Consumidor pechincha em supermercados

Em: 23 de dezembro de 2021

Na reta final das compras para a tradicional ceia, o cardápio do Natal será de substituição de marcas e produtos.  Apesar da crise no abastecimento de alguns produtos, a Amase (Associação Amazonense de Supermercados) garante que não há falta de itens  nas gôndolas dos supermercados. Ao mesmo tempo que os estabelecimentos não devem ser afetados com a escassez de produtos, famílias seguem a saga na busca de itens mais baratos. 

A administradora de empresas Elaine Cristina, passou a semana pesquisando preços de produtos na tentativa de fechar o cardápio da ceia natalina. “Reduzi em 8% a quantidade de itens para a preparação da nossa ceia deste ano”. Ela afirma que foi um desafio. “A verdade é que o consumidor imagina que pesquisar não faz diferença, mas acreditem, vale a pena. Tem itens que estão de R$ 2 a R$3,50 mais caros muitas vezes em uma mesma loja”, diz ela.

Tem gente que vai apostar no básico para compor a ceia. É o caso da representante de vendas Giordana Silva. Ela também faz parte do grupo que tem ‘pechinchado’ ao ir às compras. “Na minha lista somente o trivial. Vamos apostar no arroz simples, na farofa de cebola e no frango assado. Só entra no carrinho produto que possamos pagar o valor menor”. Ela também reconhece que há divergência nos preços dos produtos em diferentes estabelecimentos.

Especialistas concordam que o consumidor fique atento e pesquise os preços, muitas marcas estão com preços variáveis e algumas com alta nos valores. Dados da Amase revelam que os itens que compõem a tradicional cesta natalina estão até 15% maiores se comparado à comercialização do ano passado.

O economista Farid Mendonça Júnior, sugere que o consumidor pesquise bem os preços antes de adquiri-los, se possível no mínimo em três supermercados. Verificar se o custo total da ceia cabe no orçamento, do contrário fazer os ajustes necessários. “Dependendo do valor de certos produtos, o consumidor poderá substituir determinados tipos de alimentos por outros”. 

O consumidor precisa também se atentar para o fato de que devido a alta demanda por determinados produtos que são tradicionalmente consumidos nesta época do ano, como é o caso do Peru, o preço tende a ficar mais caro mesmo nesta época do ano. Então, o consumidor poderá também deixar de consumi-los agora para consumi-los depois, quando o preço deverá estar mais baixo.

“Se nos dias normais já vivenciamos um aumento de preços generalizado, imagine numa época onde a procura aumenta como no Natal”, destaca o presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, 

O economista afirma que a tendência é a ceia natalina ser bem mais cara do que nos últimos anos e para amenizar isso o consumidor deve se utilizar da imaginação e fazer as substituições dos itens inflacionados por outros mais baratos .

Ceia da substituição 

“A substituição do tradicional bacalhau por peixes regionais seria uma saída , assim como a troca do Peru por uma outra ave. Enfim , se utilizando das substituições, pesquisas de preços e comprando com antecedência, o consumidor poderá fazer as compras dos itens com uma melhor economia . Evitar ao máximo a compra nas vésperas das festas pois além de pagar mais caro, corre-se o risco de encontrar o produto com o valor bem mais alto”. 

Segundo ele, a substituição, compra antecipada é aquela velha dica de pesquisar em pelo menos dois estabelecimentos. “De um modo geral , todos os produtos aumentaram, mas aqueles tradicionais da época tendem aumentar mais ainda em função do aumento da demanda.  O empresário aproveita a procura para aumentar a sua margem de lucro nesses itens.A grande saída para a carne bovina é a carne suína ou até mesmo o ovo”, apontou. 

Marcio Milan vice-presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), 

afirma que os supermercadistas já estão se preparando para as datas de grande consumo, como Natal e Ano Novo, ofertando produtos e realizando promoções, que caibam no bolso de todos brasileiros. 

A ceia deste ano é regida pela lei da substituição de produtos. “O cliente está se renovando trocando marcas de produtos  para conseguir comprar mais barato. Os supermercados também estão seguindo essa tendência de adquirir itens de marcas com custos mais baixos, mas mesmo assim os preços já subiram no âmbito geral. Perdemos produtos com valor agregado maior, mais simples e muita gente vai acabar  diminuindo voltado ao básico como arroz e feijão para realizar a sua ceia com mínimo possivle”, avalia Assayag.

Classes C e D as mais afetadas

Conforme o vice-presidente da Amase, até o momento há uma tranquilidade no fornecimento de produtos. “Os depósitos dos estabelecimentos estão bem estocados”.

Para ele, as classes C e D foram as mais impactadas pelos reajustes nos preços dos alimentos. Alguns produtos devem entrar e outros saírem “O que representa uma tendência mudança no cardápio de Natal do consumidor”. 

Pesquisa de preços

O Procon-AM (Instituto de Defesa do Consumidor) realizou uma pesquisa dos valores dos produtos da cesta natalina. A ação compilou os preços de carnes brancas e vermelhas, panetones, frutas, temperos e bebidas em diversos supermercados de Manaus.

Com a pesquisa de preços, a maior variedade dos itens foi encontrada no estabelecimento Atacarejo Juma, localizado no bairro São Francisco (rua Valério Botelho de Andrade, 603), zona sul da capital amazonense. Já em relação aos preços, a melhor classificação foi da rede Baratão da Carne.

A variação máxima foi em relação ao valor da uva passa preta sem sementes, com preços entre R$ 4,59 e R$ 29,99. A equipe do Procon-AM também verificou grande disparidade entre os preços de espumantes – o moscatel tem valores de R$ 28,99 a R$ 56,79.

“Essa é uma ação anual que fazemos com o intuito de orientar o consumidor e de verificar também como estão esses valores. É importante que o consumidor faça essa comparação de preços para escolher o local mais barato”, aponta Jalil Fraxe, diretor-presidente do Procon-AM.

Média geral dos valores:

• Ave Chester (tradicional) – R$ 26,68

• Ave Fiesta – R$ 24,70

• Ave Chester Supreme – R$ 22,10

• Peru inteiro (kg) – R$ 33,43

• Peru temperado com ervas (Kg) – R$ 30,41

• Peru fácil com termômetro – R$ 35,70

• Ave Chester (desossada) – R$ 29,99

• Frango congelado – R$ 9,49

• Pernil suíno – R$ 24,88

• Lombo suíno – R$ 28,29

• Blesser – R$ 25,49

• Tender suíno (bolinha) – R$ 67,46

• Bacalhau do Porto – R$ 117,40

• Chocottone (gotas de chocolate) – R$ 19,86

• Chocottone (maxi mousse) – R$ 23,20

• Chocottone (lata) – R$ 44,50

• Panettone Alpino – R$ 33,55

• Panettone com frutas – R$ 16,14

• Panettone (doce de leite) – R$ 24,49

• Panettone (trufado) – R$ 12,87

• Maçã Fuji – R$ 7,49

• Uva rosada – R$ 15,37

• Uva verde – R$ 11,82

• Uva passa sem sementes – R$ 11,92

• Creme de leite – R$ 2,54

• Leite condensado – R$ 4,33

• Maionese – R$ 2,54

• Molho de tomate – R$ 1,55

• Abacaxi (calda/rodela) – R$ 11,37

• Cereja em calda – R$ 10,23

• Pêssego em calda – R$ 10,03

• Frutas cristalizadas – R$ 11,24

• Nozes sem casca – R$ 13,76

• Azeite de Oliva Extra Virgem (vidro) – R$ 18,19

• Azeitona verde sem caroço – R$ 4,31

• Azeitona preta inteira -R$ 4,78

• Azeitona verde inteira – R$ 10,80

• Castanha de caju – R$ 14,55

• Uva passa – R$ 2,77

• Cogumelo em conserva inteiro – R$ 5,00

• Espumante Moscatel – R$ 42,83

• Espumante – R$ 29,16

• Champanhe Sidra – R$ 14,35

• Vinho Tinto seco – R$ 19,10

• Vinho Tinto suave – R$ 13,25

• Vinho Branco seco – R$ 24,93

• Vinho Branco suave – R$ 18,83

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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