejuízos imediatos para as indústrias termoplásticas que trabalham com a extrusão do material plástico para fabricação de sacolas.Temos que considerar que o segmento industrial está sendo duramente afetado pela crise sanitária e econômica, e que qualquer medida que possa impacta-lo negativamente deve ser avaliada com escrutínio redobrado”. 

Ao avaliar os efeitos previstos pelo Simplast o vice-presidente da Fieam, enfatiza que como toda a mudança, há impacto nas empresas que produzem para aquele determinado segmento. “Porém, existem outros nichos de mercado que não foram afetados e poderão continuar utilizando sacos plásticos para embalar seus produtos.A indústria plástica é muito criativa e versátil. Logo terão novos produtos para suprir a lacuna deixada pela redução parcial na demanda de sacolas plásticas”. 

Ele reitera que a medida tem caráter pedagógico, pois força o consumidor a reduzir o uso e descarte de sacolas plásticas no meio ambiente e também o estimula a fazer o reuso de sacolas mais resistentes, ou mesmo, de caixas de papelão para transportar suas compras.

“Muitos atacadistas e supermercados de Manaus já adotavam a venda, ou mesmo a restrição de acesso às sacolas, oferecendo alternativas mais ecológicas. Outros, ofereciam as sacolas sem custo aparente, o que dava a impressão que eram de graça, mas na realidade o consumidor acabava pagando indiretamente o valor correspondente embutido na margem de comercialização dos produtos”. 

As pessoas que estavam acostumadas a não ligar muito para isso, foram forçadas a refletir sobre a real necessidade de adquirir uma sacola para depois ser descartada. Esse movimento é uma tendência mundial que visa reduzir a geração de lixo no meio ambiente. Em um futuro bem próximo, outras iniciativas dessa natureza serão implementadas e irão mexer com o dia-a-dia da população.

O Jornal do Commercio tentou entrar em contato com algumas empresas do setor, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

Foto/Destaque: Divulgação

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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