Setor de Serviços do AM

Em: 2 de fevereiro de 2022

O setor de serviços do Amazonas voltou a acelerar, em novembro, após a oscilação sofrida no mês anterior. O resultado ficou perto de eliminar a perda de outubro, mas o ritmo ficou abaixo do registrado pela média nacional, tanto na variação mensal, quanto na anual. A escalada da inflação, por outro lado, ajudou a promover novos descolamentos no indicador da receita nominal. É o que revelam os dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada pelo IBGE, nesta quinta (13).

O volume de serviços no Estado avançou 2,2% ante outubro de 2021, em resultado praticamente simétrico ao anterior (-2,3%). No confronto com novembro do ano passado, a elevação foi de 8,5%, índice também superior ao do mês passado (+6,5%). Foi suficiente para segurar a atividade no campo positivo, nos aglutinados do ano (+12,8%) e de 12 meses (+12,4%). Apesar da alta, a performance do Amazonas voltou a ficar à frente da média brasileira (+2,4%, +10%, +10,9% e +9,5%) apenas nos acumulados.

Com o acréscimo mensal (-2,2%), o Estado escalou da 15ª para a quinta posição, entre os maiores valores do setor em todo o país, em um mês em que oito das 27 unidades federativas ainda amargaram recuos no volume de serviços. São Paulo (+4%), Santa Catarina (+3,7%) e Sergipe (+3%) dividiram o pódio. Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Mato Grosso (-4%), Acre (-3,3%) e Rondônia (-1,6%).

Com o desempenho do acumulado do ano ainda consolidado no azul (+13,4%), o Amazonas se manteve na nona colocação no ranking nacional. Roraima (+21,5%), Alagoas (+18,6%), Tocantins e Acre (ambos com +17%) tiveram os melhores números, enquanto Rondônia (+2,7%), Piauí (+4,5%) e Distrito Federal (+6,6%) figuraram no rodapé. Em relação ao mesmo mês de 2020 (+8,5), contudo, o Estado (+7%) subiu da 17ª para a 13ª posição, em uma lista iniciada por Roraima (+21,4%) e encerrada pelo Acre (-0,5%). 

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação nos preços correntes – apresentou números melhores, justamente por essa razão. A exceção se deu na variação mensal. Entre outubro e novembro, houve expansão de 5,1%, em desempenho bem superior ao anterior (-4,1%). No confronto com o mesmo mês de 2020, o incremento foi novamente de dois dígitos (+15,6%), possibilitando a sustentação dos acumulados dos 11 meses iniciais de 2021 (+17,2%) e da variação anualizada (+16,2%) no azul. Os respectivos números brasileiros foram +1,9%, +15,5%, +13,9%, +12,3%.

Com a elevação mensal da receita nominal, o Estado decolou do penúltimo para o primeiro lugar do ranking nacional do IBGE, sendo seguido por Santa Catarina (+3,4%) e São Paulo (+3,3). As piores performances vieram de Mato Grosso do Sul (-5,7%), Acre (-2,8%) e Rondônia (-1%). No comparativo do aglutinado do ano, se segurou na oitava posição, sendo que Roraima (+24,4%) e Rondônia (+4,5%) seguiram nos extremos da lista. Levando em conta a variação anual, o Amazonas subiu do 14º para o 12º lugar, o melhor número vindo de Roraima (+28,8%) e o pior, do Acre (+5,5%).

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que os serviços têm tido a melhor performance entre todas as atividades econômicas do Estado. O pesquisador acrescentou ainda que, mantidas as atuais condições, tudo indica que o quadro seguirá positivo para as empresas do Amazonas, no próximo levantamento – o último de 2021. 

“Os resultados de novembro mostram que o setor se manteve em crescimento, independentemente de outras áreas da economia local. Não fosse a inflação, o resultado do penúltimo mês do ano passado, teria sido ainda melhor. Mesmo assim, o desempenho mensal foi o quinto do país, e o anual está em décimo. A média móvel trimestral está positiva e, possivelmente, o resultado de dezembro irá confirmar o maior crescimento dos últimos anos para a atividade”, pontuou.

Tecnologia da informação

O IBGE-AM explica que o tamanho da amostragem na pesquisa no Amazonas ainda não permite dados desagregados por segmentos. Em âmbito nacional, quatro das cinco atividades investigadas mensalmente avançaram ante outubro: informação e comunicação (+5,4%), transportes e correio (+1,8%), serviços prestados às famílias (+2,8%) e outros serviços” (+2,9%). O único dado negativo veio de serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%). Mas, o índice de atividades turísticas cresceu 4,2%.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, assinala que a maior influência positiva veio do subsetor de tecnologia da informação, principalmente portais e ferramentas de busca da internet, mas também desenvolvimento e licenciamento de softwares e consultoria em tecnologia da informação. “Depois do período mais agudo da pandemia, a partir de junho de 2020, a atividade mostrou rápida recuperação, acelerando o ritmo de alta. Isso é explicado, em boa parte, pelo dinamismo das empresas de TI, que fornecem serviços para outras empresas”, analisou.

O pesquisador acrescenta ainda que os destaques na área de transportes foram transporte aéreo de passageiros, correio e transporte rodoviário de carga. No caso dos “outros serviços”, o impulso veio da coleta de resíduos não perigosos, administração de fundos por contrato ou comissão e consultoria em investimentos financeiros. A alta mensal dos serviços prestados às famílias foi a oitava consecutiva, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares amargaram sua quarta taxa negativa seguida.

Terceira onda

Tudo indica que, no Amazonas, os serviços prestados às famílias – que incluem hospedagem e alimentação – não seguiram o ritmo da média nacional. Em matéria publicada pelo Jornal do Commercio, o presidente da Abrasel-AM, Fábio Cunha, informa que setor de alimentação fora do lar não conseguiu recuperar as perdas da pandemia e encerrou 2021 com vendas 30% aquém do registro de 2019. A inflação e aparecimento da variante ômicron no Amazonas sinalizam tempos ainda difíceis para o subsetor, que sofre com a elevação dos custos e teme novas restrições governamentais.

Em recente entrevista à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sindhotéis (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas), Paulo Tadros, qualificou 2021 como “um ano catastrófico”. Segundo o dirigente, que também é vice-presidente da Fecomercio-AM, embora os hotéis não estivessem impedidos de funcionar, “o movimento foi insignificante”. Diante da permanência das incertezas no cenário do setor, o dirigente prefere também não fazer prognósticos sobre 2022.

“Foi um ano praticamente nulo: sem voo e com as pessoas com medo. Sobre 2022, ninguém sabe. Já começou alguma coisa de viagens, mas está muito baixo. Estava todo mundo preparado com a Temporada de Cruzeiros e agora, isso [o cancelamento]. Tudo vai depender de como vai se dar a situação sanitária, se vai dar tranquilidade de estar tudo aberto, ou se as pessoas vão ficar com medo. Estamos entrando em uma terceira onda e fica difícil ter uma previsão”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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