Síndromes respiratórias afastam 15% dos trabalhadores do varejo no Amazonas

Em: 12 de janeiro de 2022

Cerca de 15% dos funcionários dos segmentos do varejo (comércio e supermercados) estão afastados das atividades, em razão da Covid e Influenza. A informação é das entidades que representam os setores CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a Amase (Associação Amazonense de Supermercados).

Apesar da baixa no quadro, o dirigente das referidas entidades, Ralph Assayag,   tranquiliza que não há problema para suprir a demanda e a situação está sob controle.  “As vendas estão fracas. Estamos conseguindo repor. Ao mesmo tempo que alguns estão sendo acometidos pelas doenças, outros estão saindo da quarentena, o que tem dado para equilibrar mesmo porque estamos com um número de funcionários maior em função das contratações de fim de ano.  Até o momento está tranquilo a reposição desses funionarios”. 

Questionado sobre a possibilidade de um novo decreto restringindo as atividades comerciais, devido ao aumento no números de casos da Ômicron e Influenza, ele acredita que não prevê esse anúncio porque é uma variante menos ofensiva, apesar de mais transmissível. “Nós estamos mantendo todos os protocolos. Uso de máscaras e álcool em gel. Dentro das lojas há todo um regramento. Inclusive, alguns estabelecimentos estão orientando e dando treinamento sobre os cuidados ao chegar em casa” .

Embora o crescimento vertiginoso no número de casos da Covid e Influenza em vários estados, inclusive no Amazonas indique sinal de alerta, entidades confiam que o retorno das tão esperadas atividades cotidianas, após a segunda onda da Covid no Estado, no ano passado, não seja freada em virtude do atual cenário. Representantes de alguns setores ouvidos pelo Jornal do Commercio, mantêm otimismo e acreditam que é importante continuar vigilantes, e consideram que não é uma ameaça tão grande, quanto em 2021, no qual o Amazonas era epicentro da doença e não contava com as vacinas. 

Medida requer paciência

O cancelamento de voos, anunciado por várias empresas aéreas, por exemplo, é avaliado pela Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagens do Amazonas), que depende de mão de obra qualificada e específica para operar as atividades, dado que tripulantes positivaram para o vírus. “Infelizmente a contaminação desses profissionais exige a necessidade de outros para colocar as aeronaves para operar em plena férias onde os voos estão com ocupação alta”, considera o presidente da Abav-AM, Jaime Mendonça. 

“É frustração para o setor de viagens porque as pessoas adquiriram os seus pacotes se programaram e estão tendo que adiar ou serem acomodados em outros voos, às vezes, com conexões maiores para chegarem aos seus destinos”. 

Segundo Mendonça, quando acontece esse tipo de imprevisto é melhor aceitar as condições de viagens e chegar no seu destino e aproveitar as férias. “A gente precisa olhar o cenário global e entender que o Brasil não está aquém da nova realidade, mas eu acredito que logo vai ficar tudo bem”. 

Para ele, se tiver que voltar algum tipo de quadro restritivo, não há o que fazer. Mas pelas notícias que a Abav-AM acompanha, a nova variante, apesar do nível de contágio mais acelerado, não é tão forte como as outras. “Tem vários casos, mas o número de óbitos é baixo. A gente tem preocupação sim, mas a cada medida que a gente posterga a normalização do turismo as empresas se endividam e o turismo vai ficando mais caro. Se precisar seguir novas restrições, vamos obedecer e ter paciência para esperar”. 

O presidente do Sindivarejista-AM (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas), Teófilo Gomes, reitera que por enquanto há apenas uma restrição do governo sobre o limite de pessoas em eventos. “Eu espero que não haja necessidade de voltar a impor restrições com fechamento do comércio considerado não essencial. Lembro que em dois “fechamentos” o comércio paralisou por 182 dias acarretando prejuízos incalculáveis”, lembra ele.

“Evidentemente que o ômicron se alastrando trará dificuldades as empresas pois poderá reduzir o quadro de empregados complicando o atendimento. A gripe H3N2 também acarretará problemas se concentrar os infectados numa mesma empresa, o que não é difícil de ocorrer”. 

Conforme o presidente do Sindivarejista-AM, tudo não passa de uma especulação com relação ao comércio porque não há ainda estatística sobre o ômicron. “Mas o governo já está preocupado, tendo como prova o início das negociações com o Hospital do Nilton Lins para possíveis atendimentos em virtude da nova variante”. 

Situação de risco

Os afastamentos de profissionais que atuam em restaurantes, bares, supermercados e shoppings pelo país dispararam com a alta recente de casos de Covid-19 e influenza.Segundo as principais entidades dos setores, cerca de um em cada cinco funcionários têm se afastado do trabalho em razão das doenças neste início de ano.

O Jornal do Commercio entrou em contato com a Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) para sondar se o cenário se repete no Estado, mas, até o momento, não registram baixas no quadro de funcionários que atuam no setor.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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