Intensas chuvas mantêm setor primário em alerta

Em: 2 de fevereiro de 2022

Apesar de ser uma condição preventiva, as intensas chuvas que elevam a cota do Rio Negro traz status de monitoramento ao setor primário. Representantes do segmento afirmam que o volume das águas neste início de ano, tem demonstrado preocupação, porém sem registros de perdas agrícolas. 

O Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas)  está tomando medidas para monitorar o avanço da enchente em todo o estado, acionando as unidades locais.  Apesar de ainda não apresentarem perdas nas produções, seguem  monitorando os municípios do Alto Solimões, Alto Juruá , Alto Purus e Madeira, que geralmente são os primeiros a serem impactados. 

Em novembro, especialistas destacaram que a enchente estava  adiantada há pelo menos um mês. Na ocasião, o nível do rio estava registrando uma média de 5 centímetros por dia. O que já causava preocupação sobre uma possível antecipação dos efeitos na produção agrícola. “O evento pode comprometer também o abastecimento de produtos como hortifrutis a Manaus a partir de fevereiro de 2022”, estima o extensionista rural do Idam, Lázaro Reis.

A preocupação do setor em torno do nível das águas, tem motivo, até meados deste ano, a subida acelerada das águas trouxe risco ao cultivo de diversos produtos e afetou diversas famílias em vários municípios do Estado. 

De acordo com Lázaro Reis, na cheia passada, o  Idam lançou o primeiro boletim de monitoramento com a coleta referente às perdas em março. “As perdas começaram em fevereiro. O último boletim foi divulgado em junho contabilizando mais de R$200 milhões de prejuízos em cerca de 26 municipios”.

Receio que o presidente da Faea (Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço também compartilha, ao afirmar que o setor rural está acompanhando com preocupação o nível dos rios, que está acima do mesmo período do ano passado, em que houve a maior cheia de todos os tempos com prejuízos significativos para o setor primário. “Esperamos que a subida das águas possa desacelerar, pois se isso não ocorrer, poderemos ter uma nova grande cheia com significativos impactos negativos à agropecuária e ao interior do Estado”. 

Ä produção rural dos municípios, principalmente nas áreas de várzeas, que incluem os municípios nas calhas dos rios Juruá e Purus estiveram entre os atingidos. Impactos na produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, sofreram efeitos”, complementa ele. 

O nível do rio Negro, segue medição diária entre 3 a 5 centímetros, no inicio do ano,  essa cota chegou a 8 centímetros.  Nesta sexta-feira (14), marcava 24,47 metros. 

Prevenção

Em matéria divulgada no Jornal do Commercio no início deste mês, o pesquisador do   CPRM (Serviço Geológico do Brasil), André Martinelli, recomendou que ações fossem antecipadas para reduzir futuros impactos. 

Segundo ele, ainda é prematuro dar qualquer previsão.  E a justificativa está no peso que as anomalias de chuva que ocorrerem no primeiro trimestre tem no processo de cheia. “A chance de sofrermos com uma cheia severa em 2022 está dependente de um evento de La Niña forte que resulte em anomalias positivas de chuvas para o próximo trimestre. Esse fato associado ao padrão atípico monitorado desde agosto de 2021 poderá resultar em uma grande cheia”. 

Martinelli explica que para um evento de cheia de grande magnitude ser efetivado no ano de 2022, o La Niña intenso provocaria acumulados positivos de chuvas na região, o que acarretaria em chuvas acima do esperado e em consequência aumentaria o nível dos rios a patamares acima do esperado também. “Este fato associado ao padrão atípico atual poderia formar uma cheia histórica. Portanto precisamos aguardar o comportamento dos rios até março para podermos calcular a magnitude da cheia”.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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